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Em Questão

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Décio Bragança 01/03/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

UBER - A realidade social tem sido bombardeada nos últimos anos por tantas novidades tecnológicas, produzindo um individualismo exacerbado e um consumo desmedido que provocam violência e agressividade, além da erotização de todos os setores. Tudo isso tem criado novas formas de ser e entender, de amar e de relacionar-se, além das ideias de imediatismo e rapidez, do excesso de tarefas impostas às crianças, aos adolescentes e aos jovens.

 

ÚBERE - Diante de um quadro social assim ainda obscuro, talvez a melhor função da escola, hoje, seja o exercício da tolerância, traduzida em relações interpessoais. A tolerância, com certeza, nos trará abertura aos muitos outros, cada qual com suas características. A isso chamamos de multiculturalismo, heterogeneidade, diversidade. Tolerar é o nosso desafio.

 

UBÉRRIMA - Palavras como respeito, acolhida, aceitação – extensões da tolerância – têm de ser função e missão da escola contemporânea. Acredito que já era, já passou o tempo de se pensar numa escola como reprodução, transmissão de saberes e de conteúdos. Sem dúvida, cada vez mais escola tem de ser encontro, lugar de encontros, vivências e troca de experiências entre as pessoas. Cada um de nós é único, intransferível, irrepetível, insubstituível, inédito, inteiro, completo, todo – isso é dignidade ou respeito à dignidade humana.

 

ABA - O que foi dito não pode ser entendido como quem não precise do outro. Pelo contrário, quanto mais me aprofundo em mim, tanto mais conheço e me aproximo do outro. “Sou para mim e sou para o outro”. Embora o ser humano sinta-se cheio de si mesmo, é frágil e porque frágil tem necessidade da solidariedade. A humanidade tem procurado, desde o seu início e formação, uma forma ou uma fórmula para que todos pudessem conviver pacificamente. Não é tarefa fácil.

 

BERABA - Todas as instituições – família, religião, poderes constituídos, mídia ... – também como escola, têm de se impor a consciência e cultura de paz, considerando diferenças e singularidades. Sempre é bom lembrar que tudo é construído, que nada acontece por acaso. Tudo tem de ser semeado, estercado, adubado. Se semearmos ódio, colheremos ódio. Se plantarmos ética, colheremos ética. E assim tudo!

 

FARINHA PODRE - Os muros da escola não conseguem isolar a escola das influências sociais, culturais, políticas, econômicas. Isso para dizer que escola é parte integrante essencial da sociedade. Na escola, tudo explode, tudo é mais intenso, até as diferenças e desigualdades. Daí, o bulling, a exclusão, o abandono, a marginalização, as muitas formas de violência.

 

UBER PODRE - Os estudiosos e os pesquisadores nos falam de uma violência estrutural, criada e alimentada econômica, política e socialmente pelas próprias desigualdades, pelas relações de poder. Estamos plantados numa sociedade que privilegia a fama, o sucesso, o dinheiro, as riquezas e o poder. Daí, a ganância insaciável, a competitividade agressiva, o desejo insano de poder.

 

UBER FARINHA - Quem tem violentados os seus direitos, não poderá nunca respeitar os direitos dos outros. Quem vive, convive, sobrevive no meio da má e injusta distribuição de renda e terras, no meio de analfabetos e ingênuos, na miséria e na fome, no controle absurdo e absoluto do mercado, da corrupção instituída e generalizada... não poderá nunca aceitar o outro como o outro é. Daí, a criminalidade, os furtos, os roubos, assaltos, os sequestros, as explosões dos caixas eletrônicos. 

 

ÁGUAS CLARAS - A escola é o lugar privilegiado onde se estruturam as ideias, os ideais e os conceitos, as visões de mundo e a consciência social, os valores e as atitudes, os comportamentos e os princípios humanos. Muitos professores insistem em dizer que escola tem de ser rígida, inflexível, otimizando com o maior rigor e inflexibilidade o seu espaço e seu tempo. Daí, os horários, as provas, as chamadas, as séries, os uniformes, as notas, as classificações, o ranque dos alunos e dos professores, as reprovações e a exclusão.

 

UBERABA - É preciso recuperar a cordialidade e companheirismo no ambiente escolar. A escola tem de pensar modos de os alunos e os professores viverem com mais harmonia e ternura. Esses novos modos passam, claro, perla mudança até da linguagem. Os planejadores do ensino, semelhantemente à própria sociedade sempre usaram palavras e termos associados à guerra: objetivo, estratégia, meta, público-alvo, luta, resistência, competição, disputa, derrota, vitória, combate, inquérito, competência, mérito, conflitos, violência, defesa, ataque.

 

VIVA UBERABA - É evidente que houve um aumento significativo de oferta de vagas nas escolas em todos os níveis. A isso muitos dão o nome de democratização do saber, do conhecimento. Acredito que o problema não seja esse, mas as relações entre as pessoas passaram por poucas mudanças internas e externas, pois estão se deteriorando, apodrecendo. Os prédios praticamente são os mesmos. Pior é o jeito de se ministrarem as aulas. Praticamente nada mudou: os datashows, os computadores, os tablets, os slides, o PowerPoint não mudam as relações de poder. Escola é espaço democrático para se construir a inclusão, a diversidade, a heterogeneidade, cidadania, respeito aos outros.