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Em Questão

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Décio Bragança 20/09/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

PRIMA JEANE - Com o início da Primavera, vale a pena refletirmos um pouco sobre a ecopedagogia – práticas sustentáveis para a educação. Paralelamente a tantas filosofias de educa~]ao, psicologias de educação, sociologias de educação, metodologias educacionais, as escolas, a minoria é bem verdade, buscam a construção de um novo olhar, mais holístico e mais humano para todos os seres e para cada um.

 

PRIMA ANA - É uma visão além do heliocentrismo, do antropocentrismo. O sol não é o centro do universo, assim como o homem não é a medida de todas coisas. A biodiversidade – biocentrismo – surge em todas as discussões e propostas, criando, incentivando, estimulando, fomentando os valores e as práticas ambientalmente sustentáveis.

 

PRIMA JULIANA - São 30 milhões de espécies animais e vegetais, mas apenas 3 milhões – 10% - já estão ou foram catalogadas. Mesmo sabendo disso, os homens são educados e programados para se considerarem os melhores, os maiores, os donos de tudo. Daí, o domínio – “crescei-vos, multiplicai-vos e dominai a terra” – se traduziu em destruição.

 

PRIMA ESTER - Poucos, por exemplo, dão importância aos insetos que são os mais necessários polinizadores do planeta, cujas fezes e corpos mortos são responsáveis pela sucessão, progressão, proliferação natural de muitas árvores, além de possíveis nutrientes para o solo. Seus corpos mortos são matérias orgânicas. A morte alimenta a vida.

 

PRIMA OLÍVIA - Houve um tempo em que foi incentivado o reflorestamento, até com isenções fiscais. O país se encheu de eucalipto – mudas importadas principalmente da Austrália e Nova Zelândia – ecossistemas diferentes do daqui. Poderíamos, por exemplo, ter optado por florestas de bananeiras e quaresmeiras – opção de alimentação e de beleza – espécies altamente conservadoras de umidade.

 

PRIMA AMÉLIA - Houve um tempo em que cada um de nós ao comprar, por exemplo, leite ou cerveja levava para troca suas garrafas de vidro. Por que, hoje, também não poderíamos levar as garrafas pet e as caixinhas de leite e sucos para a troca? As embalagens têm de ser devolvidas à indústria e a indústria, com criatividade e inventividade, pesquisa alternativas para o reuso desses materiais.

 

PRIMA CLARA - Já vi por este Brasil afora mesas, cadeiras, armários, moirões, casas feitas com o material das garrafas pet. Ninguém imagina ou percebe que o produto veio das garrafas pet dada a semelhança com a madeira. Aqui, em Uberaba, há uma fábrica de tijolos com os resíduos, os restos da construção civil. Fala-se até em 30% de desperdício só na construção civil. Hoje, plantam-se capuchinhas – flores comestíveis – e verduras por cima do telhado das casas – outra opção de alimentação.

PRIMA ALESSANDRA - As minhocas, outro exemplo, são a garantia da sanidade e qualidade de fertilizantes que podem ser produzidos a partir de dejetos, inclusive de humanos. O que é aconselhável é que esses dejetos não tenham contato com a terra, com o chão, evitando a poluição da água do subsolo.

 

PRIMA TERESINHA - A natureza, sabemos, pede socorro. Haja vista as mudanças bruscas no tempo e no clima. Soltamos no ar todos os tipos de efluentes gasosos: indústria, automóveis... Há ainda pouco controle e fiscalização desses gases tóxicos.

 

PRIMA KELLY - Como se isso não bastasse, usamos agrotóxicos indiscriminadamente que são levados para os pratos de nossas casas. A Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – afirma, confirma e reafirma que 64% dos nossos alimentos estão contaminados por agrotóxicos. O DATASUS afirma, confirma e reafirma que 35 mil pessoas, em 2014, ficaram internadas por intoxicações.

 

PRIMA LUCIMAR - Sabemos que um produto orgânico, sem o uso de agrotóxicos, é bem mais caro nos mercados, supermercados e hipermercados. Isso pouco importa! O que importa é o lucro, o acúmulo de riquezas e de poder. E a saúde dos consumidores? “Você comprou porque quis. Agora, o azar é seu!”

 

PRIMA DEÍSA - Pior ainda é a vida do trabalhador do campo, que, sem alternativa, está em contato com esses venenos diariamente, além, é claro, das péssimas condições de trabalho, de moradia, de higiene... É um trabalho quase escravo, porque sem os ditos direitos sociais.

 

PRIMA APARECIDA - Vale a pena você buscar no YouTube o filme-documentário de Sílvio Tendler: “ Oveneno está na mesa”. Há um jogo terrível de intenções e interesses invisíveis – a mão invisível de Adam Smith. De um lado, a pesquisa, as patentes e o monopólio da indústria química de fertilizantes, agrotóxicos, barateando, sim, o preço da produção; de outro, a saúde das pessoas e a preservação da e do meio ambiente.

 

PRIMA VERA - Outro mundo é possível! Temos o direito de viver sem venenos. Dizem que, em novembro, entra em vigor o novo código da biodiversidade no Brasil, regulamentando o acesso de substâncias químicas, além de regular as pesquisas genéticas – biogenéticas. “Estamos brincando de Deuses”! O Brasil detém 20% da biodiversidade mundial. Só isso justifica esse novo código, com mais rigor na fiscalização e critérios de produção de alimentos e medicamentos.

 

PRIMAVERA - E o acervo genético de nossa flora e fauna que está sendo vendido aos países desenvolvidos? Em nome do progresso e do lucro, da fama e do poder, infelizmente, tudo virou mercadoria. Só isso justifica uma intervenção do governo. São muitos interesses e dinheiro – propinas, caixa-dois, depósitos no exterior, lavagem de dinheiro, evasão de divisas. Quem dá mais?!