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Em Questão

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Décio Bragança 03/05/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

CRISES - A tendência de toda crise é se agravar cada vez mais, tornando-se mais aguda e profunda. Para os economistas, a solução para uma crise econômica será sempre a especulação financeira, buscando os paraísos fiscais, as melhores taxas de juros em qualquer país do mundo, já que, em crise, não se consegue fazer investimentos produtivos. Já que não dá para produzir, a solução é a “jogatina”, nos templos do capitalismo em homenagem ao deus Mercado, nas bolsas de valores – um verdadeiro cassino. “Quem dá mais?” – Quem me dá mais?”

 

EFEITOS - As consequências dessa especulação são sentidas por todos e não só para os capitalistas ferrenhos. Os problemas sociais se agravam, a perda da qualidade de vida das pessoas, o bem-estar e até o encantamento pela vida chegam ao seu limite, já que, por exemplo, os governos vêm ao socorro do sistema, ajudando bancos e corporações. Governo, todos sabemos, não tem dinheiro.

 

SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS - O dinheiro é de todos. Dinheiro de aposentadorias, de reajustes de salários, de investimentos em saúde, em saneamento, em educação, em cultura, de políticas públicas que asseguram a todos os mesmos direitos, são desviados para o setor financeiro. Daí, o desemprego, o aumento da criminalidade, de assaltos, de sequestros, da violência sem razão e sem motivo aparentes, a insegurança nas ruas e no campo, o aumento da pobreza e da miséria.

 

METAMORFOSE AMBULANTE - Aos domingos, vamos conversar sobre algum escritor importante, ou que julgo importante. Hoje, quero falar de Franz Kafka, genial e demoníaco, discutido e lido em todas as partes do mundo, simples na expressão e complexo nas filosofias, ao mesmo tempo, antifascista e anticapitalista, surpreendente e fabuloso. Nasce na cidade de Praga no dia 3 de julho de 1883 e morre em 3 de junho de 1924. Filho mais velho de uma família judia de outros cinco irmãos que morreram muito cedo. Começou a escrever pequenas peças de teatro ainda adolescente.

 

PROCESSO MALDITO - Fez o curso de Direito, mas nunca exerceu de fato a profissão. Solitário, fechado, ensimesmado, sofria muito com a morte de alguns poucos amigos, sofria o preconceito racial e a hostilidade antissemita, gostava de nadar e de remar. Nunca admitiu ser um bom escritor e não acreditava ser válido o que escrevia. Sentia necessidade de crer em algo superior, mas nenhuma religião o satisfazia. Na verdade, não conseguia adaptar-se à vida social, à vida de trabalho e à vida familiar. Nunca participou de movimentos revolucionários, apesar de ter simpatia por todos eles.

 

HOMENS-BOMBA - Nos meios de comunicação de massa “as aparências enganam”. Em geral, há uma insinuação perniciosa e criminosa, fruto de preconceitos e discriminações, contra o mundo dos árabes, contra o mundo dos muçulmanos, principalmente contra o Irã. Sabe-se que as negociações econômicas entre os árabes e os países da América do Sul têm crescido como nunca, atingindo uma cifra de 2,9 bilhões de dólares – uma cifra respeitada e respeitosa! Acordos entre esses países são assinados quase que diariamente. O intercâmbio Brasil/Irã só, em 2009, rendeu 1.297 bilhão de dólares, com a promessa de que, em 2015, essa cifra chegará a 10 bilhões de dólares.

 

METÁFORA PERVERSA - Conta-nos a história bíblica que, depois de Deus ter criado tudo, criou o homem do barro, do pó. “Tu és pó e ao pó há de tornar-se”. Deus soprou-o e lhe deu vida, dando-lhe a terra maravilhosa para a sua admiração, glória e deleite. Viu Deus que o homem – Adão – estava muito só e quis dar-lhe uma companheira. Adão entrou num sono profundo e Deus tirou-lhe uma costela e fez a mulher – Eva.

 

LEI MARIA DA PENHA - Essa metáfora nos faz crer que assim o homem torna-se filho de Deus e a mulher, filha do homem – o que mais tarde, na história da humanidade, vai se tornar um grande problema: o homem como filho de Deus deverá dar satisfações a Deus e a mulher como filha do homem deverá dar satisfações ao homem – estava criada a primeira verticalização perversa da futura organização social: o machismo.

 

UM POUCO DE HISTÓTRIA - A história brasileira é verdadeiramente maravilhosa, com o melhor povo do mundo. Enquanto muitos países, até hoje, lutam, por exemplo, por eleições de seus representantes, desde 1532, no Brasil, já havia eleição. As formas de eleição iam sendo mudadas, claro, atendendo aos interesses e intenções de quem desejava deter o poder.

 

PRIMEIRA ELEIÇÃO - Na Vila de São Vicente, no litoral de São Paulo, primeira cidade organizada pelos portugueses, somente os homens livres (portugueses e descendentes de portugueses) votavam e elegiam entre eles algumas pessoas que depois elegiam representantes para o Conselho Municipal – uma espécie de Câmara de Vereadores. Outras cidades seguiram o mesmo sistema até o Império. Observe-se que eleição não significa democracia – oportunidades e chances iguais para todos.

 

SOMOS O QUE SOMOS - A história dos brasileiros é feita de conquistas e vitórias, não relatadas e estudadas nas escolas nem ditas para o povo, em geral. Nada para nós foi e é fácil. Temos de matar um leão a cada dia. Temos a fama de indolentes, preguiçosos, calmos, pacíficos, “deixa pra lá” – o que não é verdade. Lutamos muito, não conquistamos muito, mas lutamos muito.

 

ALGUNS EXEMPLOS - A título de exemplificação, no período colonial: a Invasão dos franceses, no Rio de Janeiro, em 1555; a luta contra o tráfico de escravos, iniciado em 1568; a invasão dos holandeses, em Salvador, em 1624; a segunda invasão dos holandeses, agora em Pernambuco, em 1640; a Insurreição Pernambucana, em 1645; a Revolta dos Beckman, no Maranhão, em 1684; a destruição do Quilombo dos Palmares, em 1694; a Guerra dos Emboabas, em Minas Gerais, em 1708-1709; a Guerra dos Mascates, em Pernambuco, em 1710-1712; a rebelião de Vila Rica, com Filipe dos Santos, em Minas Gerais, em 1720; a revolta dos Sete Povos das Missões com a guerra Guaranítica, no Rio Grande do Sul, em 1754-1756; a Inconfidência Mineira, em Vila Rica, em 1789-1792; a Conjuração Baiana, ou Revolta dos Alfaiates, na Bahia, em 1798; a Revolta Pernambucana, em 1817.

 

HERÓIS E ANTI-HERÓIS - Os heróis brasileiros, derrotados nesses movimentos nacionalistas, foram e são esquecidos por nós, ou ainda, a história oficial nos nega essas informações importantes, mas são, queiramos ou não, os nossos verdadeiros heróis.