Busque em todas as seções:
EDIÇÕES ANTERIORES: anteriores

Cláudio Humberto

ACESSIBILIDADE: A A A A
Claúdio Humberto 04/12/2014
Claúdio Humberto
ch@claudiohumberto.com.br
Claudio Humberto

“É triste o dia de hoje”

Senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a chantagem de Dilma para aprovar manobra fiscal

 

Delator pode explicar venda de poços na África

Intrigam a força-tarefa da Operação Lava Jato os detalhes da venda de poços de petróleo da Petrobras, na África, para o banco BTG Pactual, em 2013. Em sua delação premiada, o ex-gerente Pedro Barusco, que vai devolver US$ 100 milhões em propinas, deve contar tudo. A estatal vendeu 50% dos direitos dos poços por US$ 1,5 bilhão. Para o Tribunal de Contas da União, valiam US$3,5 bilhões. Após a Petrobras, Barusco foi diretor da Sete Brasil, do BTG, que fornece plataformas à petroleira.

 

Mau negócio

A Petrobras vendeu poços na Tanzânia, Angola, Benin, Gabão e Namíbia. Na Nigéria, já há dois produzindo e um em desenvolvimento.

 

Lorota

A justificativa para a redução do preço dos poços da Nigéria foram “potenciais riscos políticos, tributários e regulatórios”. Lorota.

 

Jorrando dinheiro

Os riscos regulatórios, claro, não se concretizaram: os poços africanos já pagaram dividendos no valor de US$ 300 milhões aos seus donos.

 

Como Pasadena

O líder do PSDB, deputado Antônio Imbassahy (BA), quer explicações: “Esse caso da África é muito parecido com o de Pasadena”, comparou.

 

Propina de Duque enrola sueca Skanska no Rio

A deleção premiada de Augusto de Mendonça e Júlio Camargo, da Toyo-Setal, pode complicar a situação da empresa sueca Skanska no Petrolão. Teria pago propina de até R$20 milhões em obras da Estação de Compressão de Gás de Cabiúnas (RJ), inaugurada por Lula em 2010, ao custo de US$ 226 milhões. O consórcio Skanska, Promon e Setal levou R$1,34 bilhão da Petrobrás nas obras do terminal (Tecab).

 

É fria

Augusto de Mendonça revelou que parte do dinheiro foi depositado para o PT em conta no exterior, a pedido do ex-diretor Renato Duque. 

 

Roubada

Os suecos investiram R$ 73 milhões em obras com a Camargo Corrêa, Engefix e Technit no Complexo Petroquímico Comperj, hoje às moscas.

 

Tratorada

A Skanska abriu investigação interna na Suécia, lamentando as dificuldades de atuar no Brasil e Argentina “por excesso de corrupção”,

 

Alegações ocultas

No Supremo Tribunal Federal, não se conhecem as razões que fizeram o ministro Teori Zavascki soltar Renato Duque, o mais importante preso da Lava Jato. É mais um “processo oculto”. Ninguém viu. Nem vai ver.

 

Indenização bilionária

A Petrobras foi condenada a indenizar em R$ 1,4 bilhão a Refinaria de Manguinhos por prejuízos entre 2002 e 2008, impondo preços abaixo do custo de produção de gasolina, diesel e gás. O valor original era de R$ 935,5 milhões. Falta calcular prejuízos causados de 2009 a 2012.

 

Ficção contábil

As doações na internet seguem um curioso ritual na prestação de contas de Dilma ao Tribunal Superior Eleitoral: R$ 13 ou múltiplos de 13. Os ministros não acreditam em coincidência: é deboche mesmo.

 

Nó em pingo d’água

Assim como Jandira Feghali fingiu ter ouvido Vanessa Grazziotin ser xingada de “vagabunda” (na verdade era “vai pra Cuba!”), Renan Calheiros fingiu incômodo ao encerrar sessão do Congresso, terça à noite. Aumentou a aflição de Dilma e, portanto, seu poder de barganha.

 

Atormentando Dilma

Uma semana após votar 38 vetos em uma noite, o Congresso levou dois dias para apreciar dois, apostos à mudança da denominação do Instituto Federal Baiano e da barragem Boqueirão de Parelhas (RN).

 

Ladeira abaixo

Desorganização, aparelhamento e gastos fora de controle fizeram o lucro dos Correios despencar de mais de R$1 bilhão, em 2012, para R$ 325 milhões em 2013. Se hoje falta dinheiro para o 13º, 2015 será pior.

 

De mala e cuia

Fábio Ramalho (PV-MG) pode se filiar ao Partido Liberal (PL), espécie de PSDdoB a ser criado em fevereiro. Gilberto Kassab é dono de ambos os partidos. O deputado Esperidião Amin (PP-SC) também está na fila.

 

Ele é eleitor

O senador José Sarney (PMDB-AP) esperou quase meia hora ontem tentando ver suas digitais reconhecidas para votar no Congresso. O jeito foi apelar pela ajuda de deputados e técnicos para resolver o problema.

 

Pensando bem...

...se começarem a soltar os propineiros do Petrolão, os (ainda) empregados das empresas envolvidas é que terão de devolver salários.

PODER SEM PUDOR

Nomeação à revelia

Fernando Henrique Cardoso era ministro das Relações Exteriores de Itamar Franco quando, em viagem aos Estados Unidos, foi jantar na casa de Ronaldo Sardenberg, embaixador junto à ONU. Itamar ligou:

- Você está sentado ou em pé? Quer ser ministro da Fazenda?

FHC gelou. Não queria. Ponderou que não seria bom mudar ministro tão importante e pediu que Itamar nada fizesse sem falar com ele. Foi inútil. No dia seguinte, o ato de sua nomeação saiu no Diário Oficial.