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Chic&Choc

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Fabiana Silbor 01/11/2015
Fabiana Silbor
fabianasilbor@gmail.com
Chic&Choc por Fabiana Silbor

Meus queridos...
Salvem o domingo.
Para falar sobre a entrada de novembro recordo de um texto brilhante de Lispector (ouso nos pensar tão parecidas...) quando ela escreveu antes que eu nascesse: “E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é”.

 

Clarice e eu

“Se é assim? Pois então não guardarei segredo. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de alguém, e depois revelar os segredos, mas vou contar...

- Não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele.

- Vou contar, sim! Ele já fez isso tantas vezes e dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou esfregar a sua reputação para que Ele pare de viver de estranha em estranha à espreita para a próxima traição...

Mas não será dessa vez. Dentro de mim, ainda, há compaixão e zelo. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente”.

O Jornal de Uberaba e a produção de Chic e Choc têm feito um importante trabalho de resgate da arte fotográfica. Na edição de hoje temos uma homenagem ao sentimento, no fim de semana de saudade, explicito na data de finados. As fotos de minha autoria foram feitas no Cemitério São João Batista, um dos mais importantes do Brasil, pela sua identidade histórica. As cenas revelam a construção do homem na tentativa de representar o sofrimento da perda. O uso de fotos em tons cinza faz analogia a essa condição que permeia nosso peito nesse momento de falecer e em outros, quando também se morre em vida. A Mostra é um alerta sobre o quanto precisamos de gente que seja lápis de cor para contribuir no colorir da existência nesses tempos de desilusão.

 


Não vale a pena fazer sofrer. Provocar lágrimas não dá troféu. Mentiras não rendem medalhas. Traições não dão pódios.  Somos responsáveis por nossos atos, pelo modo que fazemos nossas escolhas. Viver recomeçando, de estranho em estranho, é uma demonstração da nossa incapacidade de valorizar quem está ao nosso lado.

Desaguar

Tamborila chuvinha no telhado... Faz uma musiquinha sem desagrado! Quero acreditar que esse barulhinho pode me levar para Quintana: Eles “passarão eu passarinho!” Oh beleza essa água benta que refresca nossos queimares. Depois dessa seca, a vivacidade que a natureza traz leva à analogia do que simbolizam as lágrimas. Chover é como chorar. Esse líquido que abençoa ora a terra, ora a alma, é um desaguar de passado para restaurar o presente e deixar o frescor de um tempo bom, quem sabe no futuro...

 

Comentário de esposa de celebridade da Zebulândia: “Ele é tão tranquilo que deixa tudo para depois. Do tipo que, quase, mata a mãe durante o parto porque passou a gravidez sentado”.

 

Desencontrar

Presente de amigo oculto, ainda, dos mais pedidos, o livro “Cinquenta Tons de Cinza”, que (claro) virou filme, colore com nuances sadomasoquistas um romance entre um homem dominador e uma mulher submissa (nem tanto, afinal, ela reage). O fenômeno que seduziu o mundo tem fórmulas conhecidas, mas aprimora na invocação de contextualizações psicológicas e humanas mais profundas. É uma trilogia. Outros dois ainda virão para consagrar a saga do casal.


Você sabe que dia vai morrer? Então, também, pouco sabe sobre o tempo que vai viver. Essa é uma boa pergunta, apesar das nossas rejeições a ela. Sem data de validade precisamos evoluir, sobretudo para reconhecer nossas imperfeições.

O número de salões “de beleza” na cidade está, só na expansão, o que não significa, necessariamente, que a pessoa vai sair de lá melhor do que entrou. Medo dessas transformações.

 

Desanimar

A cilada do pisca-pisca é que serão cinquenta mil nós e se desembaraçar, quando você liga, a luz não acende e você vai testando tudo. Inclusive a paciência. E as bolas do ano passado? Só Jesus na causa. Aí, você decide comprar tudo de novo para decorar e vê que o mercado enlouqueceu de vez. Na Era da criatividade do absurdo fazem enfeites de todo tipo. Uma loja trouxe até ideias para um natal erótico. Nossa! Enquanto isso, o espírito do fim de ano, que deveria congregar identidades profundas vive órfão de capacidades reflexivas em função do oba-oba do capitalismo.

 

Dá nisso, a pessoa que perde tempo, até, para retirar pen drive com segurança, mas não investe, cuidando do relacionamento. Máscaras que se vão!


Nesse fim de semana onde quem manda é a saudade, a perda nos põe contra a parede e logo perguntamos: Por que isso está acontecendo comigo? No dia de finados ficamos com o “se” de companhia. “Se” eu conseguisse voltar no tempo, “se” eu tivesse falado, “se” eu pudesse... Mas é tão cruel repensar histórias cujo final não vai mudar.

Descansar

A roupa mais gostosa da nova temporada é o pijama. Férias. Uma vontade de seguir e reencontrar o que foi tirado, transgredido, ameaçado. Olhar o mar para se encorajar a entrar e sentir o pulsar das ondas que poderiam restituir ou, se melhor, somente apagar. Deixar que o sal temperasse novas expectativas e contribuísse para restituir o sabor exterminado. Novos horizontes que se expandem sob um olhar solitário que defende só um recompor sem contaminações. Apesar da balburdia dos acontecimentos desse tempo de distração, somos todos buscadores das nossas próprias condições em uma viagem interna densa e particular.

 

O mundo está enlouquecido com os concursos de beleza para bichos. Tem até inscrição para sapo. Se tudo isso acontecesse aqui na Zebulândia ia dar o maior ibope. É uma terrinha fértil para produzir “animais”.


