Médicos e especialistas avaliam soluções adotadas pelos pais para fazer dormir os bebês
Nos bebês, o uso de medicação para insônia não é indicado
O sono não vem. E o que é pior: não é o seu, é o do seu filho. Quem já enfrentou uma criança acordada em casa enquanto se sente exausto conhece o drama. E, entre sentimentos de culpa, impotência e irritação, os pais buscam meios de adormecer o pequeno.
O tema, que já rendeu páginas e páginas de livros mundo afora, é assunto também de uma tese de doutorado que está sendo realizada pela pediatra, psicoterapeuta e especialista em sono Eduardina Telles Tenenbojm. Ainda em fase inicial, o estudo está sendo conduzido no departamento de neurologia clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e busca investigar o elo entre a relação mãe-bebê e a dificuldade de dormir apresentada por crianças com até dois anos de idade.
“Nos bebês, o uso de medicação para insônia não é indicado. Meu objetivo é chegar a fórmulas de intervenções breves, como consultas terapêuticas, que forneçam resultados consistentes”, explica a médica.
Ela diz que mães que enfrentaram situações de luto ou perda recentes são atingidas com mais freqüência pela falta de sono dos filhos. “Bebês que não dormem acabam por trazer a síndrome de privação de sono para o cuidador, que geralmente é a mãe. Ela se sente irritada e chega a ter dificuldades de concentração e de memória. Por outro lado, na relação com a criança, revelam-se também dificuldades que a mãe está enfrentando em outros setores de sua vida. Essas dificuldades se manifestam sob a forma de insônia no bebê “, diz.
Para Márcia Pradella-Hallinan, neuropediatra coordenadora do setor de crianças e adolescentes do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo, muitos pais misturam dificuldades de dormir provocadas por condicionamento inadequado com manifestações reais de distúrbio de sono.
”Há pouco tempo, não era sequer recomendado usar o termo “insônia” pra crianças e adolescentes. Insone é alguém que já dormiu bem e perdeu o hábito, o que não é exatamente o caso da criança que apresenta dificuldade ou resistência para dormir”, observa.
De acordo com dados do Instituto do Sono, até os três anos de idade 40% das crianças apresentam despertar confuso (seguido de choro). Na idade pré-escolar, o distúrbio de sono predominante é o sonambulismo, manifestado por entre 30% e 35% das crianças. Entre escolares e adolescentes, o terror noturno acomete 15%.
“Fora dessa margem, o que ocorrem são problemas decorrentes de condicionamento inadequado. São crianças que enfrentam dificuldades para dormir simplesmente porque foram mal-acostumadas, adquiriram maus hábitos”, esclarece a neuropediatra.
Pesquisa da USP estuda jogador patológico
Cinco traços de personalidade podem identificar um jogador patológico com 89% de precisão: dificuldade de planejamento a longo prazo e impulsividade; tendência a gastos excessivos e dificuldade em economizar; baixa perseverança; menor apego a vínculos pessoais e dificuldade em conciliar as tendências naturais com as normas aprendidas.
A conclusão é da psiquiatra Daniela Sabbatini Lobo, que fez uma pesquisa com pacientes do Ambulatório do Jogo Patológico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Foram acompanhados 140 pares de irmãos, sendo um deles jogador patológico e o outro não.
O transtorno foi associado também a uma variante do gene que sintetiza o receptor D1 de dopamina, importante para a sensação de recompensa e prazer no cérebro. No ano que vem, a psiquiatra fará novo estudo para comparar os traços de personalidade dos jogadores patológicos com a população em geral, e não só com os irmãos.
Prevenção - Para Lobo, os resultados podem ajudar na identificação precoce de pessoas vulneráveis ao desenvolvimento da doença, classificada como um transtorno de controle dos impulsos; o tratamento pode ser feito com remédios, grupos de auto-ajuda, psicoterapia e terapia cognitivo-comportamental. O Ambulatório do Jogo Patológico da USP atende gratuitamente os pacientes.
Um médico sem diploma
José Loubeh
Em dezembro de 1967, no Hospital Groote Schuur, Capetown, África do Sul, realizou-se o primeiro transplante de coração humano bem sucedido. O paciente – receptor, Louis Washansky, viria a falecer 18 dias depois, vitimado por pneumonia dupla. É que a dose de drogas imuno-supressoras foi por demais elevada. Mas já no segundo transplante, o paciente ganhou uma sobrevida de 19 meses!
O dr. Christiaan Barnard, cirurgião-chefe da equipe, (1920-2001) tornou se uma celebridade mundial instantânea. Ninguém ouviu falar de Hamilton Naki - 1927*-2005-, cirurgião negro Da equipe do professor Barnard, que executou o delicadíssimo trabalho de retirar o coração do corpo da doadora, transportá-lo e preservá-lo. Todos foram unânimes em reconhecer que Hamilton Naki era o segundo homem mais importante da equipe de transplantes do Hospital Groote Schuur! Responsável pelo primeiro transplante de coração humano, bem sucedido, da História da Medicina!
Cirurgião prático não licenciado
Já tivemos, no Brasil, a figura do dentista prático licenciado. Agora, cirurgião cardíaco prático, e ainda por cima não licenciado? Fala sério, Zé Loubeh, por quem sois!
