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Em Questão

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Décio Bragança 12/10/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

UMA GOTA DE CHUVA - Encarnados no tempo e no espaço, cada um vai optando por um ou outro método, caminho, meio, atalho de procurar a verdade. Hegel (27/08/1770 – 14/11/1831) optou como princípio básico a ideia do SER absoluto e totalmente indeterminado. Spinoza (24/11/1632 – 21/02/1677) a ideia da SUBSTÂNCIA. A dedução é fascinante e seduz o espírito dos homens, porque reproduz pelo pensamento a origem de todas as coisas e de todos os seres. Daí, esses dois citados serem panteístas e, por extensão, suprimem a liberdade humana – descontinuidade do que era para ser. Um ato livre é impossível.

 

CRESCE UMA FLOR - Descartes (31/03/1596 – 11/02/1650) optou pelo método experimental, partindo da observação dos fatos eleva-se à ideia, sai do conhecido para o desconhecido, do fácil ao difícil, das consequências aos princípios, dos efeitos às causas. A natureza, os seres são e serão sempre a imagem e semelhança do homem. Inclusive, Deus passa a ter a imagem e semelhança do homem. Nesse sentido, Deus é o ideal do homem ou o homem ideal. Deus é um homem melhorado, porque sem os defeitos dos homens.

 

UMA NOITE ESCURA - Há pessoas que não sabem aprender nada, pensam que o que sabem já é o suficiente para viver, conviver e sobreviver. São medrosos, não se arriscam na grande aventura de viver. Não desejam transformar os Impossíveis em realidade.

 

O BRILHO DE UMA VELA - Há pessoas que preferem supor, sem provar nada, a existência de alguma coisa, de leis, de causas que possam explicar um fato, ou fenômeno. São os fatalistas que pensam que nada muda, porque tudo já está e vem escrito nas estrelas.

 

UM BOM ATALHO - Há pessoas que preferem acreditar naquilo que lhes afirmam um professor, um mestre, um guru, um pastor, um padre, uma autoridade, sem um exame apurado, sem nenhuma reflexão. São parasitas que não têm compromisso com a inovação, renovação.

 

O CAMINHO DE PEDRAS - Há pessoas que preferem não se exporem, nem exporem suas opiniões e ideias, ocultando-se no silêncio e na omissão. Um dia, um repórter perguntou a um amigo o que achava do governo e ele respondeu: “Eu não acho nada, porque depois nunca mais acharam ele!”

 

UMA TEMPESTADE - Há pessoas que passam por escolas superiores de graduação, pós-graduação e não sabem o que querem. São estudantes profissionais, ou se preparam para ser um eficiente empregado. Eficiente, aqui, tem a conotação de obediente, passivo, amorfo, acéfalo, bobão, babão. São acumuladores de conhecimentos.

 

A MENOR ORAÇÃO - Há pessoas que preferem duvidar de tudo e de todos, acumulando ruínas e negações. “Eu confio, desconfiando!” – “Estou sempre de olhos abertos – estou de olho em você!” – “Estou sempre com um pé atrás”.

 

UM GRANDE INFINITO - Há pessoas que preferem acreditar que só através da fé, de Deus, das religiões, pode-se chegar à verdade e à sabedoria. É impossível chegar a Deus pela razão. Não acreditam que possam desenvolver todo o seu potencial e se acomodam.

 

O CHORO DO RECÉM-NASCIDO - Há pessoas que preferem crer que os sentimentos, a imaginação, a intuição, o êxtase, a ágape, são a manifestação do divino no humano. São santos, puros, iluminados.

 

UMA FOLHA QUE CAI - Há pessoas que preferem dizer que ciência e fé são irreconciliáveis: a existência de uma produz a morte da outra. Pela fé, muitos se aniquilam e se entregam ao Supremo.

 

PÉS HUMANOS - Há muitas pessoas que, mesmo instruídas e bem preparadas, são infelizes, frustradas, descontentes com o que fazem nas empresas e consigo mesmos. Nada lhes está bom. Se homem, desejaria ter nascido mulher! Brigar consigo mesmo é uma luta vã, inglória!

 

CIDADE SANTA - Há pessoas que negam o valor da razão e da vontade, negam a liberdade e a personalidade humana, afirmando ser tudo vontade de Deus. “Se Deus quiser” – “Seja feita a vontade de Deus!” – “Deus quer assim” – Deus sabe o que faz” – “Deus dá o frio conforme o cobertor”

 

LOCAL DE DESCANSO - Há pessoas místicas que, além dos meios naturais de comunicação com Deus, acreditam na existência dos meios sobrenaturais, produzidos pelos homens por uma influência divina, que é a graça.

 

TEMPOS DE DIFICULDADES - Há pessoas que simplesmente acreditam naquilo que veem. Se não virem não acreditam. É a teoria de São Tomé. Confiança total e absoluto nos sentidos.

 

A LEMBRANÇA DO AMOR - Há pessoas que dominam determinada tecnologia, por exemplo, a informática, mas que não sabem para quê nem por quê a dominam. São funcionais e dependentes de ordens e pedidos de outros. 

 

UMA JANELA ABERTA - Que bom que haja muitos “tipos” de pessoas. A diversidade humana é, foi e será sempre enriquecedora. É essa mistura de doutrinas e crenças, de leis e normas, de raças e tendências, de possibilidades e necessidades é que traz o talento de o homem pensar nas coisas, nos seres, em si mesmo e em Deus com justeza e profundidade.

 

UMA NUVEM CARREGADA - Chamei a isso de talento para designar o espírito de observação e análise, o espírito de generalização e de síntese, a independência e autonomia que vão além dos conceitos e preconceitos. Em outras palavras, podemos chamar de talento a capacidade de pensar por si mesmo, de pensar com a própria cabeça, andar e seguir em frente com as próprias pernas.

 

OCEANO DE CONFLITOS - A humanidade didaticamente separa o que não deveria ser separado: corpo e alma, matéria e espírito. Não é o homem um ser indivisível? Qual é o limite entre matéria e espírito? Onde começa a matéria e onde termina o espírito, ou onde começa a alma e onde termina o corpo?