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Bastidores 26/08/2014
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CURIOSIDADE HISTÓRICA – Tião Carreiro & Pardinho, em apresentação na década de 1980 na Casa do Folclore, em Uberaba. Empresário Gilberto Rezende (centro) aproveitou pra tietar. (Foto: Acervo Casa do Folclore)

Especial
(Agitos sertanejos)

Marcada para 30 de agosto, às 10h, a inauguração da praça Tião Carreiro – no Residencial Nenê Gomes. Com patrocínio da Fundação Cultural/Prefeitura de Uberaba e organização de fãs uberabenses, o evento terá shows de vários sertanejos, incluindo Rei Gaspar e Majestade, Baltazar, Manoelzito, Nicodemos, Romano, Suzanito, Wosley Torquato. Uma grande viola de aço, réplica de um instrumento do ídolo, enfeita a praça.

Entusiasmo
Entre os mais entusiasmados com a festa em torno de Tião Carreiro estão o “imortal” da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, engenheiro e perito judicial, presidente do Fórum Permanente dos Articulistas de Uberaba, João Eurípedes Sabino, e o empresário (Casa do Folclore), promotor cultural e conselheiro artístico e histórico de Uberaba, Gilberto Rezende.

Raízes
Batizado José Dias Nunes, o consagrado Tião Carreiro nasceu em Montes Claros, norte de Minas Gerais, dia 13 de dezembro de 1934. Filho de lavradores, seu pai Orcissio Dias Nunes e sua mãe Júlia Alves da Neves tiveram sete filhos. Tião Carreiro estreou em disco em novembro de 1956 (um bolachão de 78rpm que trazia “Boiadeiro Punho de Aço”, no lado A, e “Cavaleiros de Bom Jesus”, no B) ao lado de Pardinho, ex-trabalhador braçal e cantor de horas vagas, que ele conheceu no circo Rapa Rapa, na cidade de Pirajuí (SP). 

Saga
A família morou em várias cidades da região de Montes Claros, mas a seca e a falta de perspectivas na região fizeram com que a família subisse a bordo de um caminhão pau-de-arara, quando Tião tinha apenas 10 anos, rumo a São Paulo. Tiveram de fazer antes uma parada forçada de três dias em Montes Claros, até que um juiz de menores autorizasse a viagem das crianças, que não tinham sequer certidões de nascimento. 

O início
Devido à morte de seu Orcissio, mudaram-se para Flórida Paulista e depois para Valparaíso. Foi lá que Tião, aos 16 anos, decidiu trocar o cabo da enxada pelo braço da viola. Como tinha de ajudar no sustento da família, intercalava o novo ofício a outras funções, como a de garçom no restaurante de um hotel da cidade, onde ele costumava encantar a clientela dedilhando ao violão sambas e músicas populares da época. 

Intuitivo
Tião Carreiro jamais frequentou escola de música. Foi autodidata também na escrita, ao ponto de criar letras com cheiro de terra e mato para várias músicas de seu vasto repertório. Não bastasse isso, também soube se cercar de poetas com “P” maiúsculo, do porte de Lourival dos Santos, Moacir dos Santos - que, apesar do sobrenome comum, não tinham nenhum parentesco -, Dino Franco e de Teddy Vieira.

Pagode caipira...
O destino de Tião parecia estar traçado nos braços da viola. Sobretudo depois que ele criou o pagode caipira, definido pelo cantador e produtor mineiro Teo Azevedo como uma feliz junção do coco nordestino com o calango de roda. O novo ritmo surgiu em março de 1959, embora seu primeiro registro em disco tenha se dado no ano seguinte, com “Pagode em Brasília” (Teddy Vieira e Lourival dos Santos). 

...e bossa nova
Para termos de comparação, o sucesso gravado por Tião Carreiro&Pardinho, em homenagem à recém-inaugurada capital federal, está para o pagode de viola assim como “Chega de Saudade” (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), lançado dois anos antes por João Gilberto, está para a bossa nova. Em ambos, o diferencial era dado pelas batidas inventadas por músicos virtuosos. 

Aliança
José Dias conheceu Pardinho, seu principal companheiro, no circo Rapa Rapa na cidade de Pirajuí/SP. Pardinho era ajudante braçal e cantava nas horas de folga. Passaram a cantar juntos com os nomes de Zé Mineiro & Pardinho. Já em São Paulo, a dupla conheceu um diretor da RCA Victor, gravadora de grande projeção na época, que mudou o nome da dupla para Tião Carreiro & Pardinho.

O saldo
A carreira do ídolo da música sertaneja de raiz rendeu 25 discos 78 rpm com Pardinho e Carreirinho, mais de 50 LPs com variados parceiros, dois LPs em solos de viola caipira e mais de 300 composições com os mais importantes nomes – Teddy Vieira, Dino Franco, Moacyr dos Santos, Zé Carreiro, Zé Fortuna, Carreirinho e Lourival dos Santos, amigo, conselheiro e companheiro mais constante.

Morte física
José Dias Nunes morreu dia 15 de outubro de 1993 e foi sepultado no cemitério da Lapa, onde foi construído um memorial em sua homenagem. Todos os dias de finados, inúmeros fãs se reúnem em volta do túmulo do artista e passam horas e horas cantando seu repertório e relembrando alguma passagem de sua carreira.

O companheiro
Antônio Henrique de Lima, conhecido como Pardinho, nasceu em São Carlos, 14 de agosto de 1932, e morreu em Sorocaba, em 2 de junho de 2001). A dupla Tião Carreiro & Pardinho é tida como uma das principais da música sertaneja de raiz. Os dois são considerados artistas de primeira linha no gênero. 

Fonte
Informações estão no Portal Tião Carreiro (http://www. tiaocarreiro.com.br/), editado por fãs de todo o país. Entre as notícias do site, está o projeto aprovado pela Câmara de Uberaba – autoria do ex-vereador Massuó Machiama, com um agradecimento do composiutor e cantor Almir Sater (http://www.tiaocarreiro.com.br/interna.php?page=imprensa&id=31), e ainda, notícia sobre evento de homenagem realizado em Uberaba em 2007 (http://www. tiaocarreiro.com.br/interna. php?page=cultura&id=17).