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Bairros

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Jovens trabalham para ajudar a renda da família

12/08/2017

Jovens que residem em bairro de baixa renda buscam alternativas para ajudar os pais e ter o seu próprio dinheiro. Uma parcela dos alunos da Escola Estadual Horizonta Lemos, localizada no Parque das Gameleiras, busca conciliar suas rotinas de estudo e trabalho. Tarefa difícil mas não impossível, na opinião do jovem empreendedor Daniel Calebe Borges de Sousa (17). 

Calebe sonha em ser músico e, para isso, tem se dedicado às aulas de saxofone no Conservatório Estadual de Música Renato Frateschi. Ele ressalta que não deixou que a dedicação ao instrumento fosse empecilho para buscar a independência financeira. “Fiz um curso de barbeiro em 2014; um ano depois, com a ajuda dos meus pais, abri o meu salão. Busco atender na parte da tarde e já tenho uma boa clientela”, explica. 

O filho da dona Ângela Beatriz e do senhor Luís Antônio sonha alto e poupa dinheiro pensando no futuro. “Já estou guardando um dinheiro para minha faculdade”, revela o proprietário da barbearia que funciona em um cômodo da própria casa.  O estudante de música faz questão de participar das apresentações artísticas dos projetos da escola e diz se sentir valorizado por poder mostrar sua arte dentro da instituição.  

 “O mundo é diferente da ponte para cá”, trecho da música dos Racionais MC’s, é uma frase muito usada pelos alunos do Horizonta para referir-se à localização do bairro, que fica logo após o viaduto da avenida José Vallim de Mello. A expressão “atravessar a ponte”, por lá, tem como significado alcançar um sonho, chegar até à universidade e contribuir para uma sociedade melhor. 

O aluno Carlos Daniel de Senne Peixes (17) está em busca de fazer essa travessia. “Eu quero fazer Engenharia Química, mas ainda não sei se Ciências Exatas é muito minha cara”, expõe. Mesmo indeciso sobre o curso superior que irá fazer, Senne não se amedronta. Ele ajuda o pai, que é pizzaiolo, no negócio da família, contribuindo com o aumento da renda. Questionado sobre o preconceito existente contra os jovens da periferia, ele é categórico: “O que difere realmente não é o lugar onde você vive, e sim o tanto que você quer e se esforça para conseguir. Eu tenho buscado muito”, afirma.

Gente grande
Enfrentar grandes desafios, mesmo sem muita experiência, é a face de uma juventude pouco vista e falada, que vive escondida nas periferias das cidades e que amadurece muito rápido por necessidade. A aluna Ana Beatriz do Nascimento (17) está empregada há 1 ano e 2 meses como aprendiz da Fundação de Ensino Técnico Intensivo e Programa do Bem Estar do Menor (FETI/PROBEM). “Com o dinheiro eu ajudo minha mãe, que está grávida e não pode trabalhar”, revela a menina, que mantém a única fonte de renda fixa da casa. 

Ana estuda na Horizonta Lemos e mora no Jardim Alvorada. Para chegar à escola, faz o trajeto à pé, encarando o desafio de atravessar a rodovia (BR- 050) todas as manhãs. “É muito perigoso para a gente passar, não tem uma faixa para pedestre e a única coisa que nos ajuda é o radar”, queixa-se. 

De acordo com a estudante, a maior dificuldade de quem trabalha e estuda é quando os professores resolvem pedir trabalhos escolares, todos na mesma época. Acúmulo que não combina nada com a correria e a falta de tempo. “Eu faço os meus trabalhos no tempo que eu tenho de descanso no meu serviço”, relata Nascimento, que diz viver preocupada se está ou não conseguindo ajudar a mãe.