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Bastidores

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Bastidores 04/03/2014
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194 Anos
Antes comemorado em 2 de maio – data da transformação em Cidade, o aniversário de Uberaba foi alterado após pesquisas feitas pelo Arquivo Público durante a administração Luiz Guaritá Neto (1993/1996). Oficialmente, o Arquivo anunciou que a elevação do povoado a Freguesia implicava na ascensão econômica e social, com a criação do cartório eclesiástico, por exemplo. O decreto real – segundo o Arquivo, constituiu um grande avanço para a comunidade, e significou a emancipação e gerência própria em assuntos de ordem civil, militar e religiosa.

Desgosto
Decreto cria uma Freguesia no distrito de Uberaba (do tupi ”água cristalina”), com a invocação de Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba, e manda fundar uma capela curada na mesma Freguesia.
  “…Sendo-Me presente o grande desgosto que sofrem os colonos estabelecidos no Sertão da Farinha Podre, por se verem privados de socorro e pasto espiritual, sem que o possa obter com facilidade da Freguesia do Julgado do Desemboque, que dali dista mais de 60 léguas:
Hei por bem que se estabeleça uma freguesia no distrito de Uberaba até a confluência do rio Paranaíba e rio Pardo, com a invocação de Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba, dividindo-se com a Capela de N. S. do Monte do Carmo, e com a Freguesia do Desemboque, por onde mais conveniente for.
E Sou outrossim servido, que nesta nova Freguesia haja também uma capela curada, no lugar que mais convier, para comodidade dos habitantes que novamente se acham por ali estabelecidos. A Mesa da Consciência e Ordens o tenha assim entendido, e faça executar com os despachos necessários.
Palácio do Rio de Janeiro em 2 de março de 1820. 
Com a rubrica de Sua Majestade”
*(Dom João VI)

Nota 1: A dita “confluência do rio Paranaíba e rio Pardo”, se refere à antiga divisa entre a Capitania de Goiás com a Capitania do Mato Grosso e a Capitania de São Paulo, a foz do atual rio Pardo (Mato Grosso do Sul) com o rio Paraná. 

Nota 2: a Capela de N. S. do Monte do Carmo é a atual Prata (Minas Gerais).

 

Controvérsias
Nos bastidores de Uberaba, entretanto, o que se comentava é que o então prefeito Luiz Guaritá – pressionado pelo empresariado local, buscou uma saída honrosa para tirar o aniversário do dia 2 de maio. É que o feriado, mais a Expozebu e outros eventos do período, provocavam altíssimos prejuízos econômicos ao município. A legislatura anterior (2009/2012) da Câmara de Vereadores chegou a cogitar a possibilidade de votar o retorno do aniversário para 2 de maio.

Nem um nem outro
Mas, a celeuma não acaba por aqui. Corre por fora uma terceira corrente que defende a data de 22 de fevereiro. É que neste dia – em 1836, Uberaba foi elevada à condição de Vila, o que, para muitos historiadores, significa realmente a independência de uma localidade.

Dose dupla
A polêmica é tão complexa que, em 2006, o então prefeito Anderson Adauto (2005/2008-2009/2012), em seu segundo ano de governo e “assustado” com a celeuma, determinou que se organizasse duas comemorações: uma no dia 2 de março, data que está valendo oficialmente desde 1996, e a outra no dia 2 de maio – data válida até 1995.

Especial 150 anos
Acontece que, levando em conta o aniversário de 2 de maio – elevação à condição de Cidade (fato ocorrido em 1856), Uberaba faria 150 anos em 2006. Pressionado por todos os lados, o prefeito não teve dúvida em ficar no muro. Os habitantes de Uberaba comemoraram, assim, dois aniversários no mesmo ano. Com direito a uma extensa agenda de eventos.