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Em Questão

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Décio Bragança 09/04/2017
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em questão

CONFIANÇA - A escola é um espaço coletivo e público. Não há coletivo sem cooperação e colaboração. Claro, cooperação e colaboração são fundamentais para o sucesso do trabalho educativo e social. Confiança e ética criam um ambiente necessário para a construção de uma educação levada a sério. Todo trabalho coletivo possibilita o desenvolvimento das competências e habilidades individuais. Em outras palavras, cada sala de aula é um universo, diferente um do outro, mas em nenhum deve faltar cooperação e harmonia, confiança e solidariedade.

 

ESTILO - Escola é partilha, criando regras, acordos, normas discutidas e eleitas por todos os membros envolvidos. A isso pode ser chamado de Parlamento Escolar. Escola é trabalho. É busca da perfeição, porque conquista de Ciência e Sabedoria, de Cultura e Inclusão, de Arte e Pesquisa. Nesse sentido, a escola será sempre um espaço de informação, formação e transformação, de conversão, libertação e revolução, de percepção da realidade, de análise de princípios e valores, de ações e metas. Isso não significa uniformização de comportamentos e atitudes, mas, pelo contrário, possibilidade de implementação de um estilo próprio e pessoal em cada proposta.

 

EXAME - Um trabalho coletivo oferece meios e instrumentos, estradas e caminhos de superação de dificuldades e obstáculos. O trabalho coletivo é sempre sinérgico, ergonômico. O trabalho dos professores é por demais responsável, por isso estressante e carregado de insegurança, medo, dúvida e, às vezes, sofrimento. Sem a responsabilização de todas as instituições, a escola e seus professores passam por uma verdadeira prova de fogo, de sobrevivência da prática profissional. Os cursos de licenciatura de quase todas as universidades brasileiras saíram do sistema presencial e passaram ao a distância.

 

CRISE - O problema é que, no exercício profissional, os professores sempre estarão frente a frente, cara a cara com muitas concretas, reais e não virtuais. Em outras palavras, os professores se formam virtualmente e trabalham em situações coletivas e sociais, concretamente. Nesse sentido, não vivenciaram e testaram a prática e exercício de cidadania, de tolerância, de colaboração, de harmonização, de superação de crises de relacionamento, de inclusão e aceitação do outro – a alteridade.

 

METALINGUAGEM - A grande questão escolar é a dicotomia teoria/prática. Superar, ultrapassar essa dicotomia é a postura, talvez de uma nova postura dos professores. A academia é o lugar privilegiado da produção do conhecimento; a escola é o lugar de ação, de comunicação desse mesmo conhecimento. Em outras palavras, a academia se preocupa com o QUÊ, ao passo que a escola com o COMO! A primeira centralizada na metalinguagem e metaciência; a outra na linguagem e ciência. E o que é mais importante? Qual deve ser a prioridade?

 

TRABALHO - O fato é que sala de aula é enfrentamento e confrontação, é estar com os outros, por isso sempre um desafio. Nesse sentido, a sala de aula traz sempre características singulares, sempre variáveis. O trabalho escolar é uma tentativa de ajustamento dos sujeitos, dos atores ao meio, também singular, porque sempre variável. O que é bom para uma escola, necessariamente não é bom para outra. O profissional de educação obrigatoriamente tem de ter a capacidade de ver, julgar e agir em cada situação, usando sua sensibilidade, reflexão, experiência, além de uma base sólida de conceitos, de ideias e de ideais. Sem corporativismo é preciso fazer uma reflexão crítica e coletiva, sempre tendo a ética como objetivo.

 

VIVÊNCIA - O mundo passa por transformações e as relações humanas avançam também transformadas frente às tecnologias e às novas organizações profissionais. Assim, quanto mais encontros, simpósios, cursos, congressos entre os professores para a troca de vivências e experiências, tanto maiores as possibilidades de desenvolvimento da qualidade da educação. Diálogo, reflexão, crítica, sinergia potencializam o trabalho educativo. Daí a importância de se criar uma “Escola de Professores”.  Já houve, em Uberaba, uma tal “Semana de Seminários” – maior e melhor proposta educacional, educativa, educadora.

 

EXPERIÊNCIA - O trabalho educacional tem de ser coletivo, apesar de cada professor, sozinho, na solidão profissional, atuar em sala de aula. Daí a importância da prática teórica, da teoria prática – mistura do QUÊ com o COMO. Daí a importância da qualificação e habilitação de todos os profissionais-professores – inteligência prática. O caminho mais difícil é aprender enquanto se faz, por isso vale a pena investir na preparação e formação de professores, previamente, como se fosse uma prática de vacinação. Não se espera estar doente para depois vacinar. Vacina-se antes para não ficar doente. Em outras palavras, muitos professores são jogados numa sala de aula sem vacinas. Daí a insegurança e a insatisfação profissional de muitos, porque não conseguem fazer o que acreditam ser importante fazer.

 

PLURAL - Nesse sentido, é dever do Estado essa preparação e formação de professores – prevenção de desvios. Erra-se muito por falta de vivência e experiência. Pior de tudo: erra-se com a maior de todas as boas intenções. Professores não podem permanecer acomodados já que educação é processo e como processo não se realiza somente aqui e agora, senão a longo prazo e em todos os lugares. É preciso criar uma rede para trocas de informações e experiências e vivências – aquisição de conhecimentos e desenvolvimento profissional, em clima de confiança e principalmente de acolhimento e cooperação, como nos ensina Lev Vigotski que chama a isso de “zona de desenvolvimento potencial”. Há muitos conhecimentos desnecessários exigidos pelos professores que preferem conhecimentos já estabelecidos, estratificados, ultrapassados, repetitivos, desmotivadores.

 

SINGULAR - Cada classe é singular. É um universo diferente de todos os demais, por isso exige-se um profissional de educação competente, profundo conhecedor do ser humano – tarefa das mais difíceis. Entra, assim, em cena a responsabilidade de todas as universidades – espaço privilegiado de atualização, de pesquisa, de ciência, de cultura e arte. A solidão é o pior inimigo do trabalho educacional, educativo, educador, apesar da solidão de sala de aula. Entra em cena a responsabilidade de todas as forças e organizações sociais para tornar menos sofrido e menos estressante e menos angustiante o trabalho dos professores.