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Décio Bragança 03/03/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
"Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente"

Não pode haver uma boa administração sem que o gestor seja um líder que consegue, muitas vezes, transformar o caos em harmonia, a desordem em organização, o marasmo em entusiasmo. Tudo tem de funcionar sinergicamente. A melhor comparação, sem dúvida, é uma orquestra. O maestro prepara as partituras, os acordes, os arranjos para cada um de seus músicos. Cada um treina para fazer o seu serviço da melhor maneira possível. Aos poucos, o maestro vai separando os naipes, os instrumentos de corda, de madeira, de sopro, de percussão, com seus instrumentistas. Até que chega a hora de unir tudo, todos os instrumentistas para o grande espetáculo, tendo o maestro como líder - executor de uma peça, de uma empresa. Todos são importantes, caso contrário não estariam fazendo parte do corpo orquestral.

"Que a morte não me encontre um dia solitário sem ter feito o que eu queria"
O interessante é que, quando a orquestra se apresenta, os músicos praticamente nem olham para o maestro, porque cada um quer executar o seu instrumento da melhor maneira possível. Nesse sentido, o maestro - líder - lhes dá confiança, força, energia necessária. Os músicos sabem de cor a partitura, mas não deixam de olhar o pentagrama para maior segurança. Então, para que serve o maestro? O maestro é o único que se movimenta levemente ou, às vezes, franze a testa, arregala os olhos, saltita, sorri, ri, fica feliz. Mas, por que fica feliz enquanto seus "subordinados" trabalham? Talvez, essa felicidade venha do dever cumprido, do fazer bem feito o que deve ser feito, do gostar do que faz, do amor pelo trabalho bem feito.

"Eu só peçoa Deus que a injustiça não me seja indiferente"
Uma orquestra precisa de plateia. Toda empresa e/ou organização e/ou instituição também precisa de uma comunidade que lhe dê apoio, aplausos. Maestro feliz, músicos felizes, plateia feliz. Muitas vezes, encontramos músicos emburrados, desiludidos, desmotivados, desenganados, desestimulados, que veem o trabalho como uma necessidade, como uma obrigação, como sacrifício e alguns até como castigo de Deus. Muitas vezes, encontramos chefes, patrões, diretores, gestores que não são líderes - maestros - por isso interferem negativamente na execução das tarefas, da música. Muitas vezes, encontramos uma plateia ruidosa, inquieta que não está nem aí para o que está acontecendo. Maestro, músicos, plateia se interagem e se entregam uns aos outros.

"Não posso dar a outra face que foi machucada brutalmente"
Se algum dia a gente pudesse perguntar ao maestro de qualquer orquestra sobre o desempenho, a performance de seus músicos, ele possivelmente nos diria: "Sou responsável por toda orquestra, por todos os músicos e por cada um em particular". Mas, se fizermos essa mesma pergunta a um chefe, a um diretor, a um patrão, provavelmente a resposta não seria a mesma. É questão de liderança!  No fundo, não há luta de poder, porque cada um, numa orquestra, faz o que tem de ser feito, sinergicamente. Assim, também trabalham as células de nosso corpo. Cada célula exerce bem, da melhor maneira possível, o que nasceu para fazer. Como não há líder - maestro - cada um e todos se arrogam o direito de brigar pelo poder. Não temos maestro! Não temos líder! E agora não temos Pastor! Porque não era maestro, não era líder, Bento XVI pediu arrego, desceu da cruz antes de morrer. "Tirem-me da cruz, não aguento mais!" 

"Eu só peço a Deus que a guerra não me seja indiferente"
Todos os músicos quando estão ensaiando têm a certeza de que o maestro conhece, sabe música e todos muitos instrumentos, já que é ele quem prepara os pentagramas. Muitas vezes, o que é exigido de funcionários de determinado setor, os chefes, os diretores, os supervisores não sabem fazer. Sabem mandar e exigir - isso não é liderança. "Faça assim, porque eu já fiz assim e deu certo!" - isso é liderança. Nesse sentido, os músicos - os funcionários - não podem fazer as coisas que quiserem, do jeito que quiserem. Têm de ser executada a música que está escrita pelo maestro. Vale dizer que um líder não improvisa e não deixa os músicos improvisarem para não se perder a harmonia, os arranjos, a melodia, o ritmo, o espetáculo. Daí, a noção de parceria, companheirismo, camaradagem entre maestro e músicos. Isso é sinergia - troca de energia entre si. 

"É um monstro grande e pisa forte toda fome e inocência dessa gente"
O líder acredita naquilo que seus "comandados" acreditam e vice-versa. "Não sou eu que vivo é você quem vive em mim!" Um professor que não professa, que não acredita naquilo que ensina, obviamente não será um professor, muito menos um líder. Uma organização, uma orquestra, na realidade, não precisam de muitas regras e normas e regulamentos e controle, já que numa seleção prévia foram escolhidos músicos, trabalhadores que, além de conhecimentos específicos e possibilidades, estavam motivados - função do Departamento de Recursos Humanos. A motivação, o entusiasmo, o desejo de crescimento são fundamentais na busca de um possível equilíbrio entre as forças positivas e negativas que todos nós trazemos em nós mesmos. A motivação é mais do que obedecer regras e leis - o que a máquina também faz. Regras não resolvem problemas. 

"Eu só peço a Deus que a mentira não me seja indiferente"
A vontade de fazer e de construir, a certeza de como fazer e construir, o porquê fazer e construir, muito mais do que receber salários e bônus e plus - palavra da moda - são o pentagrama, a base, o alicerce. “Sou para mim e sou para os outros”. Na medida em que desejo direcionar a minha própria vida e meu próprio destino, numa doença contagiosa, todos também fazem a mesma coisa. Assim também é o amor e a fé, a justiça e a sabedoria - palavras tão fora de moda. As palavras da moda são sucesso e fama, riquezas e poder. Que pena! 

"Eu só peço a Deus que o futuro não me seja indiferente"