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Em Questão

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Décio Bragança 22/03/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

FELICIDADE - Não há ainda critérios objetivos e consensuais para marcar os Índices de Felicidade Internas, das pessoas. Isso porque não mais se admite que só o PIB – Produto Interno Bruto – dos países, dos estados e dos munícipios seja o único critério de desenvolvimento. O termo desenvolvimento está se ampliando cada vez mais. Primeiramente o PIB – depois lhe foi acrescentado o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – e agora mais o FIB – o índice de Felicidade Interna Bruta. No fundo, todos querem mesmo é ser felizes.

 

ALEGRIA - Já se entende política como a arte de fazer os outros e todos felizes. Em outras palavras, a felicidade das pessoas e de cada um depende essencialmente de medidas políticas, democraticamente aceitas. O destino da humanidade passa obrigatoriamente por medidas políticas. Nesse sentido, quando se perde a confiança na política e nos políticos, a possível felicidade desaparece.  O Rei Jigme Khesar, no Butão, no discurso de sua coroação enfatizou: “quaisquer que sejam as metas que tenhamos – e não importa o quanto essas metas mudem neste cambiante mundo – em última instância, sem paz, segurança, e felicidade, nada temos. Essa é a essência da filosofia da Felicidade Interna Bruta. Eu também rezo para que, enquanto for o rei de uma pequena nação no Himalaia, possa, durante o meu reinado, fazer muito para promover o maior bem-estar e felicidade de todas as pessoas neste mundo – de todos os seres sencientes – seres capazes de sofrer ou sentir prazer ou felicidade”.

 

PRAZER - Butão, primeiro país do mundo a porpor à humanidade critérios de mensuração da felicidade das pessoas, é um país localizado no sul da Ásia, fazendo fronteira com a China, Índia, Nepal, tendo Thimphu como capital. Talvez tenha sido o país que fez a transição de monarquia absoluta para monarquia constitucional na maior tranquilidade possível, por vontade exclusiva do rei que dizia que um só hoem não poderia decidir o destino de um país e das pessoas desse país. Para alguns analistas e ou cientistas políticos, a religião budista muito contribuiu e contribui para a harmonia e tranquilidade das pessoas, sempre à procura da felicidade e bem estar de todos e de cada um.

 

ENCANTAMENTO - Sua economia essencialmente é baseada na agricultura, extração florestal e na venda de energia hidrelétrica para a Índia. A agricultura, essencialmente de subsistência, e a criação animal, são os meios de vida para 90% da população. Por isso, não se conhece fome, em Butão. Apesar de ser uma das menores e menos desenvolvidas economias do mundo, com uma renda per capita de U$1.400 – um mil e quatrocentos dólares – ou meno de 118 dólares por mês, ou menos de 4 dólares por dia. Como pode com uma renda tão pequena, existir um povo feliz?

 

BEM-ESTAR - “O Butão foi, mais uma vez, abençoado com um grande Rei, que é compassivo e sábio. Seu comprometimento com o FIB se baseia numa profunda compreensão da filosofia, e da convicção de que é através disso que o seu povo pode ser melhor servido. O FIB não poderia ter encontrado um melhor defensor e patrono, e esta conferência não poderia estar acontecendo em melhor hora. Felicidade Interna Bruta enquanto meta e propósito do desenvolvimento é fruto da sabedoria de sua majestade o quarto Rei, nascida da sua dedicação de entender, articular e preencher os desejos mais profundos do seu povo.

ÊXTASE - O FIB serviu como o principal motivador e base para todas as políticas e ações durante o seu glorioso reinado de 34 anos. Na medida em que a realidade do nosso insustentável e incompleto modo de vida se torna ominosamente, e de fato, devastadoramente clara no nosso problemático mundo, acredito que o FIB, visto como um paradigma alternativo de desenvolvimento, se tornou mais relevante do que nunca. Esta ocasião evoca um senso de continuidade, de renovação da solidariedade entre os colegas peregrinos do FIB, e a criação de novos laços de parceria em prol de uma causa nobre. Em particular, estamos muito felizes de ter conosco o Dr. Ron Colman, Diretor do GPI Atlantic, que foi o organizador da marcante 2ª Conferência em Halifax, no Canadá. Aquela conferência atraiu uma ampla atenção das pessoas da América do Norte para o FIB.

 

ÁGAPE - Estamos igualmente deleitados em dar as boas vindas para Hans e Wallapa, os coordenadores chefes da extremamente bem sucedida 3ª Conferência em Nongkhai, no norte da Tailândia e em Bangkok. Através da conferência de Nongkai e Bangkok, o FIB foi difundido, como as águas da Mãe Mekong (grande rio da Ásia), através dos países no delta do Mekong. O movimento e as ações práticas que essas conferências geraram ainda estão respingando através dos locais e das sociedades de um modo que nos deixa humildes. Vocês ficarão satisfeitos, assim como seu estou, de serem informados que o local e o cicerone para a nossa próxima conferência já foram escolhidos.

 

AUGE - Por favor, deem as boas vidas à Dra. Susan Andrews, do Brasil, que será uma grande colaboradora na realização da 5ª Conferência Internacional sobre FIB no Brasil. Meu único pedido a esta altura é que nos tornemos mais focados na tradução dos conceitos do FIB em claras políticas públicas.  Para a organização de todas as conferências sobre o FIB o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) foi um parceiro excepcionalmente generoso e disponível. A vocês, do PNUD, vai o crédito de do interesse cada vez mais amplo pelo FIB, e a crescente convicção da urgente necessidade de se encontrar uma alternativa para o nosso ganancioso, explorador, e insaciável estilo de vida, ditado pela nossa fé na infalibilidade das forças do mercado, as quais, por sua vez, extraem seu poder da ambrosia do consumismo.

 

EXCELÊNCIA - É muito encorajador observar como que aspectos do FIB estão sendo implementados de baixo para cima, de uma forma não centralizada, em muitas comunidades locais ao redor do mundo. Grandes mudanças de governos em prol do reconhecimento daquilo que seja o verdadeiro progresso, e de como este deve ser medido, podem de fato somente acontecer quando cidadãos e organizações, dispersos como são, agem em uníssono e convergentes, impulsionados por uma nova consciência. Tais ações estão sendo estimuladas pelas colaborativas atividades de instituições de pesquisa de vanguarda pelo mundo, as quais estão sendo respaldadas por pessoas e líderes iluminados.

 

MÁXIMO - Sem ser complacente, seria benéfico que intensificássemos a colaboração internacional nas mensurações, enquanto enfatizássemos a necessidade de se manter o foco na formulação de aplicações práticas em termos de projetos e programas enraizados nos locais onde o verdadeiro povo se encontra, e onde as genuínas e significativas mudanças de base devam acontecer. Nesse sentido, parece que é mais fácil desenvolver medidas ou indicadores de progresso para o FIB do que formular abordagens que possam de fato reformar ações de políticas públicas.