Busque em todas as seções:
EDIÇÕES ANTERIORES: anteriores

Em Questão

ACESSIBILIDADE: A A A A
Décio Bragança 03/01/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

O QUE PODE O SENTIMENTO - Somos influenciados e influenciamos, somos afetados e afetamos, somos machucados e machucamos. Somos amados e amamos. A partir dessa via de mão dupla – eu e os outros – muitas ciências foram e são criadas: antropologia, sociologia, psicologia, ciência política, administração, economia... E quanto mais se estuda maior a complexidade dessa relação de unidade e multiplicidade, de eu e nós.

 

NÃO TEM PODIDO O SABER - Claro, a abordagem científica, o objeto e metodologia, os laboratórios e conclusões são também bem diferentes, mas complementares, sem dúvida. Entender o ser humano numa perspectiva única talvez seja o grande erro. Não sou nada, mas à parte isso, tenho todos os sonhos do mundo” nos ensinou Fernando Pessoa.

 

NEM O MAIS CLARO PROCEDER - Muitas vezes, nós nos chocamos com um comportamento da outra pessoa. Não conseguimos pensar que o outro acredita naquilo que pensa. “Se penso em suicídio, eu começo a acreditar nele”. Nós nos enamoramos com aquilo em que acreditamos e só acreditamos naquilo que pensamos. Não adianta nada – absolutamente nada – se os outros não acreditam no suicídio como solução da própria inutilidade da vida. “Só acredito no que penso. Só desejo aquilo em que acredito”.

 

NEM O MAIS LARGO - Como seres sociais – via de mão dupla – é possível fazer o outro mudar sua maneira de pensar, de ser. Mudando o pensamento, muda a crença que muda o desejo. Por isso, as técnicas de persuasão estão em alta. Daí, o sucesso de livros, cd’s, dvd’s, de autoajuda, de criações de tantas igrejas.

 

VOLTAR AOS DEZESSETE - Somos seres sociais, vivemos em cidades, porque somos cidadãos do mundo. Tudo é partilhado e compartilhado entre todos. A emissão de carbono afeta a todos em todos os lugares. A mudança do clima não afeta uma cidade, um país, mas afeta o planeta inteiro. Sofrerão mais as pessoas mais pobres, sem desenvolvimento e progresso, sem acesso às benesses da modernidade, que não são os responsáveis, porque pobres. O carbono vem das fábricas, das chaminés, dos escapamentos de veículos, que usam combustíveis fósseis. O grande desafio de todos os povos é substituir as fontes energéticas. Será que estamos querendo isso? O que pensam os governantes e os donos das grandes corporações?

 

DEPOIS DE VIVER UM SÉCULO - As cidades atraíram muitas pessoas a elas, oferecendo-lhes conforto e usufruindo das benesses da civilização. As pessoas que ficaram na zona rural foram massacradas pela especulação imobiliária e pela expansão do agronegócio multinacionais, transnacionais, internacionais. Muitos foram para a periferia das cidades, porque sem dinheiro e qualificação profissional, iniciando o processo de favelização, praticamente em todas as cidades.

 

É COMO DECIFRAR SÍMBOLOS - Já já seremos 8 – 9 – 10 bilhões de pessoas aglomeradas, empilhadas, exprimidas nas cidades, já que ninguém mais quer viver no campo, na zona rural, porque sem escolas, sem assistência odontológica, psicológica, médica, técnica. Aí, a preocupação com alimentos, com moradias e abrigos, com água e saneamento, com a qualidade do ar, com os agasalhos e sapatos – elementos e direitos de todos e de cada um. Essa é a teoria dos cinco AS: Água – Ar – Abrigo – Agasalho – Alimentos.

 

SEM SER SÁBIO COMPETENTE - A produção de energia limpa, no mínimo, resolveria um dos nossos grandes problemas e cada cidade poderia determinar previamente, planejar, a quantidade de energia para manter a cidade viva e as pessoas. As cidades não foram, não são construídas para gente, mas para veículos, para o progresso a todo custo. Cada vez mais os automóveis transportam menos pessoas. O marido tem um, a esposa tem outro, os filhos – cada um com o seu – porque os horários de trabalho e de estudos não são coincidentes.

 

VOLTAR A SER DE REPENTE - A opção, nesse caso, tem de ser o transporte coletivo. Tem de se pensar em uma maneira de diminuir o número e a circulação de automóveis. O problema é que tudo funciona em cadeia, em elos: produção, industrialização, comércio, consumo. Não é fácil quebrar esse círculo mais do que vicioso. É urgente salvarmo-nos a nós mesmos.

 

TÃO FRÁGIL COMO UM SEGUNDO - Vivemos na encruzilhada de tomada de decisões, porque sabemos que a crise e degradação econômica produzem uma degradação ambiental – exaustão dos recursos naturais – que produz a degradação moral e social – exaustão das virtudes. Todos os estudiosos e pesquisadores do mundo inteiro estão sugerindo medidas urgentes para nos salvarmos e salvarmos o planeta.

 

VOLTAR A SENTIR PROFUNDO - Uma das maiores preocupações é o desperdício e a produção de lixo. Um caminhão carregado de soja no Mato Grosso do Sul para o Porto de Santos vai deixando até 10% da carga nas rodovias. E se tudo fosse feito por via férrea? O desperdício é muito significativo: 11 caminhões vale 10, além da emissão de gases tóxicos. E esse desperdício podemos dizer não é percebido pelas pessoas. A própria companhia de águas de Uberaba – CODAU – por exemplo afirma que do tratamento de água até as casas são perdidos 35% do total produzido.

 

COMO UMA CRIANÇA FRENTE A DEUS - Vivemos numa encruzilhada de tomada de decisões, porque a vida sedentária a que estamos sujeitos, vem produzindo consideravelmente os casos de obesidade, diabetes, estresse, enfarte, pressão alta. As pessoas não têm tempo de lazer, de prática de esportes, de ócio, de descanso, de sono. As crianças, hoje, pouco caminham. Observem o tanto de vans escolares rodando pelas cidades.

 

ISSO É O QUE SINTO NESTE INSTANTE FECUNDO - Ninguém anda para ir a um restaurante, a um boteco, a um shopping, a uma sorveteria, mesmo que esteja a poucas quadras de sua casa. O uso de bicicletas tem de ser uma alternativa de um desenvolvimento sustentável. Há pouca preocupação com a saúde das pessoas. Nas cidades grandes, as pessoas com o transporte, próprio ou coletivo, estão gastando até 32% do salário, muitas vezes, mais do que gastam com alimentação. Todos reclamam do aumento de preços de alimentos, mas ninguém reclama do preço dos combustíveis, da cerveja.