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Ação de pedreiras próximo a captação de água do Codau deixa produtor rural preocupado e denuncia crime ambiental |
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Produtor rural e sociólogo denunciam atividade de mineração que pode estar contaminando a principal fonte de abastecimento de Uberaba. Trata-se de duas pedreiras, a Beira Rio e a Copari, que ficam a cerca de três quilômetros do município, na posição norte.
"As atividades destas pedreiras estão causando danos ao meio ambiente, já que é utilizada dinamite para quebrar as pedras. Por semana acontecem cerca de cinco explosões, sendo utilizadas cinco toneladas de dinamite por semana. Os funcionários enchem as paredes com dinamite e explodem as pedras. Além do pó da brita, os restos da química da dinamite caem no córrego Lajeado, principalmente porque na explosão a água escoa para o Córrego Lajeado. Já fizemos denúncia ao Ministério Público, mas o processo foi arquivado. A Beira Rio funciona 24 horas por dia. O impacto ambiental é forte", explica o produtor Maicon Lucas Ribeiro Silva.
Segundo Silva, as pedreiras explodem as pedras numa média de quatro vezes por semana. Ele se diz indignado, por ter feito a denúncia e ela ter sido arquivada sem resolver o problema. "Nos últimos 60 dias as pedreiras arrancaram cerca de 20 aroeiras e angicos antigos e ninguém faz nada. Isso demonstra que está havendo danos ambientais, porque estão destruindo a mata nativa. Já pedimos análise da água, mas o Codau se nega a fazer. Também as pedreiras estão trabalhando em cima da margem do rio, a cerca de cinco a dez metros, o que é ilegal. A explosão é forte e sobe uma poeira densa, que cai na água. O impacto da explosão é tão forte que está até rachando algumas residências no bairro Boa Vista e Jardim Eldorado. Isso não pode ser normal. Até ameaças estamos sofrendo, depois de ter feito a denúncia no Ministério Público. Já havíamos denunciado, o processo foi arquivado, abrimos novo processo e ele foi arquivado novamente. Há mais de 60 anos estamos lutando pela preservação ambiental nesta área. Aqui tem muitos animais da fauna do cerrado e estão ficando sem lugar. Para onde eles vão?", questiona.
Ainda segundo o produtor rural, a pedreira já chegou inclusive a ser fechada, mas voltou a ser aberta. "Uma de nossas brigas é pela preservação das matas. Na semana passada um produtor foi multado por ter derrubado árvores, mas aqui não existe controle. Estamos brigando para impedir que se derrubem a mata, mas a cada dia aumenta o desmatamento. O pior é que não tem compensação e aqui é área de cerrado, que está sendo destruída", diz.
Outra denúncia de Maicon é em relação à nascente de diversas minas, que secaram com a exploração mineral. Também informa que uma das pedreiras teria desviado o curso de um córrego que cruza as propriedades rurais e que uma estrada foi aberta no meio da mata, onde existe área de preservação permanente.
O produtor diz, também, que toda a terra pertencia à sua família e a antiga Mojiana desapropriou para passar a linha de trem, apesar de até hoje não ter pagado pelas terras. Atualmente, parte das terras estão embargadas pela Justiça, mas Silva afirma que uma das pedreiras simulou um contrato com a Mojiana para usar a terra. "Apesar de as terras estarem embargadas e nenhuma das partes poder utilizá-las, a pedreira está usando a área para fins pecuários. Também a prefeitura está retirando os trilhos", observa.