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Chic&Choc

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Fabiana Silbor 10/04/2016
Fabiana Silbor
fabianasilbor@gmail.com
Chic&Choc por Fabiana Silbor

Bem vindo,
Bem vinda.
Domingo de positividades e bons planos.

E os espelhos entregues aos índios, ainda, em nós fazem o mesmo efeito. Trocamos tudo que temos de melhor para que a imagem não revele a verdade. Vestimos as ideologias alheias diante da nudez condenada.
O talento sucumbe ao vício. O buraco negro anda ameaçando todo mundo. O cara reage e leva um tiro. Quem puxou o gatilho é sustentado pelo trabalhador, eterno suspeito internado numa escola de crime. Hotéis insanos onde não se tem peso, nem de consciência. Trocam os arcebispos, driblam os nepotismos. Um enfrentamento aqui, 25 repressões ali. E assim tudo parece tão diferente, mas está tudo igual. As balas virtuais combatem inimigos nas jogatinas em rede, mas as guerras presenciais continuam sem soldados. O calote ameaça o mundo e o terno de marca vem embalado de fome.

 

O caos no sistema de saúde no Brasil é de tamanha proporção que transforma ambientes que deveriam ser, no mínimo, confiáveis, seguros e confortáveis em verdadeiros campos de batalha. Falta de tudo. Do mais básico ao mais sofisticado.

Assim, aplausos incansáveis aos profissionais que trabalham nas áreas de saúde que doam vida ao salvar centenas de pessoas.

 

A começar dos porteiros e recepcionistas que se empenham ao máximo para serem acolhedores sem nenhuma condição devido a burocracia de um segmento falido por más gestões, no qual os orçamentos de cifras milionárias se perdem em, já explícitas, negociatas ou são diluídos em um mercado abusivo que explora cifras gigantescas para pagamentos de medicamentos, tecnologias, etc.

 

As faltas de educação, humanidade e generosidade estão explícitas. De um lado, pacientes, familiares, visitantes mal humorados e grosseiros. Do outro lado, também, sobram estudantes, técnicos, especialistas despreparados e sem, pelo menos, compaixão por esse estado brutal que é o de adoecimento.Mas no meio dessa guerra de seres pouco humanos, como em um deserto, nascem flores fortes e de codinome esperança. São os sobreviventes e guerreiros com vocação para mostrar como se faz. Doentes e acompanhantes que contribuem para a qualidade de todos no local. Profissionais da saúde com uma essência abençoada que conseguem reverter quadros apresentados como sem solução, começando pela escolha das palavras, do jeito de pedir, de compartilhar decisões.

É um espetáculo ver a qualidade dessas pessoas. Ao entrar em um hospital, por exemplo, com gente pelos corredores, enfermarias improvisadas, perigos de toda ordem, são esses profissionais que fazem a diferença. Nutridos da decisão de fazer acontecer, eles abrem fartos sorrisos e se apoderam da luta para evitar que a morte vença. E, não estou falando, apenas, da morte física. Refiro-me aos falecimentos que acontecem dentro de nós quando nos deparamos com cruéis.

 

É nítido o cansaço em suas faces, mas o empenho para cuidar é mais forte. Essas pessoas que estão trabalhando na área de saúde, nessa era, são símbolos de esperança de um tempo de gente que gosta de gente. Ao ver, de bebês até os idosos em leitos. Muitos inconscientes, sem a presença de um parente. E assistir esses especialistas com tamanha vontade de transformar traz constatações de que as violências, os extremos, as corrupções são os males mais crônicos da civilização. Porque quando a criatura quer ser competente e solucionadora, ela fica imbatível.

Procure por pessoas leves. Mas, lembre-se: as difíceis, também, podem amar! Talvez elas não saibam viver levemente, mas são intensas, profundas. Pessoas pesadas não sabem ser pequenas, insignificantes. É verdade que são impertinentes, entretanto você poderá experimentar uma gravidade onde o tempo não é vago. Gente assim, até pode ser danosa, mas são fortalezas sensíveis. E esse castelo é bom lugar para morar. Porque viver é um ato de tantas construções e evoluções.


Acredite: você pode encontrar pessoas capazes de aliviar seus dias. Elas darão um tom subtil, ágil. Entretanto, aqueles que querem uma história densa precisarão compreender: os sonhos são lotados de ornamentos, e isso, impossivelmente, será leve. Penso, às vezes, mesmo, como despir um tardo, um serôdio companheiro? Entretanto revejo sobreviventes, gênios e loucos, pesados, pesadíssimos, que tiveram a doçura dissecada de seus direitos naturais e percebo que aqueles que se reconstruíram densos de humores, se salvaram de um mundo raso. Glorifique em sopesar!


