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Em Questão

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Décio Bragança 26/10/2014
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

QUERO FAZER - A atividade é uma consequência da existência. TODO SER HUMANO TRAZ EM SI MESMO UMA ATIVIDADE. Gottifried Leibnitz (01/07/1646 – 14/11/ 1716) não se cansava de afirmar que existir é agir. A atividade produz o movimento imanente. A atividade inicia por decisão do ser humano e termina nele mesmo. A atividade sempre busca o aperfeiçoamento, a melhoria. 

POSSO FAZER - A vida é a propriedade por que o ser se move, a capacidade de mover a si mesmo, por si mesmo. TODO SER HUMANO TRAZ EM SI MESMO A VIDA. Assim a vida é a passagem da potência ao ato, é a aquisição da perfeição. O ser humano conhece o seu fim, executa suas tarefas por meio de forças para atingir o fim, o objetivo, o significado, o sentido da própria vida. 

DEVO FAZER - Por incrível que possa parecer, os pensadores atuais ainda gostam muito dos ensaios e das teorias de Michel Eyquen de Montaigne (28/02/1533 – 13/09/1592) quando disse que “o homem é um ser maravilhosamente variável e variado”.

QUERO DUVIDAR - As pessoas são dispensáveis, são substituíveis? Numa organização importam os problemas pessoais e particulares, ou não importam os problemas, conquanto os resultados sejam favoráveis? As atividades humanas são restritas a um pequeno grupo de cientistas e pesquisadores? Todas as pessoas devem ter a percepção da totalidade do empreendimento? As pessoas devem dominar somente o que lhes compete fazer? As pessoas têm potenciais diferenciados que podem ser aproveitados em outros setores? As decisões são partilhadas e compartilhadas? 

POSSO DUVIDAR - O medo do desemprego deve rondar as cabeças de todos os membros do empreendimento, da empresa? Os erros são de responsabilidade de todos, assim como os sucessos também devem ser repartidos? Pode-se aprender com os erros? A organização deve ser sempre verticalizada (hierarquizada) e cada um responsável por sua parte? As virtudes das organizações dependem sobremaneira das virtudes cultivadas pelos membros das organizações? Os pecados das organizações são reflexos dos pecados pessoais? Assim como não há pais excelentes com filhos péssimos (ou vice-versa), não há professores ótimos com alunos relapsos (ou vice-versa), não há marido bom casado com esposa má (ou vice-versa), poderá haver honestidade numa organização com pessoas desonestas? Ou vice-versa? 

DEVO DUVIDAR - As pessoas podem salvar-se sozinhas? As pessoas podem perder-se sozinhas? Todos os nossos pecados e/ou virtudes não dependem da participação de outros? Por que, por exemplo, um filho nosso faz sucesso, fazemos questão de anunciar a todos que é nosso filho? E por que quando um filho nosso não é tão bom assim, um traficante, um depravado, fazemos questão de ocultar a todos que nem o conhecemos? Atitude semelhante não acontece com os casais? Com os professores?        

QUERO CRER -     O mundo está vivendo grandes mudanças em velocidade alucinante. Só para se ter uma ideia dessa alucinação: em 1985, foram lançados 5.000 novos produtos; em 1995, 25.000 mil novos produtos; em 2005, 100.000 novos produtos. Nos últimos vinte anos apenas quase um milhão de novos produtos. Só para se ter uma ideia dessa alucinação: hoje, são mais de 400.000 títulos de remédios e medicamentos distribuídos no mundo inteiro, transformando a indústria químico-farmacêutica numa das mais poderosas e lucrativas, igualada apenas com a indústria bélica. Para tanto, novas tecnologias, novas formas de persuasão, de marketing e de publicidade, de mentiras científicas e propagandas, de lavagens cerebrais, de indução da ideologia única: consumir, consumir, consumir até a exaustão! 

POSSO CRER - O mundo está vivendo grandes mudanças em velocidade alucinante. Fala-se que só nos Estados Unidos entre 1985 e 2005 foram abertas mais de mil universidades na área de Administração de Empresas e Economia, tendo como foco principal o empreendedorismo. E por que essa alucinação? Muitas pessoas não suportam mais ser empregados, ser mal tratadas por patrões inescrupulosos, ser joguetes da própria sorte e destino. O problema não é externo ás pessoas. Não adianta, por exemplo, “eu” trocar de emprego, de atividade, de escola, de família, de religião, porque a cada lugar que eu for, eu me levo. Eu sou inseparável de mim! E as pessoas não perceberam isso ainda. Nós não estamos nos suportando e por isso não suportamos o outro e os outros.

DEVO CRER - O mundo está vivendo grandes mudanças em velocidade alucinante. As relações de trabalho e capital têm mudado muito. Exige-se muito mais de quem está empregado e paga-se muito menos hoje em relação ao que se pagava há alguns anos. Além disso, as exigências das empresas são maiores do que o que os candidatos aos empregos pode oferecer. As instituições de ensino não permitem a autonomia e a independência dos seus alunos, desde a mais tenra idade. Os jardins de infância foram transformados em escolas de alfabetização. E como alfabetizam mal! 

QUERO SER - Aos sete, oito anos, os “meninos” já não suportam mais escolas e seus professores. Perderam já o gosto, o prazer, a alegria de aprender, de estudar, de saber. E as escolas, então, começam a criar escolinhas de vôlei, de futebol, de bale, de judô, de teatro, de cinema (tudo isso é importantíssimo!), escolinhas do faz-de-contas para “segurar” os meninos nas escolas e “assegurar” os salários dos professores e dos investidores de ensino. Como exigir a capacidade de as pessoas trabalharem em grupo? Existe trabalho em equipe? O que significa trabalho em equipe nas escolas e nas universidades? 
POSSO SER - É possível aprender em equipe? É possível ser em equipe? O que eu posso fazer pelo outro? O que o outro pode fazer por mim? O outro pode amar, namorar, ser, viver, dormir, almoçar, nutrir-se, aprender, conhecer, saber no meu lugar? Tudo isso posso fazer pelo outro, no lugar do outro? Se o outro me é o inferno, como Sartre pensava, é impossível o trabalho em equipe. Se o outro me é um limite, como se busca a autonomia e a independência? A motivação do homem é um ato de vontade, que, muitas vezes, é sugerido por ideias e juízos, é acompanhado pela sensibilidade e pelo desejo. 

DEVO SER - A paixão (o encantamento pela vida humana e pela vida em geral) alimenta o desejo. A paixão é alimentada pela imagem do objeto desejado, conservado na memória, reproduzido milhões de vezes pela fantasia. A paixão não pode criar forças sem a cumplicidade da vontade, sem o consentimento do sujeito. Poucas pessoas, hoje, sabem o que querem, isto é, não foram educadas para querer o que é bom para si mesmas e, ao mesmo tempo, para as outras pessoas. “Ser-para-si e ser-para-os-outros” – razão, sentido, razão de viver bem, viver mais, viver melhor.