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Em Questão

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Décio Bragança 15/11/2015
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Seja um pálio de luz desdobrado - Cada vez mais nos distanciamos da natureza ou artificializamos a vida. Tanto animais quanto vegetais passam pela renovação, restauração, criação ou adaptações. Uma semente para germinar tem de se deixar apodrecer – um sofrimento, uma dor. Assim é a vida: a vitória sobre o apodrecimento sempre com esperança e felicidade, alegria e encantamento.

 

Sob a larga amplidão destes céus - Essa metamorfose a exemplo da borboleta é que nos faz felizes, encantados, dispostos a enfrentar qualquer obstáculo. Não por acaso dizemos que “aquela mulher deu à luz um filho”. Isso para dizer que viver é dar à luz nossa própria vida. Não há vida sem luz. A vida foi, é, será um amanhecer, depois da morte, da noite, da madrugada.

 

Este canto rebel, que o passado vem remir dos mais torpes labéus! - Claro, durante nossa vida passamos por alguma noite ou alguma madrugada, mas sempre haverá a promessa de um novo sol, de um novo dia. Vivemos numa sociedade que privilegia a fama e o sucesso, os bens e o poder, a riqueza e o prazer – hedonismo. Assim, a metamorfose, a renovação, a transformação, a libertação, parecem algo utópico, inatingível, inacessível – uma miragem.


Seja um hino de glória que fale de esperanças de um novo porvir! - Assim, vamos perdendo noções e limites entre o bem e o mal, entre o joio e o trigo, entre as trevas e a luz. A vida, com todos os seres humanos, com todos os seres vivos e não vivos, se apresenta igualmente para tudo e todos. O que nos diferencia é a relação com nós mesmos, com todos os seres, com tudo.

 

Com visões de triunfos embale quem por ele lutando surgir! - Trocando em miúdos: o sol não é mau porque endurece e petrifica a lama; o sol não é bom porque amolece e liquidifica a cera. O sol não é diferente para um e para outro. A diferença reside dependendo do ser sobre o qual incide. Situações assim acontecem a todo momento com nós todos.

 

Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós - Observemos a diferença entre um medicamento: é remédio e é veneno ao mesmo tempo, dependendo da necessidade e da dose ingerida por cada um de nós, dependendo da relação que estabelecemos com ele. Quem é agricultor sabe bem disto: uma semente lançada à terra germina e cresce; outra semente da mesma espécie lançada à terra seca e morre. A “culpa” não é da semente, senão os diferentes componentes e nutrientes da terra em que foi lançada.

 

Das lutas na tempestade dá que ouçamos tua voz - Isso para dizer que a “culpa” não é do sol ou da chuva, dos mosquitos ou das borboletas, das bactérias ou dos vírus, dos animais ou dos vegetais, dos remédios ou das drogas, dos automóveis ou dos aviões, de Deus ou de Diabo. Tudo é assim: ou nos aceitamos ou nos rejeitamos a nós mesmos, aceitamos ou rejeitamos os outros seres que existem. Muitos ainda insistem em “culpar” os espelhos por serem feios.


Nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre País - As muitas tragédias naturais, para os prefeitos, trazem um culpado: São Pedro. Encontrado um culpado se eximem da responsabilidade. A metáfora mais espetacular sobre a culpa e a responsabilidade é relatada no primeiro capítulo de Gênesis. Depois do pecado de Adão e Eva, Deus chama a um e a outro para conversar. No papo, Adão responsabiliza Eva por seu pecado. No papo, Eva responsabiliza a serpente – a víbora – por seu pecado. Deus, então, impõe castigo para os três que se consideravam inocentes: para Adão, o trabalho; para Eva, o parto com dor; para a serpente, o inferno.

