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Em Questão

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Décio Bragança 10/07/2017
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

EM QUESTÃO

Professor Décio Bragança Silva

decio.braganca@uniube.br

 

Não, não sei se é um truque banal - A economia nasceu para servir a política. O que vemos é a política a serviço da economia. Bem comum, bem-estar social, educação, saúde, segurança são palavras que não fazem parte numa sociedade de mercado. Os ideólogos da economia de mercado avançam a passos largos, fazendo um verdadeiro desmonte da economia do país. Em 2018, com a eleição de um novo presidente, o Brasil estará bem pior no sentido social e bem-estar.

 

Se um invisível cordão sustenta a vida real - Este “novo” projeto Brasil, ora sendo implantado, não pensa nem pensará nas pessoas que têm direitos, especialmente os trabalhistas e previdenciários, conquistados com muito suor, sangue e lágrimas. O mercado em lugar algum do mundo quer controle e interferência do Estado. Nesse clima, quem mais vai lucrar são os reguladores do mercado, dentre eles os bancos e as seguradoras com a previdência privada. A proposta não foi aprovada ainda e já uma corrida aos bancos para se fazer uma previdência privada.

 

Cordas de uma orquestra, sombras de um artista - Resistir é preciso! Navegar contra a correnteza é preciso! As manifestações contra essas reformas ainda são muito tímidas. Tenho medo de que quando acordarmos já será tarde demais. Isso justifica a pressa da Câmara e do Senado em aprovarem essas reformas, sem discussões com a população. Governo existe para as pessoas. Caso o governo não possa prestar bons serviços à população, formulando políticas públicas realmente de interesse de todos indistintamente, não tem sentido existir. E assim voltaremos ao “cada um por si” – barbárie total e absoluta. E assim voltaremos ao “olho por olho e dente por dente” – violência total e absoluta.

 

Palcos de um planeta e as dançarinas no grande final - Fratura exposta nos meios políticos não está sendo tratada como deveria. As feridas avançam pelo corpo inteiro. A gangrena não tem soluções. Será preciso amputar membros e órgãos. O interessante é que quem sofre as dores é o povo brasileiro. Se há 15 milhões de desempregados, há quase 50 milhões de brasileiros passando por alguma dificuldade. Infelizmente, muitos ainda argumentam que está havendo uma melhora econômica. De quem? Para quem? Melhora econômica para o povo significa receber bons serviços de saúde, de educação, de alimentação, de moradia, de segurança.

 

Chove tanta flor que sem refletir - E o futuro? Resistir é preciso! Não queremos só melhora econômica. Queremos bem-estar e prazer, alegria e acesso aos serviços de boa qualidade – direitos de todos! Todos nós assistimos aos noticiários com a satisfação de punição aos culpados. E o que resolve? Não é que quero impunidade. Quero projetos políticos! Os crimes sem sangue – corrupção, roubo do dinheiro público – são muitas vezes mais graves, porque matam, desamparam a milhões de brasileiros. Justiça não é feita de vingança e ódio, mas de verdade e objetividade. Os desmandos da vida pública atendem sempre aos interesses e intenções de alguns pouquíssimos. Em política, tudo é uma grande farsa, uma grande mentira!

 

Um ardoroso espectador vira colibri - O fato é que a inflação, o fechamento de muitas empresas, altos impostos, o desemprego e a perda de renda trazem consequências desastrosas a todos e a cada brasileiro. Um presidente se mantém no poder enquanto tiver maioria no congresso. Na realidade, quem governa é o parlamento num regime presidencialista. O melhor de todos os presidentes não se mantém no poder se não tiver maioria dos parlamentares de todos os partidos. No fundo, não existe nem situação nem oposição. Cada um tem um preço. Aí nasce a corrupção, atenção muito especial aos interesses empresariais, os marqueteiros, os mensalões, os mensalinhos, as messalinas, as propinas, os caixas-dois, as falcatruas na calada das noites. Ganha-se mais, muito mais, nessas negociações do que com os salários.

 

Qual não sei se é nova ilusão - O interesse público não importa. Importam os lucros e os ganhos. A corrupção é uma prática generalizada, universal e sem limites. Fala-se em milhões de reais como se fosse uma migalha, uma esmola, um dinheirinho qualquer. Fala-se em 25% do PIB – Produto Interno Bruto – internacional em paraísos fiscais – sonegação de impostos, além da evasão fiscal. Isso para dizer que corrupção não é exclusividade brasileira. Democracia é também o controle políticos de ganhos e lucros das empresas – o que provoca ódio e desejo de vingança dos empresários que exigem a não interferência ou intervenção do Estado. A Política não pode nem deve ser escrava da Economia.

 

Se após o salto mortal existe outra encarnação - Já que a economia está globalizada, as grandes corporações multi, inter, transnacionais – e como é grande a voracidade e ambição dessas corporações! – é que controlam praticamente os governos e os Estados. O impeachment da Dona Dilma – não acredito que seja santa – e a desmoralização do PT – não acredito que seja santo – têm a ver, sim, com essa orquestração internacional que quer controlar o mundo e as pessoas deste mundo. Querem, sim, ser donos do mundo e das pessoas. O Presidente Temer, com todas as suas propostas de reformas, nesse sentido, é uma marionete, um joguete nas mãos dessas corporações. Fala-se que 70% do Congresso Nacional tiveram apoio, declarado ou não, de grupos econômicos que investiram 5 bilhões de reais.

 

Membros de um elenco, malas de um destino - Eleições são investimentos? Claro que não. A democracia não pode nem deve ser controlada por grupos econômicos, mas por políticos eleitos pelo povo para representá-lo. Cada vez mais tenho horror e nojo da Economia e dos economistas. Os deputados e senadores nada propõem. Apenas cumprem ordens, já que estão no Congresso porque foram “financiados”. Não sabem o que é de interesse público, bem-estar das pessoas. Nossas instituições foram, são e serão – pelo menos por algum tempo – capturadas pelo poder econômico. Fala-se que há no mundo apenas 4 – quatro – corporações que dominam e controlam a indústria alimentícia. Em outras palavras, comemos o que nos é oferecido e nunca o que queremos. Resistir é preciso! Só poderão existir direitos sociais com e na democracia.