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Em Questão

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Décio Bragança 19/10/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em questão

CONSCIÊNCIA - Um dia, uma pessoa perguntou a um político corrupto se ele não tinha crise de consciência. Respondeu que não. O interlocutor aprofunda o questionamento: “Não é possível! Você tem de ter crise de consciência, porque é assim o ser humano. Todos os humanos têm crises de consciência!” O político corrupto responde perguntando tranquilamente: “Como posso ter crise de consciência se não tenho consciência?”

 

AR – MAIS AR - Onde começa a alma e termina o corpo, ou onde começa o corpo e termina a alma? Sabe-se que na vida humana, na prática, corpo e alma se comunicam por canais “secretos”: a doença do corpo, da carne, da matéria encontrará as causas, as respostas possíveis nas perturbações do espírito (ódio, raiva, culpa, birra, rusga, inveja, vaidade, prepotência, ira, deboche, alucinação, loucura...); assim como a doença da alma, do espírito encontrará respostas e causas nas perturbações do corpo (dor, machucado, fratura, disfunção de algum órgão...) No mundo físico e não-físico, há uma infinidade de fenômenos que escapam à nossa observação. Mesmo se observados, podem nos enganar, como é o caso da refração da luz.

 

ÁGUA – MAIS ÁGUA - Um indivíduo que não se conhece e não conhece nada do que seja um ser humano, será um peso morto, um zero à esquerda, um entrave e um estorvo, em qualquer organização, empresas, ou governo. A máxima socrática ainda vale: “Conhece-te a ti mesmo!” Muitos, claro, não têm condições mínimas de se preocupar com as “coisas” de existência. Enquanto as pessoas ainda lutam desesperadamente pela sobrevivência, em busca dos seus direitos fundamentais (habitação, saúde, alimentos, nutrição, escola...) é-lhes impossível questionar a si mesmo e aos outros. Até para “pecar” é preciso condições mínimas. Para “ser”, para “ser-mais” e para “ser-melhor”, então, as condições devem estar quase que num nível máximo.

 

TERRA – MAIS TERRA - A emoção é um bom caminho para a razão, porque por ela passam também as tristezas e as alegrias, as dores e os sonhos que nos instigam a questões propositivas, ou proativas. A emoção pode nos levar por caminhos criativos, nunca antes procurados, ou desejados. Quem sabe se, a partir dela, possamos nos conhecer um pouco, ou melhor! Quem sabe se, a partir dela, possamos nos tornar independentes, ser dono do próprio nariz! Quem sabe, se a partir dela, nossos sonhos e desejos sejam despertos e aflorados!

 

SOL – MAIS SOL - As organizações e o poder estão muito mais preocupados com o organograma, com o fluxograma, com o cronograma... do que com as pessoas, enquanto ser. Qual é a cara das pessoas que trabalham numa determinada empresa? As pessoas têm cara? Têm identidade? E por que as pessoas têm de ter a cara da empresa, ou a empresa a cara dos donos e de seus empregados?

 

LUZ – MAIS LUZ - O desenvolvimento das pessoas acontece em dois momentos simultâneos: quando se julgam capazes de realizar determinada tarefa/função/missão e quando essa tarefa/função/missão é reconhecida por outros como necessária, importante, essencial, imprescindível. As pessoas se acomodam nos cargos quando percebem a própria inutilidade do cargo. E como há cargos inúteis! Um cargo denota liderança, serviço, estar à disposição. Todas as pessoas têm muita energia, força, sonhos e utopias, que, muitas vezes, não se realizam, por desconhecimento de si mesmas. Será que sou capaz? Será que vou dar conta do recado?

 

CALOR – MAIS CALOR - Nascemos para a auto realização, que dependerá de muito mais alegria e encantamento por aquilo que se faz, de muito trabalho e esforço. Nas organizações e no exercício do poder e de funções/cargos, tem de ser levado em conta os comportamentos individuais. O diálogo será tanto mais maduro quanto mais as pessoas, individualmente, se sentirem inteiras, responsáveis, insubstituíveis, intransferíveis. Nesse sentido, diálogo é estabelecer vínculos afetivos e efetivos. O ambiente organizacional é que se chama de salário indireto – prazer de se estar onde está. Esse prazer não tem preço. Ainda há pessoas que preferem esse “prazer” a um aumento de salário pouco significativo em outra empresa.

     

ALIMENTOS – MAIS ALIMENTOS - O filósofo Blaise Pascal (19/06/1623 – 19/08/1662) afirma que o homem foi criado para o infinito. Considerando isso, será a função do homem o conhecimento, a felicidade, a virtude, a beleza elevados à plenitude? Será isso o infinito? O coração só pode ficar satisfeito com a perfeição, com a plenitude.  Nas organizações, nas esferas do poder, não há objetos. Os positivistas afirmam que o conhecimento, mesmo que seja de si mesmo, exige a distinção do sujeito e do objeto. O mesmo ser não pode ser ao mesmo tempo o sujeito observador e o objeto observado, assim como um ator não pode estar representando no palco e assistir na plateia à sua própria representação.

 

COLO – MAIS COLO - O que caracteriza a natureza humana? O que o homem tem de diferente que os outros seres não têm? Essa foi e é uma preocupação de todos os pensadores em todos os lugares e em todos os tempos. Mesmo sem que haja algo definitivo, sabe-se que o todo ser humano traz em si mesmo uma força estranha e descomunal. Mas o que é essa força? Força é a capacidade de operar, produzir alguma alteração, agir no mundo. Todos os corpos são dotados de forças. Não há corpo que não seja ou esteja submetido a leis de quantidade, impermeabilidade, dimensão, figura... Todo ser tem uma tendência natural de preservar-se – o instinto de preservação. Por isso, todo ser resiste a ações contrárias que produziriam o seu desaparecimento, seu aniquilamento, sua extinção. No homem, esse instinto adquire tons e matizes diferentes dos outros animais.   

 

AMOR – MAIS AMOR - Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), discípulo de Platão, mas bem diferente do mestre, entende a unicidade da realidade e da natureza humana. Usa as palavras potência e ato para caracterizar o ser humano. Todo ser humano traz em si mesmo uma potência e um ato. Mas o que é potência? O que é ato? Potência é a capacidade de produzir alguma operação, portanto prenha de força, energia, possibilidades. Entender uma verdade, por exemplo, é uma potência ativa. Receber um carinho, uma potência passiva. O ato é a perfeição, a capacidade ou qualidade que se une ao ser que estava em potência. A visão – o ato de ver – determina e aperfeiçoa a potência visual. A estátua feita pelo escultor é a perfeição adquirida pelo bloco de mármore, ou pedra sabão. Assim, a potência é uma “coisa” que precisa ser aperfeiçoada. A potência será sempre anterior ao ato; será determinada pelo ato. Por isso, todo ser humano está sujeito a mudanças: perder ou adquirir alguma perfeição.