Quando você se apaixonar procure por pessoas organizadas. Principalmente, se ordem está longe de ser qualidade maior na sua história. Esse arranjo validará sua criatividade lúdica, ouro de aprendiz. Será, mesmo, uma disposição conveniente essa disciplina. Transportará seu caos para a tranquilidade da boa administração. Que admiração pelos que tem harmonia, são práticos, adotam posições. Que lindo esse modo de ser!


Lembre-se: se você tem tramas e traumas em seus bastidores, pode ser que eles tenham sido forrados de imperfeições, mas assim construídas suas categorias. Aos filhos dos dias de alvoroço, herdeiros dos reinos de inquietações, sobreviventes de bandeiras opositoras, uma dialética da resistência: resiliência! Seja um abalo por ter aprendido a resistir sem se contaminar.


Não desista dos importunos. Sim! Os aborrecidos nos movem. Eles trazem um condimento na bagagem que, devidamente, apurados os excessos, vistos sem manha, sem mimo, reluzirão lealdade. São leais consigo, pelo outro, na vida, que sagradamente merece honestidade. Entenda as chatices. Elas podem, até, causar enfado, mas não desenvolvem disposição para enganar. Nem sempre, mas às vezes, é melhor um conflito do que se afigurar ser o que não se é! Chatos não são quimeras.


Valorize quem te faz prioridade. Aquele que afirma: todos os meios, ainda, seriam poucos. Enviarão mensagens, torpedos, ligações, cartas, bilhetes. O sentimento condensado não caberá em palavras miscigenadas de vogais e consoantes. Bradará no peito uma vontade imensa de sussurrar, de aclamar, de homenagear e nem sempre a pertinência é prato fundo nessa tempestade de sentir. Retumbará no peito um frenesi de intensidades que não se compromete com o racional. É um desalinho. A saudade materializa, inventa insanidades, inverte, vive de sofrer, mas também, substituída pela presença pode ser a maior experiência de prazer.


Queira o que declama poemas, oferece flores, tonaliza com músicas, surpresas, detalhes, mas que diga: recortes de uma totalidade são, ainda, muito pouco. Todas as expressões deveriam se revezar na demonstração permanente do sentir. Fórmulas decoradas, inventadas, receitas de ser, de comer, de reconhecer, de viver devem ser repetidas ao esgotar das preciosas ideias, para nascerem outras, mais raras, melhores... Viver para abençoar, celebrar, adoçar a existência de um compartilhar, nem sempre equilibrado, leve, certo... Mas essencial para quem quer o verdadeiro para sempre.


O movimento, a pulsação, a sofreguidão, são, ainda, muito pouco. O sonho, a esperança, a destemperança, orgias de um corpo em vão diante de um raciocínio contaminado pelo coração. Adoecer e sarar pleno e competente que dá sentido e remove a alegria em desatinos torpes que precisam revolucionar o nascer dessa expressão enfiada na célula. Profunda e pronta para desaguar... Nobres comprovações do medo e da satisfação, inigualáveis, desse novo mundo que tem nome. Passa a ser seu lar, seu motivo, sua intenção.


 

Vamos apostar nos que assumem riscos, que são atentos às decisões, que têm atitude, nos que aprendem, naqueles, que verdadeiramente, se interessam.

Quem não enterra o passado vai sempre reconstruir em cima de escombros. Feridas não justificam o despreparo e a descrença.

Quem, realmente, tem problemas deve reconhecer a necessidade de ajuda. Um socorro para evolução. Vamos gostar dos fortes e destemidos que mesmo nas quedas sabem estender a mão e quando erguidos caminham junto, respeitam, sabem agradecer.

 

Gratidão é passe de vida!

 

Lembre-se mais dos estados de graça. E se for preciso, reconheça, peça desculpas, esmiúce os detalhes.

Reveja todas as tempestades, mas fortaleça as bonanças que fizeram essa história.

Nem tente substituir.

 

Tem gente, que podia continuar como desconhecido.

Mas tem gente, que é mesmo, inesquecível. Por isso,

“Cuide bem do seu amor, seja ele quem for”.

O exalte.

O defenda. O compreenda.

Ria das competições, das impaciências, das infantilidades.

Com o humor dos puros.

Respeite o que essa pessoa representou enquanto estava por perto. E tudo aquilo que ela poderá ser longe de você.

 

E sempre cabe uma reflexão: se nos dói algo que essa pessoa fez, certamente contribuímos para que isso acontecesse. Temos que ser justos com a nossa parcela nessa despedida. Perdoe as incompreensões.

Às vezes a partida pode ser só uma ponte.

E a distância um bilhete premiado.

O tempo repete os ensinamentos, renova as respostas, atesta os acertos.

Mas o tempo, também, pode levar para sempre, tudo o que poderia ser parte do grande motivo da sua existência.