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Décio Bragança 28/04/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Por todas as criaturas

Água é bem comum; portanto, não deveria ser comercializada. Um bem natural não poderia ser transformado em moeda de troca. Dificilmente, a Amazônia e o aquífero Guarani resistirão aos apelos do lucro e da ganância dos donos do mundo e das pessoas. Sabe-se também que a água se purifica e se recicla. O problema é que o tempo de sua reciclagem e purificação é maior do que o ritmo de sua poluição e contaminação, provocadas pelos homens. A vida tem de ser prioridade de todo e qualquer governo. Governo existe para as pessoas, para servir às pessoas, para cuidar das pessoas. Suas necessidades básicas têm de ser satisfeitas, independentemente de ideologias e de partidos políticos. A água é a necessidade número UM. 

Pelo sol e pela lua
A água de nosso corpo tem de ser reposta diariamente. Nosso fígado e pulmões têm 86% de água; o sangue, 81%; cérebro, músculos, coração, 75%. Daí, a importância de nossa alimentação. Os nutricionistas chegam a dizer que os vegetais existem para ser bebidos e não comidos, porque contêm até 95% de água. A água no nosso corpo circula, como também circula nos ecossistemas. Como na natureza, nosso corpo também não consegue purificar e reciclar toda a água "suja" ingerida por nós. Os rins - nossos filtros naturais - só fazem o que podem fazer, mas estão "trabalhando" mais do que deviam. O nosso corpo tenta metabolizar toda a poluição, todos os agrotóxicos, todos os venenos, todos os antibióticos, todos os hormônios, todos os conservantes e produtos químicos - extratos, sais, açúcares, ácidos, acidulantes, corantes, edulcorantes, antioxidantes, benzoato de sódio, sorbato de potássio - que ingerimos através dos alimentos. 

Pelas estrelas e firmamentos
E vejamos, nosso organismos não tem fim de semana remunerado, nem férias, nem feriados, nem dias santos, nem feriados prolongados. Aliás, nesses dias, abusamos mais do nosso corpo, exigimos que trabalhe mais. Porque as pessoas "pagam" às prefeituras pelo tratamento e distribuição de água, acham que têm o direito de desperdiçá-la. A OMS - Organização Mundial de Saúde - diz que cada pessoa pode viver com 100 litros de água diariamente. A média de consumo diário de muitas cidades brasileiras é superior - o que revela um desperdício. Em São Paulo, a média já chegou a 270 litros/dia por pessoa. Um absurdo! Não interessa somente a quantidade, mas também a qualidade, óbvio. 

Pela água e pelo fogo
Só a título de esclarecimento: muitas vezes, as autoridades culpam as pessoas com o abuso excessivo de água nas calçadas, nos jardins, na lavagem de roupas, no banho... Claro, temos responsabilidade também. Vejam os números: 70% da água doce são usados na irrigação; 20% na indústria e apenas 10% no uso doméstico. E, então, por que a culpa é nossa? Ou só nossa? Não está havendo um consumo excessivo na irrigação de nossas lavouras e pastos? Não é hora de se pesquisarem formas de economizar água também na irrigação? Afinal, a água é fonte de vida ou é fonte de lucro?   

Por aqueles que agora são felizes
Vou fazer questão de transcrever um texto de Alfredo Sirkis, tirado www. sirkis.com.br. O Decálogo das Águas - I - Água de beber. Toda população brasileira, urbana, rural, de cidade grande, periferia ou pequena localidade tem direito a um abastecimento de água potável suficiente, livre de contaminação orgânica ou química de qualquer espécie. Agentes comunitários devem orientar a população mais carente sobre os cuidados necessários à descontaminação da água potável. A população deve ter ao seu dispor uma informação precisa, completa e confiável, sobre a qualidade da água potável que consome. Seu monitoramento deve abranger, além da poluição orgânica, aquela por organoclorados, metais pesados e outras substâncias ou compostos com efeito cumulativo de longo prazo. Essa informação deve ser transparente, com a participação dos usuários na supervisão da sua elaboração, e divulgada regularmente, em linguagem simples e acessível a todos. Devem ser estudados em profundidade os efeitos a longo prazo do tratamento com cloro e estimuladas formas de tratamento alternativas. Deve ser abolida a taxação por estimativa. Cada residência familiar tem direito a um hidrômetro para poder pagar aquilo que efetivamente consome e ser estimulada a economizar. 

Por aqueles que agora choram
II - Águas sujas. As valas negras a céu aberto, a presença de esgoto dentro ou perto de casa é a maior causa de mortalidade infantil. Toda a população brasileira tem direito ao saneamento básico, tirando as águas sujas de perto das crianças. O segundo passo é tratar o esgoto. Há uma série de soluções, desde a minimalista até a mais completa, para eliminar esse alto risco ambiental e sanitário. A fossa séptica, a fossa com filtro, o sistema de condominial, o sistema misto, a rede de esgotos, a lagoa de estabilização, a oxidação laminar, a estação de tratamento num grau crescente de aprimoração do tratamento, até chegar ao reaproveitamento. O objetivo é claro: lançar no rio, na galeria pluvial, na lagoa ou no mar apenas o efluente tratado. Saneamento não é, apenas, obra. Sanear também quer dizer instruir, organizar e mobilizar. Governos, comunidades e iniciativa privada devem trabalhar juntos em Conselhos das Águas e outros comitês de gestão de bacias hidrográficas. As águas devem ser taxadas de acordo com seus usos e dos respectivos impactos. Na próxima semana, a continuação desse Decálogo, de Alfredo Sirkis.

Por aqueles que agora nascem