Nunca falei tão sério, minha senhora. Hamilton Naki tinha que ficar no anonimato, por razões políticas. Razões que a própria Razão desconhece...
A UM: ele não pôde nem sair nas fotos da equipe. Imaginem, logo ele, um negro? Ainda por cima, analfa? Quando apareceu em uma foto, por descuido, apressaram-se em informar, mentirosamente, que se tratava de um faxineiro.
A DOIS: Hamilton Naki (HN) usava jaleco e máscara, mas jamais estudara nem medicina, nem coisa nenhuma.
A TRÊS: HN, humilde jardineiro na Escola de Medicina da Cidade do Cabo, parou de estudar aos 14 anos. Mas aprendia depressa e era muito curioso...
A QUATRO: Nosso herói virou o faz-tudo na clínica cirúrgica da escola, onde os médicos residentes brancos, orientados pelos mestres, treinavam técnicas de transplante em cães e porcos.
A CINCO: Hamilton começou limpando os chiqueiros. Foi aprendendo cirurgia na dura prática, observando milhares de experiências com animais. Tornou-se cirurgião de destreza excepcional, a ponto de o professor Barnard requisitá-lo para sua equipe!
A SEIS: Estávamos no auge do cruel regime fascista de “apartheid”, dos gorilas racistas brancos, os “äfricanders”, que mantiveram o grande líder Nelson Mandela ( 1918-...) encarcerado por 26 anos. (1964-1990).
A SETE: Hamilton Naki se tornou cirurgião prático clandestinamente! As famigeradas leis fascistas vigentes na época, na República Sul Africana, impediam um negro até de tocar no sangue de um branco, quanto mais operá-lo. Mas os esclarecidos e corajosos doutores do Groote Schuur abriram uma exceção para HN. Ele era considerado, após Barnard, o melhor dos professores; dava aulas para os estudantes brancos, embora ganhasse uma merreca como técnico de laboratório: o máximo que o hospital podia pagar a um negro que só tinha curso primário!
A OITO: Terminado o aparttheid, Hamilton Naki recebeu do presidente Nelson Mandela uma condecoração. A universidade concedeu-lhe um diploma de médico honorário. Em sua humildade, ele jamais se queixou das injustiças que sofreu durante seus 78 anos de vida. Vivia em um barraco sem luz elétrica nem água corrente, em favela da periferia...
Esta incrível história foi ventilada por duas revistas que o papai aqui tem a honra de assinar: a inglesa “THE ECONOMIST” e a nossa “BRASILIA EM DIA”, do jornalista Marcone Formiga. Na imprensa brasileira, ao que saibamos, foi aquela “barriga”: ninguém se deu conta dessa fantástica história.
Osteossarcoma: saiba um pouco mais
O osteossarcoma é o mais comum dos tumores malignos que se originam nos ossos. Tem preferência pelo sexo masculino, e incide, principalmente, em crianças e adultos jovens. O tumor pode ocorrer em qualquer osso ou mesmo em partes moles do organismo, mas, na maioria das vezes, acomete o úmero e a tíbia proximais e o fêmur distal. A dor e/ou aumento de volume locais são os primeiros sintomas. O diagnóstico precoce é fator importante para o prognóstico e o uso de cirurgias preservadoras do membro. O osteossarcoma é um tumor agressivo que invade e destrói o osso, chegando a romper a membrana óssea (periósteo) e invade as partes moles adjacentes. Esse tumor dá metástases, preferencialmente, através da corrente sangüínea e para os pulmões. Cerca de 80% dos pacientes já apresentam micrometástases à distância por ocasião do diagnóstico.
Novo medicamento aumenta a ação do Viagra
Uma nova droga vem sendo estudada nos últimos anos, e os estudos clínicos sobre sua utilização estão atingindo as fases finais, imediatamente antes da liberação pelo FDA (Food and Drug Administration dos Estados Unidos). A droga, conhecida pela sigla de PT-141, é apresentada na forma de um spray nasal, desenvolvido pela empresa americana Palatin Technologies. Estudos iniciais mostraram a ação do PT-141 no aumento da libido sexual feminina, por uma ação direta no cérebro. Agora, a droga foi usada em homens em conjunto com o sildenafil (Viagra), em pacientes com disfunção erétil. A resposta ao uso da associação PT-141 (por spray nasal) ao sildenafil foi superior à obtida com o uso de um placebo em spray associado ao sildenafil.
Vacina antitabaco poderia estar disponível em 2010
Uma vacina antitabaco está sendo pesquisada na Suíça. Pesquisadores estudando a vacina CYTOO2-NicQb, que vem sendo desenvolvida pela empresa Cytos Biotechnology AG, divulgaram que os resultados de seu primeiro estudo a longo prazo indicam que dois de cada cinco pacientes deixaram de fumar por um ano após receberem a vacina. A vacina CYT002-NicQb é a “primeira de sua classe” em desenvolvimento para o tratamento do hábito do uso da nicotina. A vacinação com CYT002-NicQb já foi demonstrada como sendo capaz de induzir anticorpos nicotina-específicos, que se ligam à nicotina no sangue. Os melhores resultados, obtidos entre as pessoas com alto desenvolvimento de anticorpos, atingiram a 42% de abandono do cigarro. A vacina poderia estar disponível para uso comercial até o ano de 2010.
É
proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico
ou impresso, sem autorização
escrita do Jornal de Uberaba.