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Em Questão

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Décio Bragança 04/05/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Cantar sempre 
 As coisas nem sempre acontecem como são planejadas. Então, o melhor que se possa ter é a capacidade de re-nascer, re-construir, re-fazer, re-conhecer, re-estudar, re-planejar. Muitas vezes não estamos preparados para a perda, para a derrota, para a queda e nos deixamos ficar à beira da vida, como naquela música de Erasmo e Erasmo Carlos: Sentado à beira do Caminho: 

Sentar e assentar 
 “Eu não posso mais ficar aqui a esperar! / Que um dia de repente você volte para mim... / Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim / Estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim... / Meu olhar se perde na poeira dessa estrada triste onde a tristeza e a saudade de você ainda existe... / Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança de ao menos ver de perto o seu olhar que eu trago na lembrança... / Preciso acabar logo com isso / Preciso lembrar que eu existo / Que eu existo, que eu existo... / Vem a chuva, molha o meu rosto e então eu choro tanto / Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva se confundem com o meu pranto... / Olho pra mim mesmo e procuro e não encontro nada / Sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada... / Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo, tudo se confunde em minha mente / Minha sombra me acompanha e vê que eu estou morrendo lentamente... / Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho, esperando a vida inteira por você, sentado à beira do caminho...”

Chique Chico 
 Ou ainda aquela canção de Chico Buarque de Holanda: Pedro Pedreiro: “Pedro pedreiro penseiro esperando o trem / Manhã parece, carece de esperar também / Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém / Pedro pedreiro fica assim pensando / Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando pra trás / Esperando, esperando, esperando / Esperando o sol, esperando o trem / Esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem / Pedro pedreiro penseiro esperando o trem / Manhã parece, carece de esperar também / Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém / Pedro pedreiro espera o carnaval / E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês / Esperando, esperando, esperando, esperando o sol / Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem / Esperando a festa, esperando a sorte / E a mulher de Pedro, esperando um filho pra esperar também / Pedro pedreiro penseiro esperando o trem / Manhã parece, carece de esperar também / Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém / Pedro pedreiro tá esperando a morte / Ou esperando o dia de voltar pro Norte / Pedro não sabe mas talvez no fundo / Espere alguma coisa mais linda que o mundo / Maior do que o mar, mas pra que sonhar se dá / O desespero de esperar demais / Pedro pedreiro quer voltar atrás / Quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar / Esperando, esperando, esperando / Esperando o sol, esperando o trem / Esperando aumento para o mês que vem / Esperando um filho pra esperar também / Esperando a festa, esperando a sorte / Esperando a morte, esperando o Norte / Esperando o dia de esperar ninguém / Esperando enfim, nada mais além / Da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem / Pedro pedreiro pedreiro esperando / Pedro pedreiro pedreiro esperando / Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem / Que já vem / Que já vem / Que já vem / Que já vem / Que já vem”

Ternura e força 
 A história de todos os líderes é fantástica. Vejamos os exemplos de um Luther King, Gandhi, Mandela, Ho Chi Min, Simon Bolívar, Fidel Castro, Tiradentes, Washington, Mao Tse-Tung, Lenin, Zumbi, Agostinho Neto, Garibaldi... No fundo, todos são visionários, concorde ou não você com suas ideias. Todo líder é empreendedor que traz bem clara e objetivamente respostas às perguntas: o que fazer? Como fazer? A partir daí, a mobilização de pessoas para formar um grupo, uma equipe, uma empresa, uma pesquisa, o fato é que estamos carentes de líderes, que caminham e cantam como naquela canção de Geraldo Vandré.

Fazer a hora 
 “Caminhando e cantando e seguindo a canção / Somos todos iguais, braços dados ou não / Nas escolas, nas ruas, campos, construções / Caminhando e cantando e seguindo a canção / Vem, vamos embora que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora não espera acontecer / Pelos campos há fome em grandes plantações / Pelas ruas marchando indecisos cordões / Ainda fazem da flor seu mais forte refrão e acreditam nas flores / Vencendo o canhão / Há soldados armados amados ou não / Quase todos perdidos de armas na mão / Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição de morrer pela pátria e viver sem razão / Nas escolas, nas ruas, campos, construções / Somos todos soldados armados ou não / Caminhando e cantando e seguindo a canção / Somos todos iguais / Braços dados ou não / Os amores na mente / As flores no chão / A certeza na frente / A história na mão / Caminhando e cantando e seguindo a canção / Aprendendo e ensinando uma nova lição.”

Utopia e paixão 
 Porque estamos copiando músicas, para mim, inclusive se parece muito com o meu estilo e filosofia de vida, é música The impossible dream, do filme Dom Quixote – O Homem de la Mancha. A música tem a tradução de Chico Buarque: “Sonhar / Mais um sonho impossível. Lutar / Quando é fácil ceder. Vencer / O inimigo invencível. Negar / Quando a regra é vender. Sofrer / A tortura implacável. Romper / A incabível prisão. Voar / Num limite improvável. Tocar / O inacessível chão. É minha lei, é minha questão / Virar esse mundo / Cravar esse chão. Não me importa saber / Se é terrível demais / Quantas guerras terei que vencer / Por um pouco de paz. E amanhã, se esse chão que eu beijei / For meu leito e perdão / Vou saber que valeu delirar / E morrer de paixão. E assim, seja lá como for / Vai ter fim a infinita aflição / E o mundo vai ver uma flor / Brotar do impossível chão”.