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Em Questão

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Décio Bragança 12/04/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

ONDE O AMOR E A CARIDADE? - Somos protegidos de muitos microrganismos, de vírus, de bacilos, de doenças, de bactérias por causa, por exemplo de nossa resistência, de nosso sistema imunológico, herdado. Da mesma maneira que somos protegidos, podemos estar cheios de ácaros, poeiras, micróbios e outras “coisas” não desejáveis. Nossos ancestrais compõem a cena e o EU terá ou não sucesso dependendo de sua atuação.

 

ONDE DEUS ESTÁ? - Por essa razão, muitos apelam para os bisavós, não para desdenhar, criticar, endemoniar o passado que é imutável, mas para “exigir” deles proteção, ajuda, apoio, amparo nos momentos mais difíceis de decisivos, como num comunhão de santos. Queiramos ou não, há sempre intrusos, invasores de cena: os vírus, as bactérias que penetram o nosso corpo. Assim é armada a guerra entre parasitas e antiparasitas, entre vírus e antivírus, entre bactérias e antibactérias, entre células boas e células ruins, entre o bem o mal. Cada “guerreiro” dos dois lados, monta suas táticas e estratégias.

 

CONGREGOU-SE NUM SÓ CORPO O AMOR? - Há também um milagre: a sinergia. Cada célula nasce “programada” para exercer uma função, uma missão. Quando o corpo é atacado, todas as células abrem mão do que nasceram para fazer e vão socorrer as células afetadas. Exemplificando para entender: um corte, um simples corte na perna. As células epiteliais entram em ação para produzir a cura, fechar o corte e deixar o corpo pronto para novos embates, combates “futuros.” Suponhamos que as epiteliais não foram “capazes” de efetuar esse serviço. Aí, entram em “guerra” a artilharia, a cavalaria, a infantaria, toda a frota e esquadra, aviões e fuzileiros, um batalhão enorme de células cardíacas, nervosas, musculares...  A isso dá-se o nome de sinergia.

 

SINCEROS, UNS AOS OUTROS, NOS QUEREMOS BEM? - A questão é de sobrevivência do corpo, e, claro, de todas as células. A sobrevivência, aqui, significa colaboração e solidariedade, cooperação e ajuda, apoio e amparo. Caso não seja assim, aquele corte pode produzir uma inflamação simples que pode tornar-se mais séria e complicada, que pode tornar-se uma gangrena, ou até um tétano, que pode levar o corpo à morte, matando todas as células. Vitória do mal!

 

ESTAMOS TODOS, JUNTOS, NUM SÓ CORPO CONGREGADOS? - Nessa guerra, todas as estratégias e manobras são usadas pelas células: camuflagem, infiltração no campo do inimigo, espionagem, ações de guerrilhas, de informação e contra-informação, de mimetismo, de escudo e de muralhas, de engano e ataque-surpresa, para a construção da vitória do bem: a preservação da vida.

 

ACABARAM TODAS AS LUTAS? - Alguns antropólogos, teólogos, agentes sociais defendem a sinergia natural como modelo de uma sociedade, de uma nova humanidade. Diante de qualquer problema social, todos nós temos “obrigação” de abrir mão do que fazemos ou estamos fazendo para resolver o problema do outro e de cada um. Também é questão de sobrevivência. Resolvido o problema, cada um de nós, cada uma das células, voltam a fazer o que tem de ser feito. A sinergia social é a grande utopia da humanidade.

CESSARAM TODAS AS RIXAS E DISSENSÕES? - Sem essa sinergia, possivelmente não existiríamos individual e coletivamente, pessoal e socialmente. Quanta sabedoria! O passado e o futuro são podem ser concebidos, percebidos, sentidos no presente, no aqui e no agora. A natureza humana é um reservatório insondável de fatos, de processos, de acontecimentos, de realizações que vão sendo passados e repassados, como numa corrida de revezamento. Muitos, claro, não percebem essa grandiosidade, quase infinitude. Assim é a sinergia, a cooperação e colaboração silenciosa e latente dos seres.

 

SERÁ QUE POR CAUSA DE NOSSO EGOÍSMO NÃO SEJAMOS SEPARADOS? - A verdade é que “eu me conheço, conhecendo o outro.” Depois de comerem o fruto proibido, Adão e Eva reconheceram-se “desobedientes”, pecadores e até se perceberam nus, envergonhados, culpados, mas conhecedores do bem e do mal, conscientes da vida e da morte, certos dos limites da existência.

 

AMÉM! AMÉM? - Nesse sentido, conhecer-se é desnudar-se, sentir-se menor, criar dúvidas, aumentar as incertezas, alargando sempre o desconhecido. Vale dizer que não há, então, um conhecimento final e definitivo, porque sempre haverá algo a mais para ser conhecido.

 

ASSIM SEJA! ASSIM SEJA? - Se há algo a ser conhecido, haverá ainda uma tensão inevitável entre o que já foi e o que poderá ser, entre o passado e futuro. Nesse sentido, o passado – acúmulo de conhecimentos e saberes – sustentam o futuro – possíveis rupturas e surpresas. O novo, às vezes, dá continuidade; às vezes, rompe com o antigo. Claro, a continuidade é menos revolucionária, menos libertária, do que a ruptura – o que não significa que não se deve provocar a ruptura, ou optar pela continuidade. Não há uma verdade. Há verdades.

 

EURECA! EUREKA? - A continuidade é aditiva, complementar, até suplementar; a ruptura é adversativa, subversiva, agressiva, incômoda. Arquimedes, lá na Grécia Antiga, ao experimentar-se conhecer, gritava: “Eureca! Eureka! Heureca! Heureka! Descobri! Eureca! Observei!” Quem tem a cabeça aberta ao novo, ao desconhecido, busca o Eureca! – com a certeza de que será sempre possível conhecer-mais e conhecer-melhor, saber-mais e saber-melhor, ser-mais e ser-melhor.