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Em Questão

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Décio Bragança 17/05/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

E SE, DE REPENTE A GENTE NÃO SENTISSE - É urgente que se repensem as bases da sociedade de que gostaríamos. O lucro? A honestidade? A riqueza? A solidariedade? O poder? A alegria? Os bens? Sem uma escala de valores e de prioridades dificilmente construiremos a sociedade sonhada por nós e para nós. Todos sentimos que é hora de a sociedade se renovar, em todos os sentidos. Toda renovação, toda revolução... precisa minimamente de um itinerário, para que cada um e todos vão se amadurecendo aos poucos.

A DOR QUE A GENTE FINGE E SENTE - Amadurecimento, aqui, são etapas construídas de um projeto social, econômico, político, cultural. Um projeto, nesse sentido, será sempre construído coletivamente. “Um sonho sozinho é ilusão. Um sonho sonhado por muitos é realidade!”

SE, DE REPENTE, A GENTE DISTRAÍSSE O FERRO DO SUPLÍCIO AO SOM DE UMA CANÇÃO - Não é fácil passar do individualismo, estimulado pelo capitalismo moderno, para pensar e trabalhar com os outros, para os outros, pelos outros. Não é fácil sair do nosso “salve-se quem puder” para lutar pela justiça e pela paz. “Ninguém se salva sozinho, mas também ninguém se perde sozinho!” – isso é compromisso, isso é cumplicidade. Negar essa “escondida” cumplicidade é negar a vida em sua plenitude.

ENTÃO, EU TE CONVIDARIA PRARA UMA FANTASIA DO MEU VIOLÃO - Vivemos momentos de individualismo exacerbado. Isso traz algumas consequências danosas ao ser humano e à sociedade. Talvez a mais grave seja a desqualificação dos diferentes e dos desiguais, dos loucos e dos da minoria, dos excluídos e dos revolucionários, dos libertários e dos sonhadores, dos utópicos e dos idealistas. Com a desqualificação vem a intolerância.

CANTA, CANTA UMA ESPERANÇA - Vivemos momentos de muita intolerância, de intolerância exacerbada. Ninguém mais tolera o outro. Com isso, todos nós perdemos a riqueza da alteridade, da beleza das diferentes artes das diferentes pessoas. Perdemos a possibilidade de trocas, uns alimentando os sonhos dos outros, os ideais e as utopias dos outros.

 

CANTA, CANTA UMA ALEGRIA - “Ninguém é tão pobre que não possa contribuir, ensinar, trocar, alguma coisa com os outros. Ninguém é tão rico que não precise da contribuição, da troca, do ensinamento, da presença do outro.” Estamos perdendo o sentido da gratuidade da vida, dos gestos, das palavras, dos ombros, doa conchego, do abrigo e dos colos dos outros. Estamos todos a caminho. Somos todos estradeiros. Nessa caminhada, a solidariedade e a tolerância nos são imprescindíveis.

 

CANTA MAIS, REVIRANDO A NOITE, REVELANDO O DIA, NOITE E DIA, NOITE E DIA - A título de exemplificação: muitos jovens ao entrarem num curso superior trazem muitos sonhos. Muitos jovens ao saírem de um curso superior levam muitas frustrações e desenganos, muitos ódios e intolerâncias, muitas desconfianças e poucas esperanças. Muitas escolas e universidades fazem questão de matar os sonhos dos jovens, porque inseridas num programa global de exclusão.

 

CANTA A CANÇÃO DO HOMEM – CANTA A CANÇÃO DA VIDA - Com isso, ameaçam as pessoas que não se comportam, não pensam como lhes é exigido comportar-se, pensar. As universidades, infelizmente, hoje, trazem essa ideologia única de mercado. O mercado não pode ser a primeira e única razão de existir, de ser.

         

CANTA MAIS, TRABALHANDOA ETRRA, ENTORNANDO O VINHO - Uma propriedade só tem explicação, ou justificativa por seu valor social. A expressão “valor social” pressupõe braços abertos, horizontalidade das relações, estar a serviço dos outros. “Sou-para-os-outros e sou-para-mim”.

         

CANTA, CANTA, CANTA, CANTA, CANTA A CANÇÃO DO GOZO - É urgente, mesmo que não concordemos, que haja distribuição de bens, de riquezas, de rendas, de lucros. Não pode haver essa distribuição sem participação de todos nos empreendimentos. As diferenças, as disparidades, as desigualdades, os contrastes cada vez maiores dificultam a concórdia, a harmonia, o entendimento.

         

CANTA A CANÇÃO DA GRAÇA - “Outro mundo é possível” Ninguém absolutamente ninguém está disposto, consciente e por vontade, colocar parte do que é seu, de suas terras, de seus bens e lucros, à disposição de outros.

         

CANTA MAIS, PREPARANDO A TINTA, ENFEITANDO A PRAÇA - Se alguém tem muito é porque alguém não tem nada ou quase nada. Não admitimos a partilha e nos arrogamos e arrotamos em todos os cantos que somos religiosos, cristãos, budistas, muçulmanos, humanos... Em todas as religiões prega-se o amor, a partilha, “o chorar com os que choram e o rir com os que riem”.

 

CANTA, CABNTA, CANTA, CANTA, CANTA A CANÇÃO DA GLÓRIA - Aceitar as desigualdades gritantes como fatos comuns e normais e naturais é não crer no amor, nas pessoas, em Deus. Enquanto houver alguém passando fome ou vivendo na miséria, não somos definitivamente religiosos. Somos enganadores de nós mesmo. Aliás, gostamos de nos enganar.

 

CANTA A SANTA MELODIA - Não dá para se ser feliz ao lado de tantos problemas sociais, aqui, ali, no mundo inteiro. Há de se pensar urgentemente numa cooperação mundial, entre as nações, para a sobrevivência do próprio planeta que está chegando à exaustão.

 

CANTA MAIS, REVIRANDO A NOITE, REVELANDO O DIA - Quando uma doença ataca um corpo, todas as células, todos os órgãos entram em alerta máximo para acudir, socorrer o corpo doente. Isso acontece, não porque as células sejam “boazinhas”, mas porque se não o fizerem assim, morrerão junto com o corpo. Isso para dizer que solidariedade, cooperação, mutirão é questão de sobrevivência.

 

NOITE E DIA, NOITE E DIA - Lembro-me de Cristovam Buarque que, ao responder a um estudante norte-americano, desejoso de que a Amazônia fosse internacionalizada, disse que também gostaria de ver também a fome e a miséria, a educação e as riquezas internacionalizadas, globalizadas, mundializadas. Claro, se não houver ajuda, colaboração mundiais, dificilmente vamos chegar a um patamar aceitável de vida digna a todos os seres humanos e a cada um.