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Cláudio Humberto

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Claúdio Humberto 03/10/2015
Claúdio Humberto
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“Não pode ter ala Câmara, ala-não-sei-quem”

Eliseu Padilha, defende a “reunificação” do PMDB após ter ganhado uma boquinha

 

Reforma desagrada e pode aprofundar a crise

A “reforma ministerial da crise”, anunciada ontem (2) por Dilma, mais atrapalhou que ajudou: aliados consideraram a partilha dos ministérios “injusta” e pode custar a Dilma mais adesões ao impeachment. Partidos como o PSD, que ocupa a pasta de Cidades, PP (Integração), PTB (Desenvolvimento) e PR (Transportes) não se conformam: o PCdoB, com 11 deputados, ganhou mais que merecia, o Ministério da Defesa.

 

Comandante Aldo

Aldo Rebelo mantém relações amistosas com o meio militar, apesar de filiado ao partido que protagonizou, na ditatura, a guerrilha do Araguaia.

 

Foi apenas uma ‘lipo’

Os cortes pífios não animaram nem mesmo os aliados: afinal, em vez da cirurgia necessária, Dilma fez apenas uma “lipoaspiração”.

 

Vai cortar mesmo?

Dilma prometeu cortar 3 mil dos 23 mil cargos comissionados, na maioria ocupados por militantes do PT. Não citou prazos, nem critérios.

 

Apenas um factóide

O corte de 10% dos salários dos ministros é só factoide para ganhar manchetes. Representa uma economia de menos de R$ 1 milhão/ano.

 

Câmara: só 3 líderes tiveram votos para se eleger

Dos quinze líderes partidários ou de blocos parlamentares na Câmara dos Deputados, só Leonardo Picciani (PMDB-RJ), Celso Russomanno (PRB-SP) e Chico Alencar (PSOL-RJ) tiveram votos suficientes para garantirem os próprios mandatos. Os demais doze líderes só estão na Câmara graças aos votos de legenda, inclusive de coligações partidárias. São os votos que “sobram” dos campeões de urna.

 

Líder só no papel

O líder do PT, Sibá Machado, foi apenas o sexto colocado entre os oito deputados do Acre. Foi o terceiro entre os candidatos do seu partido.

 

Muito barulho por nada

Jandira Feghali (PCdoB), Maria do Rosário (PT-RS) e Mendonça Filho (DEM) não teriam mandato se dependessem só dos próprios votos.

 

Poucos legítimos

Apenas 36 dos 513 deputados tiveram votos suficientes para garantir o mandato, independentemente dos votos de legenda.

 

Autoridades pagando mico

É constrangedora a preocupação de autoridades, desculpando-se pelo envolvimento do ex-presidente Lula nas investigações do petrolão, ressalvando que ele é “apenas testemunha”. Mesmo com a Lava Jato atestando que o roubo à Petrobras foi instaurado em seu governo.

 

Chororô de demitido

No anúncio da “reforma”, chamou atenção o chororô de Arthur Chioro, demitido do Ministério da Saúde. Izabela Teixeira (Meio Ambiente), coitada, que estava ao lado, deve ter saído com ombro molhado.

 

Tudo como antes

A ênfase de Dilma citando Carlos Gabas como “secretário de Previdência” deixou claro: a fusão de Trabalho e Previdência é lorota. A menos que ele et caterva percam carro oficial, aspones, mordomias...

 

Pega mal

Deputados ligados ao líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), relatam a curiosa dificuldade de encontrar quem topasse virar ministro de Dilma. Alegaram o temor de prejuízos à imagem.

 

Desfeita

Dilma, a trapalhona, cometeu uma desfeita contra o senador Eunício Oliveira (CE), líder do PMDB, que nada exigiu na reforma: ela nomeou André Figueiredo (PDT), adversário dele, ministro das Comunicações.

 

Militância

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, incansável no corpo-a-corpo contra aumento de impostos, panfletou a campanha “Não vou pagar o pato”, em Brasília. Fez tanto barulho quanto a “reforma” de Dilma.

 

Tirando o time
Para o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), o momento é de discussão do rompimento do PMDB com o governo. A ideia é levar proposta à convenção nacional do partido, em 15 de novembro.

 

Ilha fiscal

Mais que pó de arroz, muita intriga vai rolar no casamento do senador Romero Jucá (PMDB-RR) com Rosilene, neste sábado. Foi isso e não medo de rebordosa que fez Eduardo Cunha cancelar a viagem à Itália.

 

A volta da Crise

O único efeito da volta da Crise, aliás, da volta de Dilma ao País, após o passeio em Nova York, foi a disparada do dólar até bater R$ 4,24.

PODER SEM PUDOR

Carcereiro gentil

Preso em 1964, Francisco Julião, das Ligas Camponesas, foi metido num cubículo da 2ª Companhia de Guardas, no Recife. Ele não passava bem e um oficial do Exército chamou um médico, que prescreveu apenas alimentação decente. Gentil, todos os dias o militar “contrabandeava” um litro de leite para Julião. E ainda lhe fez uma surpresa: levou-o para o banho, certo dia, para um inesperado encontro com outro preso político, Paulo Freire. Trocaram abraço, palavras, força. O oficial, o alagoano Carlito Lima, relata história em seu livro “Confissões de um capitão” (Garamond, Rio), prefaciado pelo ex-líder estudantil Vladimir Palmeira.