 

Hoje o rubro lampejo da aurora acha irmãos, não tiranos hostis - Dessa metáfora, podem-se buscar muitas reflexões: o inferno só existe porque o homem e a mulher não assumem seus pecados, crimes, erros; o inferno só existe depois do pecado dos homens, por isso não foi criado por Deus; todas as fêmeas ao parir passam por “dores” e não pecaram; os sofrimentos e as dores não são consequências – efeitos – de pecados, senão parte da própria vida; trabalho não é castigo, embora muitos ainda o consideram como tal...

 

Somos todos iguais! - Essa metáfora espetacular, narrada por Moisés, retrata bem o que foi, é e será a humanidade. Em relação a muitas doenças, isso ainda fica mais claro: a dengue, a malária, a febre amarela, a culpa é do mosquito; a gonorreia, a culpa é da cadela; a AIDS, a culpa é do macaco; a vaca louca, a brucelose, a culpa é da vaca; a tuberculose, a culpa é do bacilo; a gripe, a diarreia, a culpa é da bactéria; a esquistossomose, a culpa é do caramujo; hantavírus, leptospirose, a culpa é do rato; a toxoplasmose, a culpa é do gato... E assim tudo. O homem nunca é culpado.

 

Ao futuro saberemos, unidos, levar nosso augusto estandarte que, puro, brilha, ovante, da Pátria no altar ! - Existem governos municipais, estaduais e federal para se preocuparem com a ÁGUA (tratamento, potabilidade, distribuição...), com os ALIMENTOS (produção, qualidade, distribuição...), com os AGASALHOS (roupas, sapatos, cobertores...), com os ABRIGOS (casas, ruas, praças...), com o AR (purificação, qualidade...) – garantia de manutenção da vida.

 

Dá que ouçamos tua voz se é mister que de peitos valentes haja sangue em nosso pendão, sangue vivo do herói Tiradentes batizou neste audaz pavilhão! - Os políticos, desgraçada e irresponsavelmente, estão mais preocupados com a sua manutenção no poder. Por isso, querem punir os adolescentes de 16 anos, implantar a pena de morte, garantir a propriedade e os bens, manutenção de privilégios, polícia mais armada, população armada, olho vivo pelo centro das cidades, vigilância redobrada, ruas e avenidas para automóveis, construção de penitenciárias, hospícios, hospitais, abrigos para menores...

 

Mensageiro de paz, paz queremos, é de amor nossa força e poder, mas da guerra, nos transes supremos heis de ver-nos lutar e vencer! - No antigo Egito, um faraó propôs a matança de crianças. Herodes propôs a matança de crianças. Hoje, os donos do poder, disfarçadamente propõem e produzem essa mesma matança não só de crianças, mas principalmente dos pobres. Dizem alguns que os muitos naufrágios que estão acontecendo no Mar Mediterrâneo são produzidos, provocados, porque pobres, negros, desvalidos da sorte, consequência do descaso trazem “problemas” para os detentores do poder na Europa. Na verdade, eles governam para os ricos.

 

Do Ipiranga é preciso que o brado seja um grito soberbo de fé! O Brasil já surgiu libertado, sobre as púrpuras régias de pé - Vivemos presenciando uma situação por demais estranha: o ser humano é problema. Os filhos são entendidos e havidos como problemas para os pais. Os alunos são tidos e havidos como problemas para a escola e professores. Os pobres e os periféricos são concebidos e havidos como problemas para os prefeitos e políticos. No fundo, queremos uma escola sem alunos, uma família sem filhos e sem avós, uma cidade sem pobres, um país sem gente porque gente incomoda os donos das cidades e das pessoas.

 

Eia, pois, brasileiros avante! Verdes louros colhamos louçãos! Seja o nosso País triunfante, livre terra de livres irmãos! - Não gostar de gente é odiar a si mesmo. Há mais ódios do que possamos imaginar. O ódio protege o poder e os poderosos que não desejam qualquer forma de abalo e de rebeldia. Por isso, cheios de ódios, institucionalizam a violência, desrespeitam os direitos, receiam que um dia as pessoas possam ser uma ameaça para o mundo, para o país, para a cidade.