Terça-feira, daqui de Brasília, sento-me diante do computador e, sem saber o que escrever, "bolo" o título pra falar da vida de todos nós. Ao digitar a palavra -vida- teclei, inadvertidamente, o termo-viola... Seria possível, analogia entre os dois temas?Se nada acontece por acaso, vamos lá abrir a cabeça e tocar as cordas sentimentais dessa viola, gostaria-enluarada, inspirando-me. Mas, dia de sol cabisbaixo, sorumbático prenunciando frio em todo o país. O ar fechado do dia, que já vai a meio, porque a terra já se pondo bem no centro do movimento de rotação, desliza. Caminha lenta por baixo da cabeça coroada do astro rei, que não perde sua majestática condição de brilho próprio. Há pessoas, também, com brilho próprio e que se preocupam em ofuscar outras estrelas... Há brilho pra todas! Outras, se entrecruzam nas luminárias de outrem tentando viço e permeiam posturas afugentando o bolor emanado das costumeiras sandices. Fazem do poder, a arma, creditando-o vitalício. Esticam as cordas, desafinando como as intempéries do tempo assustador, sempre zombeteiro brincando de esconde-esconde pra nos acreditarmos eternamente poderosos! Hora em que "a viola fala alto no meu peito, mano" canto - encantamento na voz de Rolando Boldrin a pincelar com sua viola, a vida como ela é através "das cordas febris do coração," desdobrando a mais bela poética no Chão de estrelas, de Orestes Barbosa e Silvio Caldas. Ah, "minha vida, palco iluminado... palhaço das perdidas ilusões..." A vida, sempre palco iluminado, não faz o melhor de tudo, mas faz de tudo para que tudo seja o melhor. Frase filosófica buscada nas mensagens da Internet. E continua: "a vida é curta, curta a vida".
Ainda, não vou por "a viola no saco". Quanta coisa brota das sete cordas desse instrumento mágico sabendo como tocar nas cordas. Canto magia, alma de poeta ambulante a transformar a dor em canção. A peregrinação violonística carreando emoções de vida, ora campeando à sombra em merecido descanso, ora saltitante, quais corcéis afoitos correndo rios, vales e montes. Vida peregrina carreando passado, arquitetando o presente edificando o futuro. A viola canta mágoas, alegrias, abandonos. A vida perscruta ações em desenlaces como pincela imagens coloridas de felicidades buscadas, avidamente. Vida afinada, se buscada nos valores de apurada sensibilidade, quando bem orquestrada. Vida desafinada, se nas cordas frouxas da preguiça, da imaturidade e de vícios percussionam batidas do mal.
A vida estabelece duetos em acordes sonoramente ecoantes transformada em coro de vozes na defesa de um mundo melhor. Vida, que a nada se contrapõem, ante encantamentos emanados da tessitura sadia de um fazer comunitário,saudável e solidário. Assim, nessa fisiologia sonora, vida-viola, segue-se tons e semitons entrecortando passagens modulatórias maiores e menores, na constatação de que a vida nas doze tonalidades cromatizam fases deslizantes deixando ecos que se eternizam. Somente,o homem pode fazer do seu "instrumento vivencial," toque de magia ou aberração desafiadora desafinando "as cordas febris do coração..."
Arahilda Gomes Alves é cônsul de Uberaba dos Poetas Del Mundo (Chile) http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=1211 e diretora Fórum Articulistas de Uberaba e região |