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Em Questão

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Décio Bragança 27/07/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Genoma - Aos 20 de julho do ano de 1822, nasce Gregor Johann Mendel – Pai da Genética – e falece em 1884. Sem dúvida, junto com Charles Darwin, provocou a maior revolução científica no século XIX. Tudo começa com a “Evolução das Espécies” de Darwin. Evolução, seleção natural, cadeia alimentar... passaram a ser objetos de profundos estudos e pesquisas, contrariando, inclusive, as teorias religiosas vigentes da época. Mendel retoma algumas questões de Darwin e as aprofunda, principalmente, as da hereditariedade e genética. Sua paixão pela natureza nasce ainda na infância quando era jardineiro. Das plantas partiu para a pesquisa científica profunda. 

Proteínas - Além da observação de 30 mil plantas, aplicou a matemática – estatística – aos estudos biológicos de 34 tipos de ervilhas. Criou conceitos novos sobre a segregação, a mistura, a independência, a dominância de caracteres transmitidos a futuras gerações. No final de vida, criticado, contestado, meio abandonado, vivendo no ostracismo, disse: “Meus esforços científicos me trouxeram grande satisfação, e estou convencido de que logo o mundo inteiro reconhecerá os resultados destes trabalhos”. 

Células - Somente a partir de 1900, realmente as suas pesquisas começaram a ser reconhecidas, “atrasando” em 50 anos o avanço dos estudos de genética. Dizem alguns que esse atraso se deveu à incapacidade de os cientistas da época não entenderam e ou não admitirem as teorias hereditárias de Mendel. Dizem ainda que até Darwin duvidava de Mendel. A hereditariedade em nível celular e molecular começa, em 1900, pra valer a ser estudada a partir de William Bateson (1861 – 1926) – também considerado por alguns como “Pai da Genética” – termo sugerido por ele. 

Clonagem - A primeira grande conclusão de Mendel foi que não existe herança por combinação, porque os caracteres – dominantes ou recessivos – permanecem nas futuras gerações. Com as ervilhas, levantou e quantificou sete traços, identificáveis a olho nu: forma e ou aspecto da semente; cor da semente; cor da película ou casca da semente; forma da vagem; cor da vagem; localização da flor e altura da planta. Só para se ter uma ideia de seu exaustivo trabalho: contou 10 mil plantas; 40 mil flores; 300 mil sementes. A partir dessa contagem, criou os termos dominantes e recessivos e estabeleceu as diferenças entre fenótipo e genótipo. 

Polimerase - Sabe-se, hoje, que a transmissão de uma característica é determinada pelos genes – veículos da hereditariedade, presentes nas células, nos cromossomos das células. Cada característica é transmitida isoladamente. Vale dizer, por isso que cada ser, inclusive o ser humano é o resultado da soma dessas unidades que programam as características, principalmente as físicas, chamadas, hoje, de genes. Sabe-se, hoje, que várias doenças são de transmissão genética, usando sempre as leis da probabilidade. Muitos de seus estudos, hoje, são contestados, mas todos reconhecem o grande salto dado por Mendel para a genética, para a engenharia genética, para a bioquímica, para a fisiologia, para a agricultura, para a biotecnologia... 

Vírus - Em resumo as famosas Leis de Mendel: 1ª – Lei de Segregação; 2ª – Lei da Uniformidade; 3ª – Lei da Recombinação dos Genes. Os cientistas redescobridores de Mendel, já no século XX, com trabalhos independentes – não se conheciam – que chegaram às mesmas conclusões são: o holandês Hugo de Vries (1848-1935); o alemão Carl Correns (1864-1933); o austríaco Erick von Tschermark-Seysenegg (1871-1962); o inglês William Bateson (1861-1926) – o grande divulgador das teorias da hereditariedade. Mendel ficou por algum desconhecido. Porque a preocupação dos biólogos de então era a citologia, o estudo dos cromossomos e da evolução darwiniana. 

Bactérias - A busca de cura de muitas doenças, hoje, está associada às pesquisas da genética. São bilhões de dólares investidos em todo mundo, por exemplo, na busca da cura do câncer, sob essa perspectiva. Isso porque o câncer ainda faz muitas vítimas anualmente. Espera-se muito mais dos pesquisadores e cientistas que não chegam à cura definitiva – o que não significa que não houve importantes avanços. Sabe-se já que todas as formas de cânceres são consequências de alterações do material genético das células. Por isso é que se fala que câncer é uma doença genética. 

Ribossoma - E o que provoca essas alterações? Tem fundo emocional? O que provoca uma proliferação desordenada de células? E por que as metástases? Por que uma célula doente de um órgão migra para outro? Por que as células cancerígenas ou cancerosas estabelecem uma programação própria, não respeitando o ciclo celular de reprodução? O processo de adoecimento tem origem no material genético herdado, trazendo já no seu bojo alguma alteração? Novas alterações, além das genéticas, são produzidas por acaso? Por que o processo de reprodução de uma célula doente é de sete a dez vezes maior do que de uma célula sadia? Por que os genes supressores inibem o processo da divisão celular controlado pelos prooncogenes? Por que os protooncogenes tornam-se oncogenes, multiplicando-se desesperadamente? Qual é a função mitocôndrias? São tantas perguntas que ainda não têm respostas satisfatórias. 

Enzimas - Claro, nada disso acontece de uma hora para outra, gasta anos. O câncer em crianças é explicado porque ela já traz um gene supressor mutado. Um gene mutante pode ser transmitido a várias gerações. Por isso o risco para várias pessoas de uma mesma família terem uma mesma doença, mais ou menos como num processo de clonagem. Que o Projeto Genoma auxilie a muitos cientistas e pesquisadores – é o que se espera. Que se conheça o mais rápido possível as características moleculares de todos e de cada tumor, para que possa facilitar o tratamento e cura! O problema é enorme, já que em cada célula fala-se em 50 mil genes. Com todo o avanço, acredita-se que estão mapeados científica e aproximadamente apenas mil genes. Isso para dizer que o câncer é uma doença genética, porque controlada por genes.