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Em Questão

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Décio Bragança 05/04/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Microbiologia - Por força do instinto-mistério, até hoje e ninguém sabe o porquê, o homem obedece ao jugo da sobrevivência – não morrer – e procriar – deixar-se no outro, para imortalizar-se ou eternizar-se. Essa força inexplicável é também comum a todos os seres vivos, vegetais e animais.

 

Genética - Por força desse mesmo instinto, há como quê uma disputa, uma competição acirrada a favor da preservação e contra a morte. Todos os seres vivos “querem”, geneticamente, estar presentes nas futuras gerações. Por isso e para isso usam de todos os meios e recursos, instrumentos e astúcia, planejamento e força, energia e rapidez.

 

Memória celular - Os machos, “egoisticamente”, querem deixar-se nos filhos, netos e bisnetos. As fêmeas, sem que tenham consciência, porque muito mais por força do instinto, “querem” o mais bonito, mais inteligente, mais saudável, mais excitante, mais fértil, para que sua cria seja muito melhor do que os pais, os avós, os bisavós, produzindo ou não interrompendo o ciclo natural e inexplicável.

 

Sinergia - Caso não fosse assim, muitas espécies já estariam extintas ou em processo de extinção.  A falta de alimentos, a procriação entre congênitos, já entendida pelos gregos e entre eles, Aristóteles, provocaram, sem dúvida, o enfraquecimento e a degeneração da espécie e da raça, até sua extinção. Todos os geneticistas, Darwin, Hreb, Mendell, Larson, Jacob, Lineu, Cuvier, Rue, Wright e tantos outros, partem das ideias e teorias de Aristóteles. Muitas outras ideias poderiam ter sido aprofundadas, mas neste despretensioso artigo e outros tantos, quero tratar de Ética – ciência das relações humanas.

 

Sementes - Todos os seres vivos, queiramos ou não – mistério indecifrável ainda – são o 15º (décimo quinto) elemento, aqui e agora: somos e trazemos dentro de nós oito bisavós, quatro avós e dois pais. Observando essa ancestralidade, percebemos que “nascemos” bem antes de virmos ao mundo. Nascemos, quando nasceu o nosso primeiro bisavô. Da mesma maneira, nasce o nosso primeiro bisneto, quando a nossa mãe nos trouxe ao mundo, à vida.

 

Tudo é construção - O tempo e espaço de nossa vida – nascimento e morte – são limitados, mas quase somos ilimitados, ou imortais, ou eternos, quando pensamos na ancestralidade e posteridade. A verdade é que cada um dos 14 “eus” anteriores a mim viveu num tempo e num espaço diferentes, trazendo seus vícios e suas virtudes, suas experiências e suas crenças, seus sonhos e seus desejos para mim, que sou o 15º elemento.

 

Não existe acaso - A natureza não sabe “controlar” as influências herdadas. Esse possível controle é posterior, num ambiente humano, quando somos “lançados” na história e no tempo, na geografia e no espaço. Nesse sentido, somos, sim, a síntese da humanidade. Que maravilha! Cada um dos 14 “eus” anteriores, pensando apenas sob o ponto de vista genético, experimentou-se pessoa humana, experimentando e estabelecendo relações consigo mesmo, com os outros seres humanos, com todos os outros seres vivos e não-vivos, com Deus.

Comunhão dos santos - Somos o 15º elemento de uma família, geneticamente construída. Se pensarmos que cada um dos 14 “eus” anteriores “construiu-se num tempo e num espaço e que cada um manteve relações com tantas outras pessoas, na verdade, uma pequena multidão habita em mim, em cada um de nós. Hoje, a microbiologia sabe que há uma “memória” em cada célula. Essa é a razão por que, numa consulta médica séria, o médico pergunta se alguém, ou algum membro da família foi ou é acometido da doença que estamos tendo, aqui e agora.

 

Cumplicidade - Na célula, na molécula, no menor indício vital, as doenças e a desgraça, mas também a fé a transcendência, o senso de justiça e arte, o amor e a serenidade, o sentido do trabalho e da colaboração, a sabedoria e o desejo de conhecer, a semente e os frutos.

 

Compromisso - Exige-se mais seriedade e honestidade, por exemplo, na política. O passado é imutável. A falta de seriedade honestidade foi de alguma maneira semeada nos cromossomos do ser. Assim também, quando “banalizamos” a saúde e a corrupção, semeamos na memória das células o descaso pela saúde e a exaltação da corrupção. Daí, nossa responsabilidade com o futuro, com as futuras gerações, no mínimo, com os nossos filhos, com os nossos netos e com os nossos bisnetos.

 

Herança - É importante tomarmos consciência de que somos, sim, o 15º elemento. Em sã consciência, nenhum bisavô quer que seus bisnetos sejam infelizes, bandidos. Nenhum avô quer que seus netos sejam ladrões, estupradores, vagabundos. Nenhum pai quer que seus filhos sejam medíocres, enganadores, preguiçosos, desgraçados. O fato é que todos são responsáveis pelo bem ou pelo mal existentes nos filhos, nos netos e nos bisnetos.

 

Nasci para ser o que sou - Há alguns exercícios e experiências concretas no mundo sobre a ancestralidade, ou, chamada por alguns de constelação familiar. Nossa carteira de identidade traz o nosso nome completo, o nome do pai e da mãe, onde e quando (dia, mês, ano) nascemos.  Nossa certidão de nascimento traz o nosso nome completo, o nome dos avós paternos e maternos, o nome de nossos pais, onde e quando – incluindo a hora – nascemos. De alguma maneira, a carteira de identidade e a certidão de nascimento nos obrigam a ser o que somos. Para muitos, cada um de nós nasce e vive para ser o que já se é. Negar a identidade é negar a si mesmo. Negar os avós, os pais, o espaço e o tempo, registrados na carteira e certidão, é uma verdadeira loucura.

 

Vida plena - Os exercícios e as experiências da constelação familiar, inclusive de cura, ou simplesmente na busca de forças para continuar vivendo encantado e feliz, são feitos assim: identificar os nomes dos oito bisavós, dos quatro avós e dos dois pais; se possível, procurar a fotografia de todos eles com a indicação de lugar e tempo onde viveram; colocar tudo numa folha de papel; reduzir até o tamanho de uma carteira de identidade e trazer sempre consigo na sua bolsa. Muitos católicos apelam para santos de todas as espécies. Você, agora, tem os “santos” reais de sua vida. Apele para eles que são você mesmo ou estão em você. Caso não consiga o nome de todos os 14, invente um nome bem bonito, de que você goste e comece a chamá-los de santos, porque foram eles, como eles são, que o trouxeram ao mundo. Experimente!