Busque em todas as seções:
EDIÇÕES ANTERIORES: anteriores

Em Questão

ACESSIBILIDADE: A A A A
Décio Bragança 27/03/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

O meu ídolo morreu e ressuscitou. E o seu? - A política não pode nem deve estar ou ser aliada da economia, e principalmente da economia neoliberal – uma ação sem freio do mercado. Falar em política é falar em bem-estar, solidariedade, igualdade de oportunidades e chances, humanização das relações – bem-comum. Falar em economia é falar em dilapidação do Estado, em monopólio e oligopólio, em privatização e lucro, em exclusão e humilhação, miséria e fome generalizadas.

 

A força interior é a fórmula que ressuscita a vida dentro da própria vida - Para os neoliberais, o Estado só tem sentido ou significado se estiver a serviço do mercado – nome atual do diabo, do demônio, da desgraça. Para a política, a vida está acima de qualquer lucro imediato. Vivemos tempos de ideologia única, de meios de comunicação de mão-única, de desigualdades cada vez mais alarmantes e discrepantes, de egoísmo descarado e lavado que leva as pessoas para a arrogância e prepotência, causadas pelas ideias neoliberais, pelos economistas inescrupulosos e sem ética. Daí a alienação social e política. A economia não pode ter mais valor do que a política e os anseios. Desejos, aspirações, direitos da sociedade. “Quem não está comigo, está contra mim”. “Tudo que não é preto, é branco”.

 

O verdadeiro amor é igual a Jesus Cristo. Até pode morrer, mas no final sempre ressuscita - Infelizmente, a economia e os dólares, os neoliberais e o mercado, nada têm a oferecer à humanidade, aos homens e às mulheres. Oferecem mentiras e irresponsabilidades. Oferecem uma competição desigual com armas de calibres diferentes, destruindo, sob qualquer hipótese, a solidariedade e cooperação. Oferecem um poderio bélico, porque acreditam que sobrevivem os mais fortes, o mundo é dos espertos, “ao vencedor as batatas”. Oferecem a destruição do outro para expandir sua “fé” e seu “império”. Que morram um bilhão de homens e mulheres, jogados à própria sorte!

 

Uma boa palavra tem o poder de ressuscitar uma vida - Os suburbanos das grandes metrópoles estão vivendo nas favelas e morros, porque querem, porque são preguiçosos! Que absurdo! Ninguém gosta de passar fome e sede. Ninguém gosta de lixo e de sujeira! Ninguém ama viver em águas cheias de dengue e de tantas outras desgraças! Ninguém se alimenta de pragas e de fezes! Que desapareçam do mapa os subúrbios e as favelas!

 

Acreditar em Deus é ressuscitar todo dia, mesmo estando vivo! - Oferecem tecnologias avançadas aos grandes produtores do “agronegócio”, expulsando das terras milhões de camponeses, de caipiras, de bocós! Que morram todos os integrantes do MST, da Frente Campesina! Oferecem propinas e corrupção e consumo de drogas que criam mais bandidos, mais ladrões, mais sequestradores, mais traficantes. Depois insistem ainda em diminuir a idade penal, mais rigor das leis, prisão perpétua, pena de morte. Quanto sadismo e hipocrisia!

 

Nunca mate ninguém, pois se ele ressuscitar não vai ser nada bom - Oferecem maior repressão aos movimentos populares, aos sindicatos, às associações das classes trabalhadoras, porque acreditam ser um bando de baderneiros, de desordeiros, de loucos desvairados e varridos. Oferecem câmaras de vigilância espalhadas pelas avenidas e ruas, pelos corredores e salas das empresas e das indústrias e escolas, porque sabem que a qualquer hora alguém deve se vingar, resistindo a tanta repressão. Por incrível que pareça, hoje, há, em Londres, uma câmara de vigilância para cada grupo de quatorze habitantes. “Big Brother Internacional”.

 

Quando ressuscitarem meus átomos estarei pronto para morrer - Oferecem os agrotóxicos nocivos ao meio ambiente e à vida, industrialização de produtos alimentícios transgênicos sem fazer a devida identificação para os consumidores. Que morram todos os integrantes do Greenpeace, das ONG’s e dos participantes do Fórum Social Mundial. Oferecem os horrores das guerras, os massacres dos terceiro-mundistas, exploração do homem pelo homem, a condenação dos traficantes(geralmente pobres porque sem opção de emprego) e a descriminalização dos usuários (quase sempre ricos, porque sem motivos para viver), o descaso com a saúde, educação, habitação, saneamento, conquanto que se pague (e já foi paga muitas vezes) a dívida externa, com o Banco Mundial e com o Fundo Monetário Internacional.

 

Quaresma é tempo de morrer os nossos medos e ressuscitar os nossos sonhos - Oferecem a privatização como caminho de eficiência e eficácia dos serviços, contra a burocracia e propina – ocultando a verdade: transferência de recursos do setor público para o privado. Que privada! Que merda! Oferecem a separação de um homem de outro homem, porque cada um se arma de egoísmo, de “cada um por si”, de arrogância e prepotência, de hipocrisias e preconceitos. O homem é objeto de enriquecimento vil de outro homem. “Meu inimigo é o meu vizinho” ou “Dormindo com o inimigo”.

 

Nem a morte vence o amor, pois Jesus morreu e ressuscitou - Vivemos tempos, talvez, nunca vividos. Temos mais medo de perder um carro, uma casa... do que perder a vida. Um ladrão tem muito mais chances de ser preso, ser condenado do que um assassino. A vida humana está valendo menos do que um carro, uma casa. Justificamos um assassinato, até como legítima defesa da honra! Quantos maridos e namorados estão matando esposas e companheiras e continuam soltos.

 

Às vezes necessitamos de morrer, para ressuscitarmos em nossa verdadeira essência - Crimes contra o patrimônio são, via ideologia neoliberal, mais graves do que os crimes contra a vida. Essa também é uma explicação dos estudiosos do assunto por que há tantos assassinatos, homicídios e feminicídios, no Brasil. Muitos na tragédia do Carandiru em que morreram 111 pessoas condenadas, diziam: “Morreram só 111! Deveria ter morrido um milhão! Pena de morte a quem cometeu um crime! Bandido bom é bandido morto!”