Nessa semana vamos fazer uma reflexão sobre dislexia. Em pesquisas realizadas em nossa cidade de Uberaba, podemos perceber que nas escolas das diferentes redes de ensino – municipal, estadual e particulares - o problema da dislexia tem afetado muitos de nossos alunos. Os professores, muitas vezes, não conseguem diagnosticar uma criança ou adolescente disléxico, devido a vários fatores de ordem social, cultural e política que interferem na diagnose.
Por isso, fomos pesquisar sobre esse tipo de dificudade de aprendizagem e começamos a entender um pouco mais nossos alunos. No entanto, ainda nos indagamos com o seguinte questionamento: será que as escolas brasileiras estão atendendo as crianças disléxicas? Queremos acreditar que sim. Mas, vamos compreender um pouco mais sobre esse tema.
O termo dislexia tem sua origem na contração das palavras gregas: dis = difícil, prejudicada, e lexis = palavra; caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração. A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização, sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado.
A dislexia é caracterizada pela dificuldade na aprendizagem da decodificação das palavras, na leitura precisa e fluente, e na fala. Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à (letra do princípio do alfabeto); também costumam trocar letras, p com b e b com d e v, ou mesmo escrevê-las na ordem inversa, por exemplo, “ovóv” para vovó. A dislexia, contudo, não é um problema visual, envolvendo o processamento da fala e escrita no cérebro, sendo comum também confundir a direita com a esquerda no sentido espacial.
Esses sintomas podem coexistir ou mesmo confundir-se com características de vários outros factores de dificuldade de aprendizagem, tais como o déficit de atenção/hiperatividade, dispraxia, discalculia e/ou disgrafia. Contudo, a dislexia e as desordens do déficit de atenção e hiperatividade não estão correlacionados com problemas de desenvolvimento.
A dislexia, segundo Jean Dubois (1993), é um defeito de aprendizagem da leitura caracterizado por dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos, às vezes mal reconhecidos, e fonemas, muitas vezes mal identificados.
A dislexia, segundo o linguista, interessa de modo preponderante tanto à discriminação fonética quanto ao reconhecimento dos signos gráficos ou à transformação dos signos escritos em signos verbais.
A dislexia, para a Linguística, assim, não é uma doença, mas um fracasso inesperado (defeito) na aprendizagem da leitura, sendo, pois, uma síndrome de origem linguística. As causas ou a etiologia da síndrome disléxica são várias e dependem do enfoque ou da análise do investigador. Aqui, tendemos a nos apoiar em aportes da análise linguística e cognitiva ou simplesmente da Psicolinguística.
Portanto, vale a pena repensar sobre o fracasso escolar de alguns alunos. Identificar suas dificuldades de aprendizagem é um desafio e superar as metas, o nosso objetivo. Pense um pouco mais sobre isso...
Patricia V. Bielert do Nascimento, pedagoga e professora em Uberaba |