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O hip-hop proporciona a inclusão social de jovens da periferia

12/08/2017

O Centro Socioeducativo de Uberaba (CSEUR) trabalha com a reeducação de 81 menores infratores. Um número que foi reduzido neste primeiro semestre, já que no ano passado a instituição chegou a abrigar cerca de 130 menores. O envolvimento de adolescentes em atividades ilícitas é uma realidade brasileira.
Atividades esportivas e artísticas desenvolvidas nas comunidades têm dado oportunidades a muitos jovens. O hip-hop, por exemplo, que reúne as artes do grafismo, rap e o breakdance, é difundido nas comunidades de Uberaba.

Cairo Damasceno Silva, o “Toi”, um dos organizadores da tradicional Batalha do Calçadão e de oficinas de rimas realizadas no Céu das Artes, no Residencial 2000, acredita que a cultura do hip-hop serve como um espelho para que os jovens da periferia tenham voz. 

Para ele, o “grande lance” da cultura é a capacidade de resgatar e salvar vidas de jovens que, por falta de oportunidade e perspectiva de vida, acabam se envolvendo com o crime. “Através do hip-hop, trazemos aquele jovem marginalizado para o centro. Eles só querem ser ouvidos. A maioria deles só precisa de apoio”, afirma. 

O principal objetivo do artista é mostrar, através de mensagens positivas, que esses jovens são capazes de se tornar cidadãos de bem através da expressão artística. “Eles se espelham em mim. A nossa cultura eleva a autoestima desses jovens e faz com que eles acreditem nos próprios sonhos”, declara. 

Toi relata a história de um jovem morador do residencial 2000, que era ignorado por outros jovens por ter sido usuário de drogas e ter envolvimento com o tráfico. “Eu chamei ele para a oficina de rimas. Foi um dos meus melhores alunos. Quando nos conhecemos ele tinha acabado de sair da penitenciária.  Conseguimos um emprego pra ele. Ele voltou a estudar. O hip-hop salvou a vida desse menino”, reconhece.

Ele afirma também que o intuito é que esses projetos sejam ampliados e que atinjam um número cada vez maior de jovens. “São esses meninos marginalizados que queremos com a gente. Nós não viramos as costas para eles. Queremos que eles sejam incluídos na sociedade da maneira correta. Isso tem funcionado muito bem”, finaliza.