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Em Questão

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Décio Bragança 30/03/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Professor Décio Bragança Silva

decio.braganca@uniube.br

 

Campanha - O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é: Fraternidade e Tráfico Humano. Todas as vezes em que se fala em tráfico, pensamos em drogas, artigos do Paraguai e da China. Existe um mercado em expansão chamado Tráfico de órgãos humanos. Claro, quanta violência e quanta corrupção. É uma tragédia silenciosa e pouco divulgada pelos meios de comunicação. Todos nós já ouvimos falar de “boa noite, Cinderela”. Os traficantes de órgãos costumam frequentar boates, noitadas de jovens. Uma moça, por exemplo, se levanta e vai ao banheiro. O traficante joga em seu copo um sonífero e, claro, a moça adormece. É levada para uma banheira cheia de gelo e lhe tiram algum órgão. Deixam ali a moça sangrando e em agonia. Algumas sobrevivem, outras morrem ali mesmo.

 

Doação - O interessante disso tudo é que um órgão pode ser doado. Doado, caso seja desejo expresso do paciente e/ou de seus familiares. Um órgão tem sido a sobrevida de muitas pessoas. Um órgão doado tem salvado a vida de muitos. Mas, será que existe controle sério nesse processo de doação, já que o Brasil vive e sobrevive de corrupção? Essa maldade e violência não fazem parte da natureza humana? Vivemos num mundo onde tudo tem um preço. É aquela história de Proposta Indecente. “Eu vendo nada que é meu: nem meu corpo nem minha alma.” Mas e se eu lhe oferecer, por exemplo, um milhão de dólares? “Nesse caso, eu vou pensar”.

 

Proposta - Pois é, é assim que acontece: dependendo do valor que mal tem! Muitos vendem o próprio cabelo e questionam: que mal tem? Somado a isso vem a ganância humana que é um saco sem fundo. Há casos em que pais vendem um rim de seu filho, já que se pode viver com apenas um rim. O dinheiro é para a sobrevivência da família. Que absurdo! Dizem que esse será fatalmente o maior crime do século XXI. “Meu corpo vale uma fortuna!” então, por que não vendê-lo, se um dia será enterrado ou cremado ou jogado às traças? Enquanto vivo, quero dinheiro, muito dinheiro para viver da melhor maneira possível: consumindo, comprando. Pior ainda, esse crime acontece em todos os países.

 

Controle - A incidência maior, claro, acontece nos países de maiores facilidades, de baixa fiscalização e investigação, corrupção das polícias de fronteiras, ausências de leis mais rigorosas. A própria OMS – Organização Mundial de Saúde – afirma que 5% dos transplantes no mundo inteiro são frutos de tráfico. Fala-se em até 200 mil transplantes no mundo inteiro: 5% são 40 mil órgãos traficados. E as autoridades fecham os olhos. Os meios de comunicação do mundo inteiro dão pouco espaço para esse tipo de denúncia, porque envolve grandes “investidores” que têm uma estrutura invejável, altamente inteligente e organizada – o que dificulta qualquer investigação.

 

Por que não aproveitar os órgãos dos condenados à morte? - Alguns países que têm a pena de morte são os maiores traficantes. Os políticos e essa quadrilha altamente organizada, na China, por exemplo, negociam os órgãos dos condenados à morte. Alguns dizem que aquele indivíduo vai ser morto mesmo, por que não aproveitar os seus órgãos? Quanta insensatez e mediocridade! Quanta ganância e safadeza! No Brasil, deve acontecer situações diferentes. A própria Secretaria de Direitos Humanos, ligada diretamente à Presidência da República, não cita em nenhum momento o tráfico de órgãos como violação dos direitos humanos.

 

Uma história - Há casos famosos de tráfico de órgãos, mas muito pouco divulgados e discutidos pela sociedade. É o caso do menino Paulo Veronesi Pavesi. O menino brincava num playground, caiu e sofreu morte encefálica. A família resolveu doar os órgãos do menino. Seu pai desconfiou dos procedimentos realizados no hospital e buscou investigar, por conta própria, a sorte dos órgãos de seu filho. Veja essa entrevista em http://ppavesi. Blogspot.com.br e tire as suas conclusões. Esse pai escreveu também um livro que vale a pena ser lido: Tráfico de órgãos – o que a máfia não quer que você saiba”. No caso desse menino, porque é de família importante e influente, os médicos foram condenados pela justiça e estão presos, mas foram absolvidos de Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais.

 

Quem dá mais? - Muitos órgãos humanos são descartáveis. Quanto vale um rim? Quanto vale um coração? Quanto vale uma córnea? Quanto vale um fígado? Quanto vale um corpo humano? Quanto pode valer um corpo ou um pedaço dele? É crime para quem vende e para quem compra. A própria OMS tem alguns dados arrepiantes: são feitos 22 mil transplantes de fígado, 66 mil transplantes de rim, 6 mil de coração. Desses 5% usam órgãos traficados, movimentando um mercado estimado de UM BILHÃO E DUZENTOS MILHÕES DE DÓLARES. E de onde  vêm esses órgãos? Claro dos países mais pobres e sem fiscalização. Os próprios “pobres” se apresentam ou apresentam seus familiares para a retirada e venda de um órgão seu, por um punhado, um punhadinho de dólares. Isso é mutilação!

 

Denunciar a quem? - Há muitas denúncias que não são levadas a sério de que uma retirada de parte do fígado, ou do intestino exige muita habilidade de cirurgiões. Claro, muitas dessas cirurgias são improvisadas e por isso muitas vezes o doador morre. O problema é que uma cirurgia e transplante de rim não são assim tão complexos, facilitando o tráfico de rim. Os principais “exportadores” de rim são a Índia e Paquistão, segundo a OMS. Fala-se que só nesses dois países não traficados mais de 4 mil rins. Fala-se até em Turismo de Transplantes. Quanta falta de escrúpulos! O doador na Índia “recebe” mil dólares por um rim, mas o rim é vendido por 20 mil dólares; em Israel, ao doador cabe mil dólares, mas seu rim vale 160 mil dólares.

 

Que que tem? - No ano de 2005, a China “vendeu” 12 mil rins e 900 fígados de condenados à morte. Os órgãos foram vendidos a outros chineses e aos turistas de órgãos: um rim lá custa 60 mil dólares; um pâncreas, um coração, um pulmão valem 250 mil dólares. Quantos demônios! A China, depois de 2005, não permite mais a divulgação de dados. Quanto sadismo! O interessante é que lá fizeram uma lei proibindo tal prática. Só que essa lei entra em vigor em 2020. No Irã, um rim vale 10 mil dólares para o “doador”. E no Brasil? Veja em vários blogs, brasileiros que dão endereço e telefones oferecendo-se para vender seus órgãos. Você vai se assustar.