Morte. Essa dor tremenda ensina, para sempre, a sermos melhores agora. Ela é um lampejo de coragem e motiva parar com os adiamentos, as incompreensões, as raivas e a celebrar os perdões.

Desusar

Gente que passa batom vermelho e fica parecendo o Bozo. A nem. Será que a criatura não percebe que essa decisão é para poucos. Ao invés de seduzir, a entidade assusta. Credo. Aliás, essa coisa de moda só pega quem pode bancar (em todos os sentidos). Seguir no rebanho sem priorizar as próprias criações é se tornar membro de uma massa encefálica manipulada por um contexto fabril de padronização.

 

Desrespeitamos o tempo. Síndrome da vida lotada e valorizamos, desesperadamente, alguém que nos atenda prontamente. A instantaneidade é oásis. Estamos um povo ‘miojo’.

 

Depurar

A moda entre os abastados da Zebulândia é concorrer com o melhor projeto de natal. Decoradores de pompa foram chamados para trabalhar o interior de muitas casas. Nas mansões mais do que luzes, algumas ideias trouxeram o tropicalismo para os redutos. Dessa parte gostei demais, chega de neve só para tentar aproximar do que o mundo vende. Há tempos a Europa está de pires nas mãos e os Estados Unidos tenta recuperar o título de melhor do mundo, a moda agora é nacional. Portanto idolatria só para os ícones brasileiros.

 

Espero que no programa de campanha de boa parte de alguns candidatos em circulação na Zebulândia esteja a promessa: “prometo que depois de eleito vou ficar inteligente”.


A gratidão abençoa quem se foi e a atitude demonstra o amor para quem está aqui. No feriado feito para homenagear os mortos, lembre-se, também, dos vivos. Se estiver difícil, apenas dê o próximo passo. Fazer amor é ser o autor de uma magnífica história de vida, com menos danos.

Desnudar

A Universidade de Hiroshima publicou um estudo de Cientistas da casa que mostra que ver imagens fofas (bichinhos de pelúcia, filhotes, figuras engraçadinhas) pode trazer melhorias para a concentração. Os pesquisadores reuniram um grupo de 50 estudantes e pediram para que participassem de atividades que exigiam atenção. A explicação estaria no fato de que imagens assim provocam emoção positivas, despertam uma espécie de instinto protetor. Bom se é para deixar as pessoas mais atenciosas e cuidadosas que tal se fantasiar de ursinho... Pode ser que você desperte a sensibilidade. Em tempo de tantas definições pode ser um trunfo. Afinal, você ficaria uma tetéia.

 

Grupo que pesquisou o mercado confirmou que o calote anda em alta. No segmento de financiamentos a situação anda pelas mesmas bandas. É isso: vivendo de boleto!

 

Dever

Enquanto alguns suspiram de alegria ao internar o nome no SPC em crente realidade da concretização do calendário, ou por falta de educação financeira, e ainda, de vergonha na cara, um seleto grupo intelectual anda mais preocupado com a chegada de 2017. É para esse tempo que está prevista a missão especial brasileira. Pouco se fala, mas ao longo de três décadas o país acumulou bons resultados sobre o domínio dos satélites espaciais e agora vai testar a teoria em um voo prático. Hummm... Podemos sugerir que vai nessa nave com passagem só de ida?

 

Preparo e oportunidade são, em muitas teses, a tradução da sorte. Então temos um caminho florido pela boa companhia. A oportunidade está dada sob o codinome de crise e o preparo é um exercício para o qual recebemos o convite hoje.

 

Devolver

Com vocação natural para o esporte temos um grande negócio. Os índices apresentam crescimento contínuo de dinheiro e novos interessados nesse ramo. Todavia, as formas de gestão ainda têm vários desafios a vencer. Esse pensamento é urgente e definitivo. Se deixar de ser feita poderá trazer impactos em um segmento forte da indústria do lazer. É fácil explorar essa ideia aqui ao avaliar a saúde dos principais clubes da cidade. O elevado grau de fragilidade econômica e de projetos para a modernização desses espaços tem deixado dúvidas sobre como recuperar patrimônios coletivos dizimados por escolhas inadequadas, seja por falta de experiência ou até mesmo por baixa intenção de acertos proporcionada por interesses, apenas, pessoais.

Menos Cult o mundo se rende ao botox, a Gabriela (eu nasci assim, vou morrer assim) sem canela e a celebridade que desembarcou no novo relacionamento, o planeta mais abandonado, o político mais abonado. E aqui, a gente continua firme no Água Viva.

 

Descrédito

Mais uma vez tivemos notícia de um grupo intoxicado por comer uma sobremesa com ovo. Um levantamento mostra que em cada dez pessoas, seis tem o hábito de consumir o alimento cru ou malcozido. O perigo da salmonela, quase sempre ignorado, tem risco sim! Se a infecção for para a corrente sanguínea pode levar, inclusive, à morte. Mas, ficar fora das estatísticas anda difícil e o ovo não é o único vilão. Com o aumento de estabelecimentos oferecendo todo tipo de alimentação e nossa presença fora de casa a semana toda é preciso ter certeza do que estamos consumindo. Além do nosso olhar apurado precisamos que as autoridades cumpram os compromissos de fiscalização. Só assim promoveremos os lugares que cumprem as normas e teremos respeito.

 

Ah! Chegamos ao topo, ou ao fim da inspiração.

Dias de cores, sabores, flores, doçuras e amores!

Esteja e seja.

Para amanhã: No dia dos mortos lembre-se, também, dos vivos.

Domingo, bom!

Bjxxx Silbor