Busque em todas as seções:
EDIÇÕES ANTERIORES: anteriores

Em Questão

ACESSIBILIDADE: A A A A
Décio Bragança 31/08/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Vi ontem
um bicho 

 Com o avanço das ciências da vida, sabe-se, hoje, que cada célula traz no seu bojo uma memória. A memória celular é objeto dentre outros da ciência genética. Não é por acaso que vez por outra nos perguntamos: “Onde nosso filho aprendeu determinadas coisas?” Genética, assim, pode ser também o estudo do material genético dos antepassados, dos ancestrais ou até mesmo da raça. No material genético estão registradas as informações da história e do tempo, da geografia e do espaço dos indivíduos, da família genealógica, do histórico das transformações filogenéticas e evolutivas. 

Na imundície
do pátio 

 Não é preciso ensinar a nenhum ser que ele tem um instinto de sobrevivência (não morrer) e um instinto de preservação da espécie (deixar-se em outro ser). Esses instintos fazem parte da natureza - disso ninguém duvida. Também ninguém duvida de que cada órgão e todos os órgãos “sabem” como devem funcionar. A memória genética – trazida pelas células - é responsável pelo instinto, pelo do funcionamento do organismo, do corpo, do ser. 

Catando comida entre os detritos 
 Na célula, a transmissão das características hereditárias dos seres de uma geração para outra. Muitos geneticistas, biólogos, pesquisadores, atualmente, demonstram que há um registro de dados do desenvolvimento de todas as nossas células – o que produz a evolução da espécie humana, como numa corrida de revezamento. “Um ser humano vai se deixando no outro”. 

Quando achava alguma coisa 
 Nossos pais, nossos avós, nossos bisavós, nossos tataravôs, nossos ancestrais deixaram seus DNA, dando-nos características físicas e, porque não, espirituais – virtudes e vícios. E com eles predisposição para o bem, ou para o mal, para as doenças e para a saúde. Não é por acaso que médicos sérios, quando vamos a seus consultórios, perguntam-nos se alguém de nossa família tem ou teve a doença que está sendo diagnosticada em nós.  

Não examinava 
 Essa herança nos impele a ter determinados comportamentos e atitudes; admitir determinados valores humanos, sociais, espirituais; desenvolver potencialidades e habilidades; convencer-se dos pecados e das virtudes, das qualidades e das virtudes. 

Nem cheirava 
 Queiramos ou não, trazemos essa carga genética positiva ou negativa – o que não nos isentar de responsabilidades por nossos atos.  A pergunta “de onde viemos”, “quem somos” e tantas outras despertam a curiosidade de muitos. Daí, as tradições e crenças espirituais, as pesquisas mediúnicas, o gnosticismo e o agnosticismo, a conscienciologia e o holismo, a terapia de vidas passadas, a metafísica, a paranormalidade e a parapsicologia, estudos de fenômenos humanos não-explicáveis sob a luz da ciência. 


Engolia com voracidade 
O componente espiritual – valores espirituais – também faz parte de nossa personalidade. Daí, a sua influência em nosso estilo de vida. “Se Deus não existe, tudo me é permitido!” – “Se Deus existe, nem tudo me é permitido!”. A crença em Deus também é herdada, porque um componente cultural. Os ocidentais – herança de uma cultura greco-romano-judaico-cristã – se comportam diferente dos orientais – herança de uma cultura samuraico-confucio-budista. Essa herança faz com que orientais e ocidentais, diferentemente, percebam a vida e a morte, a doença e a saúde, o amor e o perdão. Isso para dizer a carga hereditária é muito forte em cada um de nós, ocidentais e orientais. 

O bicho não
era um cão 

 A percepção disso também nos faz mais responsáveis na medida em que queremos nossos filhos, nossos netos, nossos bisnetos, nossos pósteros bem melhores do que nós. A construção do presente começa agora, aqui.  A responsabilidade com as futuras gerações pode ser entendida como amor. Nossas células são portadoras da nossa família, da ancestralidade, da nossa raça ou da nossa mistura de raças. Cada célula de nosso organismo nasce com uma missão específica, mas todas elas abrem mão de sua função, quando se trata de sobrevivência. A isso dá-se o nosso de sinergia. Estamos ainda no início das pesquisas e muitas ideias sobre a hereditariedade são meras especulações. Cientistas do mundo inteiro estudam os cromossomos, a transferência genética, a memória celular, o DNA... 

Não era
um gato 

 Os espíritas há quase dois séculos do codificador da doutrina, Allan Kardec, antes das atuais pesquisas genéticas, já admitiam que as pessoas “são” o que foram outras pessoas no passado. Alguns usam o instituto da regressão para se reviverem as experiências em outras vidas. Daí, a ideia do carma – resultado direto do que escolhemos ser no passado, resultado das decisões que tomamos no passado. A memória celular não tem nada a ver com doutrina espiritualista, ou religiosa, mas também é o resultado do que os nossos ancestrais, bisavós, avós, pais escolheram ser, como viver, que virtudes cultivaram, que defeitos e vícios propagaram...

Não era um rato 
 A percepção de mundo e do mundo das coisas e das pessoas, como numa corrida de revezamento, passa de gerações a gerações. Assim, a violência de que tanto reclamos hoje, foi semeada, plantada, adubada, há algumas gerações. Se algum dia desejamos ser felizes, as sementes devem ser lançadas hoje, aqui e agora e só as futuras gerações colherão seus frutos. Nesse sentido, somos responsáveis pela vida de nossos filhos, de nossos netos, de nossos bisnetos. Queiramos ou não, somos e cada um é o 15º ELEMENTO DE UMA FAMÍLIA, porque trazemos em nós oito bisavós, quatro avós, um pai e uma mãe. 

O bicho, meu Deus, era um homem. (Manuel Bandeira)