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Em Questão

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Décio Bragança 15/01/2017
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

NOVO DEUS - Ninguém mais duvida das manipulações da mídia e, por consequência, está-se criando e fabricando a “ditadura do consentimento” –“o totalitarismo” – “isolamento pessoal e dos governos” – tudo isso é chamado de ideologia única. No fundo, perdemos a democracia e aceitamos essas novas formas de ditadura. “Quem não está comigo, está contra mim”. Adeus heterogeneidade! Adeus diversidade! Adeus respeito às diferenças! Por isso, foi possível a construção dessa tal globalização neoliberal – mercadocracia. A verdade é que o mercado é o nosso grande Deus atual. Tudo é permitido em nome dele!

 

MERCADOCRACIA - Com a globalização econômica os estados e as pessoas passam a ser controlados absolutamente. Somos todos dependentes do discurso ideológico dos meios de comunicação e informação, cada vez mais eficazes. Vejamos: 90% da população brasileira quer a implantação da pena de morte; 72% quer a diminuição da idade penal... Esse percentual não é fruto de uma profunda reflexão, mas estimulada pelos meios de comunicação, especialmente pela chamada TV aberta que atinge praticamente o país inteiro.

 

FINANCIAMENTOS- Situação semelhante quando se trata de políticas públicas, de cotas raciais e sociais, de bolsa-família, Fies, Prouni... a maioria é contra porque sofre fortíssima influência da mídia. É por isso também que sentimos forte crescimento da intolerância contra pobres, afrodescendentes, doentes, inválidos, cadeirantes, carentes. Os governos parecem virar as costas aos anseios e necessidades da população.

 

MARKETING - Todos defendem a liberdade de expressão. Claro, essa liberdade existe para aqueles que escrevem, falam, discutem ideias que estão alinhadas às dos “donos” das coisas e das pessoas do mundo. A verdade é quer não há, de modo geral, ideias contrárias ao que está posto. Há muito mais medo latente, pronto a explodir. Nas artimanhas de qualquer forma de poder (político, econômico, cultural, social, religioso...) há um marketing dominante e dominador e, por extensão, opressor e sutil, trazendo a ideia de “proteção, apoio, bem, prazer, alegria” ao dominado. Uma das mais eficientes artimanhas de qualquer forma de poder é se mostrar altruísta, humanista, generoso, desinteressado.

 

OBEDIÊNCIA CEGA, SURDA, MUDA - Observemos as muitas invasões dos aliados e alinhados no Irã, Iraque, Afeganistão, Líbia, Egito: todas elas com a intenção humanitária de preservação e construção da liberdade e da democracia. Poucos falam da limpeza étnica, da contaminação da água potável, os efeitos de uma guerra química e/ou biológica, da contaminação dos alimentos com os muitos insumos. No fundo, mudaram-se os métodos de dominação, de humilhação, submissão, obediência cega, surda e muda. Não podemos nos esquecermos o que nos impôs Milton Friedman (1912-2006): “Ter lucro é a própria democracia”. Democracia e capitalismo, assim, são trilhos paralelos que nos levam à segregação, à discriminação, ao desprezo, ao ódio.

 

LIBERDADE DE SE SER RICO - Os gregos, criadores e inventores da democracia, com esse novo conceito devem arrepiar, revirar na sepultura. Para eles, a democracia é uma possibilidade de as pessoas decidirem as próprias vidas e o próprio destino. Nascemos para viver e não para lucrar. Muitas pessoas vivem para trabalhar e assim ganhar muito dinheiro. Quanta doença! Quanta loucura! Ninguém ganha dinheiro nem fica rico trabalhando o tempo todo. Quem trabalha muito, não tem tempo de ganhar dinheiro, de ficar rico.

 

 

DÍVIDA INTERNA - Vivemos sem muitas alternativas de estilos de vida. Fazemos, queremos e vivemos como nos é determinado e imposto pela mídia. Sentimos que é necessária a construção de uma outra globalização e não simplesmente a econômica – mercado internacional aberto. Sabe-se que as grandes corporações, bancos, fundos de pensão – os poderosos – dominam e controlam todas as mídias. Para eles, integração internacional – globalização – significa todos trabalharem para os investidores, para as bolsas de valores – instituições tirânicas, totalitárias, ditatoriais, inflexíveis, maquiavélicas. O mercado nunca dá satisfações à sociedade, às pessoas. Tem uma vida acima de qualquer ingerência e/ou interferência. É a famosa “mão invisível” de Adam Smith (1723-1790) – Pai do Capitalismo.

 

ECONOMIA SEM INTERVENÇÃO DA POLÍTICA - No fundo, não existe nada que possa proteger as pessoas diante da mercadocracia e não ser o Estado. Talvez, essa seja a maior e única função do Estado hoje: estar com as pessoas, ser para as pessoas. A questão é que muitos Estados estão nas mãos desses predadores – donos do mundo, das pessoas e das coisas. O Estado, queiramos ou não, tem a obrigação de regulamentar as ações dessas grandes empresas. As pessoas não têm controle absolutamente nenhum sobre os meios de produção e por isso é ainda necessária a intervenção do Estado. Democracia pressupões controle da produção e dos meios de produção – indústria -, controle de trocas – comércio – pelos cidadãos, pela sociedade, em benefício da própria sociedade, de todos os homens e de cada um.