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Em Questão

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Décio Bragança 28/05/2017
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em questão

Professor Décio Bragança Silva

decio.braganca@uniube.br

 

VENCER O INIMIGO INVENCÍVEL - Que a vida deveria ser bem melhor é o desejo de todos e de cada um. Qual é o conceito de melhor? Melhor para quem? Melhor contra quem? Acredito que já passando da hora a busca, o reencontro com a utopia. O planeta tem de ser um planeta que abriga a todos. O planeta é o único lugar onde podemos comer, repousar, fazer e refazer as coisas, fazer perguntas e buscar respostas, aprender e ensinar, amar e ser amado. A utopia cria, sim, um outro mundo possível, com novos homens e novas mulheres.

 

RESISTIR QUANDO A REGRA É CEDER - Há muitas guerras e ameaças de guerra no ar, nos meios de comunicação. Há muita fome e miséria no chão. Há muitas manipulações do sistema financeiro aqui e no mundo. E nós continuamos insistindo na luta desesperada pelo progresso e desenvolvimento, tendo o lucro, a fama, as riquezas e o poder como únicos objetivos da vida.

 

PISAR O CHÃO INACESSÍVEL - Um aperto de mãos, um abraço, uma palavra, fazem fluir fogos esperança nos corações, como na sístole e na diástole. Os homens não aprenderam a viver, conviver, sobreviver com as diferenças, com as adversidades, com os nãos, com os senões. As crianças têm muitas coisas para ensinar os adultos, porque sem influência social e malévola dos adultos brincam, convivem em harmonia e tranquilidade com todos os seres humanos e não humanos, como animais.

 

SONHAR MAIS UM SONHO IMPOSSÍVEL - O interessante é que a sociedade não vê, nem percebe as crianças como mestres e sábios, mas como alguém que tudo tem de aprender, porque nada têm em seu íntimo. Essa visão já está ultrapassada há muito. Crianças não é um caderno em branco que aos poucos as pessoas vão escrevendo nele. Já nascem com o caderno inteirinho escrito. A vida somente acrescenta novas folhas e páginas, capítulos e exemplares. As crianças são sempre um provir e porvir, um devenir e um devir, um futuro e um vir-a-ser. Por isso também não é um adulto em miniatura. Uma criança tem vida própria.

 

SANGRAR OS MARES - Educar uma criança não é prepara-la ou treiná-la para a vida adulta. Viver será sempre um aprendizado. A gente aprende a ser cristão, a ser brasileiro, a ser cidadão, a ser respeitoso, mas também aprende a ser ladrão, a ser bandido, a ser corrupto. A infância é, sem dúvida, a consolidação dos papeis que assumirá na sociedade, estabelecendo relações consigo mesma, com as outras pessoas, com todos os seres vivos e não vivos, com Deus. É momento de semeadura. Os frutos serão colhidos depois.

 

VOAR NUM LIMITE IMPROVÁVEL - Somos seres incompletos, mas cheios de si mesmos. Talvez, os adultos saibam mais coisas do que as crianças – o que não significa que as crianças nada saibam. Sabem coisas diferentes, bem diferentes das dos adultos. Essa divisão da vida em etapas: infância, adolescência, juventude, maturidade, é muito mais didática do que verdadeira, facilitando a organização do ensino em fases: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Superior. Tudo isso foi sendo construído por nossa sociedade ocidental. “Você é criança e não pode participar da vida dos adultos!”

 

NEGAR QUANDO A REGRA É VENDER - Nosso governo, infelizmente, está muito mais preocupado com a Educação Superior, cujos investimentos são infinitamente maiores. A psicologia e a pedagogia, possivelmente, restringem o campo de análises sobre a infância e as crianças, sem se preocupar, por exemplo, como elas vivem, como veem e pensam o mundo com todos os seres. Para alguns povos, principalmente indígenas e primitivos chamados de “não-civilizados” uma criança continua criança até o dia de ter seus próprios filhos – o que traz uma visão diferente de família.

 

ROMPER A INCABÍVEL PRISÃO - Semelhantemente a noção que temos quando chamamos a Deus de Pai, algumas tribos indígenas brasileiras organizaram assim a família: a mulher tem liberdade total e absoluta de escolher um parceiro saudável, jovem, forte, tesudo, reprodutor para lhe dar a chance de ser mãe. Esse parceiro só serve para isso, para mais nada (seleção genética natural). Nascido o filho, a mulher torna-se mãe e aí escolhe um Pai (um homem bom, verdadeiro, virtuoso) independentemente de ser o pai biológico.

 

SOFRER A TORTURA IMPLACÁVEL - Para esse homem é uma honra e glória – das maiores – de ser Pai. Os antropólogos encontraram um índio com 52 filhos e nenhum deles era seu filho biológico. Os 52 vivem, convivem como se todos fossem irmãos. Claro, são irmãos de um mesmo pai e com diferentes mães. Observemos a simplicidade da composição da família: mãe, pai, filhos e irmãos. Não existe sogra, sogro, tios, primos, cunhados, concunhados, sobrinhos... Deus é o único Pai, porque somos todos irmãos e mães diferentes.

 

QUANTAS GUERRAS TEREI QUE VENCER - O nosso grande problema é que gostamos pouco de gente, de crianças. Gente, principalmente crianças, é fonte de energia e poucos percebem e sentem isso. A história de cada um e de todos juntos é que nos impulsionam mais para frente, fazendo-nos ainda acreditar no ser humano. Muitos homens do poder se esquecem e fazem questão de esquecer-se da história encarnada, no tempo e no espaço, das pessoas – seus irmãos. Porque não gostamos de gente, criamos os nossos muitíssimos preconceitos raciais, econômicos, de classe, de gênero, de religião, de raça.

 

POR UM POUCO DE AMOR - Prefiro a fraternidade ao desenvolvimento a toda prova. Prefiro o Pai único ao sacrifício de muitos irmãos. Prefiro até a pobreza à desgraça do progresso desumano que desemprega, que esmaga, que leva muitos ao desespero, à desesperança. Prefiro até a miséria às leis do liberalismo em que Deus é o mercado em que tudo vira mercadoria, até o amor e perdão, compaixão e piedade, harmonia e virtude.

 

POR UM POUCO DE PAZ - As reformas, ditas necessárias, trabalhista e da previdência eliminar, desprezam a história de muitas pessoas, anulam as experiências pessoais e coletivas do povo brasileiro, apagam o nosso passado de conquistas e luta. Estão nos impondo as ideias de necessidades de reformas. Que se reformem os corações e as mentes, as ideias e ideais, a utopia e os sonhos. As pessoas-coisas estão sendo reduzidas a números e estatísticas.

 

POR UM POUCO DE VIDA - Não sou a favor, em hipótese nenhuma, de violência, mas sou tentado a vibrar de satisfação com os muitos hackers criadores de vírus cibernéticos, provando que a prepotência, arrogância, poderio e domínio de alguns poucos são ineficazes diante de alguma inteligência, mesmo que bem pequena. Situação semelhante a de um vírus qualquer, uma bactéria qualquer da natureza. Tamanha arrogância humana se prostra diante de um mosquitinho qualquer! Tamanha prepotência se ajoelha diante de uma bactéria qualquer!