Busque em todas as seções:
EDIÇÕES ANTERIORES: anteriores

Em Questão

ACESSIBILIDADE: A A A A
Décio Bragança 13/07/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Sem o título - Alguns estudiosos e pesquisadores não se cansam de afirmar que o planeta Terra tem capacidade de produzir alimentos para mais de dez BILHÕES de pessoas, defendendo a tese que a produção de alimentos não pode ser tratada como os outros setores da economia. Praticamente, todos os países do mundo, sem políticas agrícolas, provocaram a expulsão das muitas comunidades rurais que não conseguem concorrer com o agronegócio. Isso não significa somente ser contra o agronegócio, mas criar salvaguardas das comunidades rurais, impedindo de alguma maneira o êxodo para as cidades. Para a indústria não aconteceu nada melhor do que o êxodo rural. Por isso, as cidades estão cada vez mais inchadas, com muito mais habitantes de sua capacidade de manter os serviços públicos com qualidade. 

Sem a Copa - Sem tecnologia e sem investimentos é impossível os pequenos agricultores viverem e sobreviverem de seu trabalho. Com certeza, as leis de mercado – oferta e procura – nunca darão ou proporão essas salvaguardas. Daí, a urgência de interferência dos Estados. A permanência das pessoas na zona rural é fundamental para, no mínimo, a preservação do ambiente. Nas cidades, as grandes obras, o alto teor de poluição, por causa da emissão de gases, a desertificação e o aquecimento global, a exploração de trabalhadores com baixos salários, as periferias infestadas de doenças e drogas, por falta de infraestrutura básica, o desaparecimento das matas e das florestas. É preciso fixar o homem à terra. Se os países num acordo utópico internacional pudessem garantir a paz, ou simplesmente cumprirem os acordos internacionais já assinados, possivelmente todos os países seriam autossuficientes na produção de alimentos.

Sem a Fifa - Acredito ainda que o pior que aconteceu e está acontecendo foi a mundialização do comércio acompanhada de uma uniformização de produtos alimentares. A diversidade de alimentos dos países aos poucos vai cedendo espaço para as grandes corporações padronizando gostos, temperos e sabores. Com isso, muitos agricultores foram também perdendo sua capacidade de produzir os próprios alimentos – o que é desesperador. Vejamos, pior exemplo, o leite de caixinha. Todos os leites são absolutamente iguais, porque todos passam pelos mesmos processos internacionais de industrialização. Paralelamente a isso, vem a ANVISA e proíbe a comercialização do leite in natura. Coitado do produtor de leite! Sem alternativa, fornece sua matéria-prima a grandes cooperativas e/ou corporações, normalmente anônimas. O que é bom para os americanos necessariamente não tem de ser bom para os iranianos, brasileiros ou japoneses. 

Sem a CBF - Os nutricionistas sempre defenderam a ideia da ingestão de alimentos crus, bem lavados. Só seriam cozidos caso não fosse possível. Pois é! Praticamente, hoje, ingerimos somente alimentos cozidos e semi-prontos, ou industrializados que também passam por um processo de cozimento. O argumento é que ninguém tem mais tempo para “perder” preparando os alimentos. Aí o sucesso do fast-food. Vale ressaltar que os alimentos industrializados têm um prazo de validade bem maior do que os “in natura”. Lembram-se do leite? Inicialmente, o leite era entregue em garrafas nas casas das pessoas e tinha 1 dia de validade; depois, passou a ser vendido nos supermercados em sacos plásticos e tinha 3 dias de validade; hoje, em caixinhas “mágicas” e tem 200 dias de validade. Isso para dizer como a indústria facilitou a vida das pessoas, principalmente nas cidades grandes. 

