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Em Questão

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Décio Bragança 01/11/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

ALEGRIA A GENTE CRIA - Faltam-nos líderes que nos mostram os nossos próprios valores e limites, nossos defeitos e virtudes, nossa pulsão positiva e negativa. Somos todos humanos, porque erramos. Erramos, porque somos humanos. Um chefe não admite nenhum erro e um líder sabe que todos erramos e que é possível tirar proveito dos erros ou aprender com os erros. Dizem que um crítico de arte é um artista frustrado, não conseguiu sentir-se artista ou fazendo arte. Então, critica os outros. “Quem sabe, faz; quem não sabe fazer, ensina a fazer” – nos ensinou Delfin Neto, quando seu colega Mário Henrique Simonsen deixou o ministério para ser professor. “Quem diz que sabe, não sabe; quem diz que não sabe, sabe” – nos ensinaram Platão, Aristóteles, Sócrates. “Só sei que nada sei”.  

 

BRINQUE FEITO CRIANÇA - Todo ditador tem também consultores, assessores, conselheiro. Todas as grandes empresas que quebraram e vão quebrar têm assessores. Um líder partilha, compartilha, socializa e cria laços e compromissos, cumplicidade e solidariedade entre todos. Não precisamos de heróis, nem ditadores. Precisamos de líderes que nos conduzem à utopia, à verdade, ao bem, à beleza, ao encantamento pela vida. Muitos já foram considerados doidos, incapazes, loucos, desequilibrados, só porque discordavam, faziam oposição às ordens de quem não admite desobediência.

 

CRIE O CAMINHO - Olha só: a homossexualidade, por exemplo, já foi considerada uma doença mental! Quantos absurdos que justificam os nossos preconceitos e maldades. Uma discordância, um desacordo, uma oposição, uma adversidade, um senão, um mas, uma rebeldia, uma desobediência, são caminhos perfeitos para a valorização da harmonia de ideias.

 

TOME CHUVA - Nos treinamentos, os músicos de uma orquestra discordam, debatem, desafinam, provocam dissonâncias para o bem da própria orquestra. Mesma situação em sala de aula. Aula que só o professor fala não é aula, é discurso, é sermão, é lavagem cerebral. Um professor simplesmente coordena um esforço de todo grupo de alunos. “Quão boa é a sua contribuição para a aula” = é assim que faz um professor, ou um líder.

 

ABRACE - A empresa, por causa de seu líder, tem de ser facilitadora do processo produtivo. Sem líder – a orquestra – não caminha, porque isso vira um obstáculo na execução de tarefas. Facilitar [é ser inteligente. Um líder facilita, por isso é líder! Ninguém quer um chefe, um diretor, um patrão que criam obstáculos e entulhos, atalhos e improvisações, quebra-galho e “gato”, “mula” e ligação clandestina, que barganham, que ajeitam do jeitinho do brasileiro, que só querem tirar vantagem como a lei de Gerson, que dão para receber.

 

MEDITE - Um líder – o maestro – trabalha muito mais sua intuição do que a dedução. A intuição sempre foi uma característica do feminino, enquanto a dedução está associada ao masculino. Se um líder usa mais sua intuição significa, de certa maneira, que está havendo uma feminilização das empresas, da gestão, da administração, de uma nova forma e fórmula de governar, apesar der apenas 9 mulheres num universo de 190 países serem chefes de Estado.

 

SALTE PARA A VIDA - Feminilização não significa ser mulher, mas construir-se voluntária e socialmente com as características também construídas do conceito de que seja mulher. Vale dizer que isso não tem nada a ver com sexo e ou opção sexual. Falta-nos um maestro! Falta-nos um líder! Gosto muito de Leonardo Boff quando afirma que Deus é MÃE! Rita Lee em uma de suas canções nos fala e nos ensina que Deus é masculino e feminino.

 

AGRADEÇA - No Legislativo do mundo inteiro a presença da mulher atinge apenas 13%. Os chefes, os patrões, os diretores do século XXI, para a própria sobrevivência, necessariamente terão de buscar muito mais a intuição – sexto sentido. Os maiores especialistas de economia do mundo levaram o mundo à bancarrota, a uma crise sem precedentes. Faltou-lhe, talvez, a intuição, sem planilhas de excell e sem números, sem programas sofisticadas e sem estatísticas.

 

AME A NATUREZA - Há muita vida fora das organizações e corporações, mas muitas pessoas pensam que as organizações e as corporações são a própria vida. Não consegue ver além dos números e dos horizontes, das estatísticas e do próprio umbigo, fora das cavernas e da escravidão, sem algemas e amarras voluntárias. A escravidão lhes dá segurança e certezas. As cavernas lhes dão conforto e sombras.

 

ABSORVA A LUZ DO SOL - Todos sabem que a saúde, o bem-estar, a qualidade de vida fora das empresas não são problemas das empresas, mas são problemas pessoais, individuais, mas podem se agravar dependendo do ambiente, da cultura organizacional. Um líder sabe que isso é assim e por isso cria momentos de reflexão e descontração dentro das próprias empresas. Homem nenhum é máquina ou peça de uma máquina, de uma engrenagem.

 

FECHE OS OLHOS E APENAS SINTA - Isso para dizer que um líder tem preocupações com os problemas coletivos e individuais, empresariais e pessoais. Falta-nos um líder! Uma empresa, claro, não é casa de assistência social, para fazer caridade e pregar o amor. Foi criado o FGTS, Instituto de Previdência Social, férias,  13º salário... para falsear a dureza dos interesses e intenções capitalistas, empresariais e corporativos. E se tudo isso não fosse lei, talvez muitos não depositariam o FGTS, o INSS, nem o salário.

 

SIMPLIFIQUE - A questão é que esperamos a vida deteriorizar-se, apodrecer-se, para que sejam tomadas decisões. Não é fácil equilibrar atividade profissional e realização pessoal. Certa vez, numa universidade foi feita uma pesquisa entre pessoas de um mesmo setor. Uma das perguntas: Para que serve o chefe, o diretor, o supervisor, o coordenador? A maioria das respostas livres foi que existiam para interromper o trabalho dos outros. Eles fazem questão de perguntar, de observar, de controlar, sempre interrompendo a normalidade do que se está fazendo. Eles não trabalham e fazem questão de que os outros também não trabalhem.

 

SILENCIE - Não há respeito ao tempo necessário para a execução de um determinado trabalho. E é bom saber que cada um tem um tempo diferente, porque as pessoas não são máquinas. Eles gostam de reuniões para se mostrarem democráticos, mas também para que todos pensem que estão trabalhando. Um trabalho em grupo se baseia na lealdade que nos leva à cumplicidade. Sem um maestro – um líder – dificilmente se constrói a lealdade.