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CLASSIFICADOS
 
29/06/2006 às 08:16
Em quem “não” votar
 
Desde o começo do ano os eleitores da cidade andam recebendo piscadelas de políticos que decidiram passar a perna nos eventuais adversários e anteciparam, por conta própria, o período de promoção pessoal da campanha eleitoral. De forma maliciosa, inventando ambigüidades e interpretando a lei com manha e malícia, eles anunciam a si mesmos em outdoors, folders, panfletos, encartes de jornal e, em um desrespeito à nossa inteligência, insistem em mentir que essa autopromoção é um “serviço” ao povo.
Vamos ser claros e diretos: essa prática é ilegal, antiética, traiçoeira e cínica, pois todos os envolvidos nesse jogo – cidadãos, eleitores, políticos e assessores de comunicação – sabem muito bem que essas peças publicitárias pseudo-informativas não são nada mais que campanha de autopromoção com vistas às eleições. Ninguém é ingênuo. A cidade deve discutir essa questão com seriedade, pois aí estão em jogo importantes ideais democráticos.
Regras eleitorais são feitas, entre outras coisas, para que todos os candidatos tenham igualdade de condições na divulgação de seu programa e na conquista do voto. Ou seja, para haver lealdade democrática, o período de propaganda eleitoral deve ser o mesmo para todos. Quem ganha com esse princípio é a própria sociedade, pois somente conhecendo todos por igual é possível haver ampla liberdade de escolha.
Políticos que dissimulam e antecipam a campanha têm a conduta egoísta daqueles trapaceiros que furam fila para tirar proveito sobre os honestos que respeitam o lugar de cada um. Essa velhacaria é igual à do personagem “Dick Vigarista”, que nas corridas de carro, no desenho animado, largava antes dos outros, tramava emboscadas e se enfiava em atalhos na pista para chegar primeiro, pois o importante era ganhar de qualquer maneira. Eles são como lutadores malandros que, escondidos do juiz, socam o adversário antes do apito inicial para começar o jogo na vantagem. Políticos que burlam a lei para faturar benefícios pessoais não merecem confiança, pois isso demonstra o caráter antidemocrático e fraudulento de sua conduta pública.
Não nos deixemos enganar por candidatos mesquinhos que agem de má-fé, abusam de nossa confiança e insultam nossa inteligência. A campanha ainda não começou; por isso, ainda não podemos escolher os nossos candidatos. Mas diante desses patifes eleitorais, já podemos pelo menos escolher em quem “não” votar. E para apontá-los, nem é preciso dizer os nomes deles neste espaço. Todos sabemos quem são: há meses eles estão em plena campanha eleitoral.

André Azevedo da Fonseca é professor universitário
 
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