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Chic&Choc

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Fabiana Silbor 06/03/2016
Fabiana Silbor
fabianasilbor@gmail.com
Chic&Choc por Fabiana Silbor

Mulheremos um novo ferminar
Elas e eles buscando melhorar em mundo segregado
A semana que nasce para celebrar as mulheres tem uma data marcada.
Mas quais são os dias que não foram feitos para comemorá-las?
Se é delas que viemos, se é por elas que nos fazemos e se está nelas nossas boas possibilidades de complexidades necessárias para o evoluir como Ser?
Surgem novas reflexões antigas.
Das comemorações vencidas ergue-se, de novo, mais uma vez, o discurso de igualdade.
Mas quando entenderão que a vitória está nos respeitos às diferenças?
Homens e mulheres são desiguais complementares.
Suas preciosidades natas divergentes fazem da espécie esse crescente...
Há de se unir para espezinhar os preconceitos, os desmazelos.
Machismos, deles e delas, profundos feitos de argumentos rasos de uma tradição que nasceu equivocada, mas com o propósito de impor padrão, transformando milagres em profanação.

O feminismo tem valor.

Feito de lutas idealísticas.

Nem sempre travestidas de doçuras.

Mas norteadoras do resultar.

E de tantas buscas vencidas.

Abre-se o caminho para o novo tempo de “ferminar”.

É o germinar de uma nova fêmea.

Que interliga certas submissões reinantes...

Com liberdades guerreadamente conquistadas.

Para compor um papel amadurecido na presença humana.

As homenagens são para as mulheres que levaram para o túmulo suas vitórias diante de todas as lutas internas por um mundo feito de gente. Aquelas de morreram chicoteadas. As abandonadas, estupradas. As humilhadas, ignoradas. As que jamais tiveram direitos a escolher o amor, as que renunciaram aos sonhos, as idolatradas na vitrine e anestesiadas nos estoques do sobreviver. As que construíram novos ritmos para obedecer o silêncio imposto. Todas as que tinham um universo de conquistas para revelar, mas partiram sem o direito sequer de contar.

 

Os louvores, também, para aquelas que sobreviveram, reprisaram, gritaram, gemeram, inovaram, romperam. Que alardearam desde as alcovas até as mesas barulhentas dos bares, passando por palcos, palanques, patacas intelectuais e se mostram, esmiuçaram, desnudaram, gozaram os direitos e os deveres com ou sem ostentação. Se conversou educadamente, berrou ou só sentiu, quem tem o direito de ousar a julgar ônus e bônus da provação?

O dia é de repúdio, inclusive.

Contra as partes delas que perpetuam culturas de violência. Inclusive as travestidas de culpas.

Ensinando aos seres lassos a covardia das represálias.

Esticando o inaceitável como fato.

Que transformam a imposição numa ode ao sim, sem reflexão.

Serviçais de uma prática favorável aos poderes fracos, de rasos idealismos, mas constituídos. Que ficam esquivas, sorrateiras, rastejantes pela própria estupidez, enraizadas em almas covardes que se revezam numa seara para manter ambientes favoráveis aos avatares da ilusão.

De tudo mal dito, bem dito, repetido, invertido, prescrito...

Dos vieses políticos, embebidos de soluções inviáveis ou dos poemas enigmáticas rimados de entorpeceres (in) saciáveis...

Há um romper que as palavras desalcançam, inalmadas regras ortográficas ficaram sem exceções gramaticais para compor numa linguagem compreensível o ato de se fazer.

Porque de mulher há muito em todos nós.

Coisa que é gigante para caber nos conceitos resumidos em gêneros.

E se nesse dia alguém ousar olhar em busca da crítica ou do elogio, veja antes o próprio umbigo. Esquecemos de limpar o mais importante para receber o entendimento que no dia internacional da mulher reside todos os tempos: de ontem, de hoje, de amanhã.

E ninguém, por mais que se ache dominante apreende o sagrado ato de viver do outro...

Tomara que aconteça de tudo um pouco!

Crianças brinquem nas praças.

Adolescentes riam do nada que é tudo.

Casais se amem.

Grávidas chorem emocionadas com as fotos do ultra-som.

Adultos troquem sussurros provocando os desejos.

Idosos dancem forró até o sol se por depois do bingo.

Ignorantes democratizem suas bobagens para dar oportunidade de contestação.

Inteligentes nutram os egos com seus textos intocáveis dando chance de oposição.

E que das cozinhas, das camas, das empresas, do céu, do inferno, dos palanques, dos porões, do fundo do mar, das cabines dos aviões, de salto alto, de pés descalços, de cara lavada, de maquiagem apurada, das infinitas possibilidades que o verbo “mulherar” conjuga sejamos mais feministas, femininas, fermináveis, felizes sem discursos ocos e mais atitudes transformáveis.

Afinal, imagino que os criadores de datas tinham em mente alguma coisa útil quando inventaram essa demarcação. Talvez seja a ode à liberdade responsável que pode ser parida quando houver entendimento sobre a sutil diferença entre nós e nó!

Atravessemos o tempo de evoluir em um março fechando o verão, abrindo a mente, a alma, o sonho, celebrando presenças feitas de nobre intenção.

Façamos, sejamos: “Mulheremos”!

 

Fabiana Silbor

É Professora