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Em Questão

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Décio Bragança 15/03/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Os motoristas de ônibus e carros não respeitavam os sinais de trânsito - A escola é ainda o espaço de encontros humanos, no tempo e lugar, finalidades bem definidas. Quando se fala em educação, todos querem dar palpites e sugestões. Por exemplo, quando uma escola propõe educação da sexualidade é um deus-nos-acuda! A sexualidade vem envolvida em muitos preconceitos de toda a ordem e graus, desinformações e pecados. Se o Estado tem por princípio proteger todos e cada cidadão tem também a obrigação de proteger a sexualidade ou a vida sexual de cada cidadão.

 

Andavam a altas velocidades - Para os jovens, não há assunto mais fascinante, que desperta maior interesse do que os professores falarem de sexo. Para os pais, não há assunto mais temido, despertando a sexualidade de seus filhos. Para eles a escola não deve propor educação sexual. Os pais temem, por exemplo, que os filhos possam despertar precocemente a sua sexualidade, as filhas podem experimentar um risco de gravidez.

 

Faziam rachas - O assunto é tão polêmico que serviu de debate político dos candidatos ao governo da cidade de São Paulo, em 2013, em função de uma cartilha publicada pelo Ministério da Educação, quando era seu titular, atualmente prefeito Fernando Haddad. A cartilha passou a ser chamada de “Kit anti-homofobia” ou até “Kit de um sexo seguro”. Como essa cartilha foi pano de fundo de tantos debates e discussões! Será que somos conservadores? Reacionários? Modernos? Será que temos medo de romper os paradigmas em que estamos inseridos?

 

Andavam na contramão - Para muitos, não é preciso ensinar sexo, já que é considerado algo “natural” e se natural, aprende-se naturalmente. Independentemente do que pensamos, na adolescência os hormônios fervem, fervilham, mesmo porque o corpo – no sentido físico – das crianças começa a passar por transformações importantes. São os seios que começam a sobressair nas meninas, a voz que engrossa e os pelos pubianos nascem nos meninos...

 

As donas de casa desperdiçavam água à toa - Para muitos, é preciso ensinar a meninos e meninas a controlarem seus instintos considerados animalescos e até demoníacos. Para muitos, isso não pode ser assunto escolar e deve ser adiado para depois de formados, na hora de se assumir uma vida profissional e conjugal. Os meios de comunicação, principalmente as novelas, belamente produzidas, em horário nobre, tratam abertamente de todos os problemas ligados à sexualidade. Mesmo assim, as escolas encontram resistência dos pais quando o assunto é sexo.

 

Deixavam as mangueiras ligadas durante horas sem se importar com nada. - Não sou freudiano, mas acredito que sexualidade é um termo muito mais abrangente do que os órgãos genitais. Envolve representações, imagens, valores, desempenho de papeis, rituais de enamoramento, escolhas e práticas. O interessante é que a sociedade, em geral, cobra dos jovens comportamentos corretos, porque entende que os jovens, hoje, não têm compromisso nenhum com as suas relações afetivas e se iniciam sexualmente muito precocemente. E aí?

 

Os homens inventaram trapaças para não pagar impostos - “Têm uma vida sexual precoce porque não são informados e educados ou porque são informados e educados têm uma vida sexual precoce?” O fato é que não se pode falar em educação sem falar e experimentar valores e princípios. Toda escola é uma escola de valores e princípios. Toda escola é geradora de valores e princípios.

 

Ficaram ricos ilegalmente. - A Revista Saúde Pública, de junho de 2008 (não encontrei dados mais atualizados) diz que a idade média da primeira relação sexual no Brasil é de 14,9 – 14 anos e 9 meses) Isso é cedo? Muito cedo? É tarde? Muito tarde? O mais importante é que a revista mostra que essa primeira transa aconteceu entre jovens que namoravam, que tinham uma certa confiança e amor entre eles e para ambos era a primeira transa. Pior seria uma relação nos muitos prostíbulos, nas boates, nas ruas, nas avenidas, com desconhecidos.

 

Em casa, mamãe não respeitava papai que também não respeitava a mamãe - Se há alguns anos falávamos em flertar, namorar, hoje, os jovens falam fisgar, ficar, pegar – é só uma questão semântica. Independente da palavra, é uma etapa de experimentação afetiva e também sexual que traz um valor em si mesma, sem vínculo comprometido com o casamento. Talvez, o que tenha mudado é o pacto de compromissos, criando a transitoriedade das relações ou a flexibilização das relações, sem as algemas da exclusividade.

 

As crianças faziam o que queriam! - Existe, sim, a gravidez precoce e na maioria das vezes acontece quando as moças se relacionam com rapazes mais velhos, segundo alguns analistas e psicólogos. O aborto é uma questão que hoje é partilhada, compartilhada, consentida por familiares da moça e do rapaz, tirando até o aspecto pecaminoso, demoníaco. Alguns tabus e preconceitos estão sendo quebrados. As revistas têm mostrado que muitos pais consentem que seus filhos tenham vida sexual ativa, algumas vezes até nas próprias casas.

 

Os malvados riam a até não poder mais! - Claro, tudo isso traz muitas interrogações e incertezas. Assim, a educação para a sexualidade tem de fazer-nos entender esses novos valores, garantir-nos o acesso à informação, fazer-nos reconhecer a pluralidade e diversidade do desejo humano, evitando até possíveis doenças transmissíveis, refletindo sobre as convenções sexuais, a criação de novos modelos de família, inclusive amparados por lei...

 

As pessoas passaram a jogar lixo nas ruas, nas praças. - É função do Estado e por extensão da escola, sim, proteger e apoiar os jovens em todos os aspectos e momentos de sua vida.  Talvez, o grande erro do nosso presidente seja o ProUni – Universidade para Todos. É sabido que criou alguns privilégios às universidades da iniciativa privada. A contratação de professores, por exemplo, em uma universidade pública é um processo muito demorado. Na iniciativa privada, acontece quase que imediatamente. O privilégio, claro, não foi invenção do Lula.

 

As crianças comiam balinhas e jogavam o papel no chão - A expansão do ensino privado teve início descarado durante o período em que os militares ocuparam o poder. Sem saber o que fazer com o excesso de estudantes excedentes nas universidades públicas, começaram a abrir mão, fazer concessões à iniciativa privada. Não demorou muito, veio o boom das universidades. A educação brasileira sempre privilegiou a classe mais abastada. Na nossa história, um ou outro ministro fez tentativas de democratização do acesso à educação. Por força de pressões externas e até para ter acesso a empréstimos bancários internacionais, o governo brasileiro, sem saída, começou a se preocupar com o analfabetismo, com habilitação e qualificação de profissionais.