Busque em todas as seções:
EDIÇÕES ANTERIORES: anteriores

Em Questão

ACESSIBILIDADE: A A A A
Décio Bragança 07/02/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

Professor Décio Bragança Silva

decio.braganca@uniube.br

 

PIERROT - Há uma defasagem no número de alunos que terminam o Ensino Fundamental e os matriculados no Ensino Médio. Pesquisadores, professores, estudiosos tentam explicar esse fenômeno. Apontam algumas justificativas: muitos vão para o mercado de trabalho, ou para ajudar no orçamento familiar, ou para iniciar sua vida adulta precocemente; muitos percebem a própria inutilidade do Ensino Médio, já que não pretendem chegar à universidade; muitos se acomodam com a própria vida não desejando melhorias e sem novas perspectivas; muitos têm de estudar à noite – o que é um risco para eles mesmos, pensam.

 

ARLEQUIM - Há uma discrepância entre o sucesso escolar de meninos e de meninas. Pesquisadores, professores, estudiosos tentam explicar esse fenômeno. Apontam algumas justificativas: a aprendizagem depende muito do comportamento e da disciplina organizacional de cada aluno. O zelo, o capricho com os materiais, a paciência, a calma – fruto de uma educação familiar diferenciada – concorrem para o sucesso escolar. Basta observarmos as estatísticas e números: as mulheres na fase adulta, em relação aos homens, têm maior escolaridade – anos de estudo. Os meninos, quando reprovados, muitos deles abandonam a escola.

 

COLOMBINA - Para muitos, como a maioria dos professores, os primeiros anos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental são formados de mais mulheres. Há uma tendência, consciente ou inconsciente, de valorizar os discentes femininos, de entender, preconceituosa e previamente, que os meninos são mais agitados, mais baguncentos e bagunceiros, mais desrespeitosos e questionadores.

 

SERPENTINA - Para muitos ainda, as meninas, queiramos ou não, são preparadas e educadas para a submissão e obediência, subserviência e prestação de serviços, associadas, infelizmente, à noção de maternidade. Em outras palavras, as meninas são educadas para ser mães, desde a mais tenra idade; os meninos não são educados para ser pais – o que condiciona muitos comportamentos nas escolas – extensão da própria sociedade.

 

CONFETE - A figura ou a imagem ou o perfil ou o papel de que o homem – menino ainda – no futuro, será o provedor. Para tanto, exige-se dele uma iniciação laboral. Muito cedo, começa a trabalhar e abandona a escola. Isso porque também no emprego não é levado em conta a escolaridade. As mulheres, em média, segundo o IBGE, têm mais anos de escolaridade. Nem por isso têm maiores salários ou exercem posições de mando e comando. Seus salários são menores em até 27% do salário dos homens.

 

MÁSCARA - Já ouvi profissionais da área de saúde dizerem que os salários dos médicos já foram bem maiores e melhores até o dia em que muitas mulheres tornaram-se médicas. Na cabeça dos empresários da saúde, as mulheres se submetem a qualquer salário. Dizem até que os menores e piores salários são dos professores, com qualificação ou não, com habilitação ou não, porque a profissão é constituída, em grande parte, por mulheres.

 

ESTANDARTE - Um governador de Minas Gerais, num período de greve dos professores, chegou a dizer: “Vocês, professoras, não são mal pagas. Vocês são mal casadas!”

BANDEIRA - A escola pública, principalmente, é o reflexo da sociedade. Muitas famílias ainda não têm como sobreviver, com dignidade, porque “descapitalizadas”. Muitas crianças ainda vivem a insegurança alimentar e nutricional e por isso as escolas, hoje, têm a responsabilidade de fornecer a merenda escolar – o que não deveria sê-lo. Há muitos programas federais, estaduais e municipais visando à formação humanística em todos os níveis escolares, propondo expansão e a ampliação dos domínios corporais e sensoriais, cognitivos e emocionais, estéticos e éticos dos educandos.  

 

BANDEIRO - O propósito desses programas é tornar as pessoas mais atentas e críticas aos fatos e acontecimentos. O fato é que as escolas sozinhas não dão conta de levar a cabo esses propósitos. A cidade com todos os cidadãos e instituições tem de ser educativa e educadora, respirar e viver, alimentar e ruminar, sorver e absorver, aprender e nutrir-se de educação durante as vinte e quatro horas do dia, todos os dias do ano.

 

TAMBORIM - “Ler é mais importante do que estudar” nos ensinou o grande Darcy Ribeiro. Vale dizer que falta às escolas projetos de formação de leitores. A literatura científica e de ficção (artística) mais do que qualquer outra forma de expressão humana tem de ser incentivada e disponível a todos no espaço escolar. Há muitos livros que seduzem, que motivam, que causam, trazendo prazer, educando a sensibilidade.

 

AGOGÔ - “Um país se faz com homens e livros” nos ensinou o grande Monteiro Lobato. Vale dizer que há muitos livros instigantes, despertando curiosidades e o desejo de buscar respostas – função da escola. Nenhuma leitura deve ser imposta ou obrigatória – o que não significa que não deva ser incentivada e valorizada. Leituras compõem o processo avaliativo.

 

APITO - “A escola é uma ilha rodeada de livros por todos os lados” nos ensinou o grande Anísio Teixeira. Nós, brasileiros, não temos a cultura da leitura, porque nas casas os pais não têm o costume de ler histórias para os filhos, porque, algumas vezes, também nem sabem ler. Nas novas construções de casas não há espaço para uma estante de livros – o que poderia estimular a leitura. Estão construindo casas com 40 metros quadrados, onde mal cabe uma cama ou uma cômoda.

 

BATERIA - As casas, apartamentos, hoje, são construídos para servir apenas de dormitórios. Se nas casas houvesse livros. Se já trouxéssemos de casa o hábito de leituras, claro, o trabalho das escolas estaria e seria enormemente facilitado. As escolas sozinhas não dão conta de criar esse hábito.