Sem a Fan Fest - Sempre é bom a gente pensar nos benefícios/facilidades e nos malefícios/doenças de todas as coisas. Esse aumento do tempo de uso dos alimentos – validade – foi alcançado usando vários aditivos químicos, claro. Aí vem a pergunta: e esses aditivos fazem bem à saúde? Por princípio, dizem que depende da frequência de ingestão desses aditivos. “Nem tudo que reluz é ouro” – “Nem tudo que parece bom, é bom” – “Nem tudo que parece ruim, é ruim”. Há leis que exigem a discriminação desses produtos nos rótulos dos alimentos. Nós, consumidores, temos o costume de ler rótulos? E o que está escrito nos rótulos é facilmente inteligível?  Preferimos comprá-los e consumi-los pela aparência. Aí entram novamente os marqueteiros, os publicitários, os designers. “Se determinado produto tem boa aparência, um aspecto saudável, deve ser muito bom”. 

Sem os pênaltis - A título de ilustração, uma pequena relação de produtos químicos encontrados nos alimentos industrializados: corantes, aromatizantes ou flavorizantes, conservantes, antioxidantes, estabilizantes, acidulantes, umectantes, anti-umectantes, edulcorantes. E para que servem? Ora, os corantes para colorir os alimentos, dando às massas, biscoitos, bebida, gelatinas, sorvetes, margarinas uma aparência de algo saudável e bom. Os corantes naturais são identificados assim: C1 e os artificiais, C2. Os aromatizantes dão gosto e sabor, aroma e cheiro aos alimentos para parecerem “naturais”. Imaginemos um salgado feito de fubá. Muitos consumidores não o comprariam; então, a indústria “bolou” esse mesmo salgadinho com sabor e cheiro de bacon, de picanha, de alho, de cebola, de presunto, de muçarela, de presunto, de churrasco. E assim é vendido fubá com e para todos os gostos. Somos enganados, porque estamos comendo fubá – e da pior qualidade possível. 

Sem o Filipão - A indústria nos engana. Os conservantes são identificados com a letra F. Os conservantes não melhoram nem aparência nem o gosto, mas evitam a ação de micróbios, bactérias e de todos os microorganismos, dando aos alimentos uma maior vida útil. Assim, podem ser estocados e comercializados na hora e dia de melhores preços, claro, aumentando os lucros. Encontramos nas prateleiras os códigos: conservantes P1 – P3 – P6 – P10 (variação de 1 a 10). E o que é isso? Junto com os conservantes, usam os antioxidantes evitando aquilo que comumente chamamos de “ranço”, de alimento rançoso, mantendo as mesmas condições dos alimentos como se feitos naquele momento. Os estabilizantes são usados para estabilizar as proteínas dos alimentos. Também aparecem nos rótulos. Assim: ET1 – ET4 – ET8 – ET15 – ET25 – ET29 (variação de 1 a 29). E o que é isso? Os acidulantes imitam o sabor de muitas frutas, do açúcar, a acidez. É usado principalmente nos refrigerantes. São identificados com a letra H. Os espessantes dão consistência aos alimentos e são identificados com as letras EP. Os umectantes impedem o ressecamento dos alimentos e são identificados com a letra U. Os anti-umectantes evitam a absorção da umidade e são identificados com as letras AU. Os edulcorantes substituem o açúcar e são identificados com a letra D. 

Sem a humilhação - Em linguagem bem popular é dito que a diferença entre um veneno e um medicamento é a sua dosagem. Sobre esses aditivos químicos podemos dizer a mesma coisa: estamos comendo e bebendo venenos em pequenas doses. Será que esses “venenos” não se acumulam no organismo ou são eliminados nas fezes, no suor, na urina? Os nitridos e os nitratos, usados principalmente nos conservantes são comprovadamente carcinogênicos, além de alergias, distúrbios e disfunções digestivas, metabólicas e neurológicas. O glutamato monossódico realça ou reforça o sabor dos alimentos que podem ser carcinogênicos (sem comprovação científica). A indústria de alimentos, além de todos esses males, é ainda um dos gigantes monstruosos que baforam gases relacionados ao efeito-estufa. Praticamente são só dez corporações da indústria alimentícia no mundo: Associated British Foods, Coca-Cola, Danone, General Mills, Kelloggs, Mars, Mondelez International, Nestlé, PespiCo e Unilever. E o que fazer, se é a indústria que mais oferece empregos? E o que fazer, se é a indústria a maior emissora de gases na atmosfera? “Outro mundo é possível!”