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Décio Bragança 31/03/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
"Cuidar do Universo"

O clima da Terra, segundo os menos instruídos, está doido. Alguns chegam a afirmar que o fim do mundo está próximo. Eu acredito que o que está doido são as formas como tratamos os homens, todos os seres vivos e não-vivos. O que está doido são as nossas relações sociais, políticas, econômicas. O que está doido é esse jogo de interesses e intenções das nações, levando, por exemplo mais de um bilhão de pessoas à fome, à pobreza e à miséria. Insistimos em não aprender as lições da natureza. O clima da Terra se modifica, sim. A título de exemplificação: em ciclos que variam de 100 mil a 413 mil anos, a órbita da Terra de elíptica passa para quase circular; em ciclos de 41 mil anos, a inclinação do eixo da Terra em relação ao Sol varia entre 22,1° a 25,5°; em ciclos de 23 mil anos, acontece a precessão - movimento para trás da Terra em relação ao Sol... Tudo isso provoca alterações significativas no clima da Terra, porque também modifica a incidência da radiação solar sobre a superfície da Terra.

"Cuidar do Planeta" 
Se voltarmos no tempo, a loucura humana - de todos os homens em todos os tempos e em todos os lugares - começa, quando o homem, há 400 mil anos, domina o fogo, aprende a fazer fogo. A partir daí, só dióxido de carbono que, quando retido e concentrado nos oceanos, as temperaturas da terra caem, mas, quando concentrado na superfície da Terra, as temperaturas aumentam, liberando o dióxido de carbono dos oceanos, aumenta esse gás na atmosfera - efeito estufa - fenômeno natural que mantém o aquecimento do planeta necessário à preservação da vida. A estufa protege a Terra, segurando os gases atmosféricos importantes como nitrogênio, oxigênio, carbono, vapores de água... Só que segura também na atmosfera gases não desejáveis como dióxido de carbono, metano, óxido nitroso... produzidos pelas indústrias, queimadas, fumaça dos automóveis e máquinas e também, naturalmente, pelas erupções vulcânicas. Mas o homem insiste em não aprender as lições da natureza. 

"Cuidar da Natureza"
Os governos, por exemplo, insistem na isenção de impostos dos automóveis que tomaram o lugar dos homens nas cidades. Há cidades com um automóvel para dois habitantes. Um absurdo? Talvez. Ninguém sabe mais o que fazer com tanto lixo de todas as espécies: pilhas de aparelhos, restos de computadores, sem falar do lixo atômico, além do lixo doméstico. Por que consumimos tanto? Por que desperdiçamos tanto? Por que produzimos tanto lixo? Além das tragédias ditas naturais, há outras tantas provocadas pelos homens, como uma guerra, sem motivo, mas motivadas pela ganância - um saco sem fundo. Guerra pelo petróleo para que se produza mais dióxido de carbono, mais poluição no planeta, mais lucros para os donos do mundo. O planeta não suporta tantos desaforos! Parece quase que uma vingança! O mais impressionante disso tudo é que os homens não se sentem culpados. Sempre criam uma desculpa para seus atos. Os animais, coitados!, sempre serão os nossos vilões. Na metáfora da criação do mundo, o pecado de Adão e Eva é atribuído à cobra, à serpente, à víbora. A culpa foi da cobra! Atualmente, fala-se em gripe suína (a culpa é dos porcos!), febre aviária (a culpa é dos frangos!), a vaca louca (a culpa é das vacas!), a gonorreia (a culpa é das cadelas!), a  Aids (a culpa é dos macacos!), a leptospirose (a culpa dos ratos), a dengue (a culpa é dos mosquitos!) e tantos outros culpados.

"Cuidar da Humanidade"
Os gregos, depois os romanos, foram mais audazes e espertos. Criaram deuses para cada atividade humana: deus do amor, deus da sacanagem, deus do vinho, deus da guerra, deus do ódio, deus da vingança, deus da destruição... e tudo que os homens fizessem a culpa era dos deuses, ou inspirados por esses deuses. Nós, ocidentais, frutos de uma cultura greco-romano-judaico-cristã, criamos os demônios, os capetas, os diabos, os espíritos de porco, os espíritos obsessores... Não raras vezes ouvimos bandidos, ladrões, estupradores, pedófilos afirmarem que não se lembram de nada, que estavam fora de si, que não sabem como tudo aconteceu, que foi o capeta! Muitos consideram que a maior tragédia da humanidade foi o famoso 11 de setembro, quando foram destruídas as não menos famosas torres de Nova Iorque. Quantas pessoas morreram? O tsunami de dezembro de 2004 deixou 200.000 mortos; 80.000 casas, 156 escolas e 68 hospitais destruídos. A tragédia de 2004 provocou uma solidariedade inter-nacional nunca vista anteriormente. Soldados trocaram armas por remédios e água. Políticos tornaram-se bombeiros, pedreiros, tratoristas, enfermeiros. 

"Cuidar dos outros"
Uma lição nos resta: somos vulneráveis, somos pequenos demais e pensávamos saber tudo e dominar tudo. Muitas tragédias podem ser previstas e outras, não. O Natal de 2004 foi surpreendente, ninguém previu ou anteviu os acontecimentos tão trágicos. O mais interessante foi o que aconteceu com os animais. Os animais foram para os lugares mais altos, horas antes. Praticamente nenhum animal morreu, a não ser aqueles que estavam presos. Por que isso? O instinto de preservação e conservação dos animais é ainda muito aguçado, quando não domesticados. Domesticar animais é fazê-los parecer com os humanos! A domesticação dos animais tira-lhes esses instintos, já que "se sentem" protegidos pelos homens. Quando esses instintos não dependem dos outros, tornam-se mais apurados, acurados, aguçados. Há relatos impressionantes de elefantes que eram usados no transporte, inclusive das pessoas, naquele dia, não "obedeceram" às ordens de seus donos, arrastando e puxando muitos turistas para as montanhas. Isso assustou a muitos porque "acharam" que os elefantes estavam doidos! Os elefantes previram o tsunami. Os pássaros previram o tsunami e os homens, com a mais alta tecnologia, não o previram. 

"Cuidar de si mesmo"
Os instintos são mais importantes do que a inteligência e todas as tecnologias juntas. Os sismos não nos pedem licença. O 11 de setembro, o 26 de dezembro, o 11 de março, os muitos deslizamentos de terra aqui, no Brasil, ainda os muitos protestos nos países do norte da África são avisos de tantas outras tragédias, caso não nos cuidemos e não cuidemos do Planeta!  Num regime presidencialista, um impõe seus sentimentos e interesses, suas emoções e intenções, seus projetos a milhões que acreditam na participação das decisões. Não se trata somente de trocar de pessoas do poder, mas entender o poder como serviço. Quem tem poder, tem de servir mais e, portanto, tem muito mais responsabilidade. Chega de políticagem e velhacaria e raposice! Contra os pobres e miseráveis, tudo! Até as polícias! Observemos o que aconteceu no Rio de Janeiro. O usuário de drogas não alimenta o tráfico? E por que os usuários não são presos? O governo do Estado de Minas Gerais se orgulha de não ter muitos sequestros, porque todos os sequestradores são tratados à bala. O fato é que os policiais deitam e rolam, rolam e deitam, fazem o que querem com os carentes - o que não significa que não sejam criminosos! Mas, por que só os carentes são perseguidos?