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Em Questão

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Décio Bragança 13/04/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Semana Santa

 A questão do tráfico humano – tema da Campanha da Fraternidade – realmente, é um assunto fascinante. A exploração do trabalho infantil é também considerada tráfico humano: crianças que poderiam estar aqui, estão, porque foram traficadas para aqui. Fala-se em mais de 250 milhões de crianças, com idade entre 5 e 14 anos, que são obrigadas a trabalhar: estão onde não deveriam estar. Isso é exploração infantil. Num mundo globalizado em que é garantido a livre circulação de capitais, de mercadorias, de indústrias, por não também a livre circulação de pessoas, no sentido de exploração? Nesse mundo globalizado, busca-se maiores lucros com menores investimentos e baixo custo da força de trabalho. Como as crianças “recebem” bem menos do que os adultos, o universo infantil é um bom filão. Na realidade, são crianças-escravas.

Crianças

 O trabalho e tráfico de crianças-escravas viram manchetes em todos os jornais do mundo. A UNICEF, sem poder de legislar, mas somente de sugerir e denunciar, fala de 120 mil crianças-escravas nos EUA, 200 mil na Espanha, 400 mil na Itália, 2 milhões na Grã-Bretanha. Isso para dizer que essa escravidão não acontece apenas nos países pobres e miseráveis, como são denunciados os da África. O tráfico de crianças e adolescentes – venda e compra – 700 mil crianças e adolescentes para o mercado sexual – é um fato incontestável.

UNICEF

 Em 2002, na Reunião de Cúpula Mundial pela Infância, diante de 500 crianças de mais de 100 países, o secretário-geral da ONU de então abriu a reunião afirmando: “Desgraçadamente, fracassamos em proteger os direitos fundamentais das crianças.”  Além disso, 100 milhões de crianças não vão à escola; 11 milhões morrem com menos de cinco anos; 1 milhão vivem sem os pais, ou porque morreram, ou porque foram abandonadas; 300 mil participam como soldados nas muitas guerras espalhadas pelo mundo; 2 milhões foram massacradas em guerras civis nos últimos anos; 6 milhões foram feridas e/ou mutiladas nas mesmas guerras; 12 milhões sem ter para onde ir; 20 milhões expulsas de suas casas. Um quadro terrível de abandono por que passam as crianças! Quanta tristeza!

Fala, criança! - Lembremo-nos da fala da menina boliviana, Gabriela Azurdy, 13 anos, na ONU, diante de 70 chefes de Estado e centenas de Ministros de 189 países: "Nós somos vítimas de explorações e abusos de todo tipo, somos os meninos de rua, somos os filhos da guerra, somos os órfãos da AIDS, somos as vítimas e nossas vozes não são ouvidas. É preciso por um fim a isso! Queremos um mundo que seja digno de nós!"

Vale a pena

Alguns filmes importantes para você assistir neste momento de reflexão: tráfico humano, venda de órgãos, experiências científicas com o corpo humano, genoma, mapeamento genético: A ilha / Invasão do mundo / Super 8 / Não me abandone jamais / Expresso do amanhã / Paparazzi / Repo Man – o Resgaste de órgãos / Eu sou o número 4 / Admirável mundo novo / Manipulador de cérebros / Cobaias / O jardineiro fiel / O homem sem sombra / Banshee Chapter / Cobaia / Minority Report – A nova lei / O preço do amanhã / Força G ... Para você que tem computador, você poderá assistir a eles gratuitamente, no site – www.filmesonlinegratis.net.

Comércio

 Em tempos de guerra, e sempre está acontecendo alguma guerra em algum lugar do mundo, muitos experimentos são realizados, principalmente com os prisioneiros de guerra. Existem ainda muitos Hitler’s! Hitler não morreu! Basta observarmos a guerra do Vietnã, de Kosovo, do Iraque e tantas outras iguais. Nas guerras muitos corpos são considerados desaparecidos. Como é possível um corpo desaparecer? Em Kosovo, há um cirurgião, Yssuf Erçin Sönmez, conhecido por “Doutor Abutre”, que sem escrúpulos faz tráfico de órgãos saudáveis, principalmente para os israelenses. O cirurgião, hoje foragido, sempre alega que os órgãos são de voluntários. Junto com o tráfico, outros crimes como extorsão, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, corrupção, propinas são cometidos.

Resistir

 Governos do mundo inteiro com a sociedade civil organizada, forças de repressão e juristas têm de trabalhar de maneira integrada para banir de vez o tráfico de órgãos, mercado cada vez mais avantajado. Aliciador e traficante têm de ser punidos com mais rigor, já que a vítima e a família da vítima têm medo de represália, de retaliação, vivendo numa vulnerabilidade econômica e social. Em outras palavras, esses pobres coitados, aliciados, agenciados, ameaçados, coagidos se permitem ser explorados pela ganância de alguns poucos. Além do tráfico de órgãos, a exploração sexual, trabalho escravo, trabalho infantil, adoção ilegal facilitada. Tudo isso acontece ao mesmo tempo. As autoridades fecham os olhos aos abutres como avestruzes.

Ciência

 Sem dúvida, a medicina de transplantes prova o avanço inimaginável da ciência de salvar vidas. Nesse sentido, a doação tem de ser incentivada porque há uma escassez de órgãos para serem transplantados. E por isso quem tem dinheiro compra órgãos para lhe garantir uma vida mais longa, ou até uma nova vida. Não é assim tão fácil fazer o tráfico de órgãos, porque exige em primeiro lugar um doador involuntário ou voluntário que vende órgãos, um aliciador competente, um médico-cirurgião competentíssimo, uma sala de cirurgias e o receptor tem de estar o mais próximo possível. Isso é o mínimo. E tudo isso tem de ser mantido no mais absoluto sigilo. É uma atividade altamente tentadora já que corre muito dinheiro. Porque uma atividade criminosa, a coleta de dados torna-se muito mais difícil e desafiadora. 

Campanha

 Durante o lançamento da Campanha da Fraternidade deste ano, o presidente da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Dom Raymundo Damasceno afirmou: “Toa a comunidade católica precisa se mobilizar para combater o tráfico humano. A Igreja não pode ficar imóvel diante desse problema tão grave, movido por quatro fontes de lucro ilícito: a exploração sexual, que atinge as mulheres e crianças; o trabalho escravo, que atinge os homens, mas também lança mão de crianças; o tráfico de órgãos para transplantes, promovido por sequestros e até mesmo assassinatos; e a adoção ilegal de crianças, que são roubadas de seus pais". O Papa Francisco pediu aos brasileiros que se mobilizem contra o tráfico humano.