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Em Questão

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Décio Bragança 10/04/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

TÁ TRANQUILO - As empresas investem cada vez mais recursos em contratações, treinamento, qualificação de seus empregados, na busca de melhores resultados. Muitas vezes, melhores resultados significa maior competência e produtividade em menor tempo com menos pessoas. Daí a criação de tantas consultorias e assessorias normalmente terceirizadas, sem vínculos empregatícios. Não acredito na eficácia e ou eficiência dessas consultorias externas. “Quem sabe, faz; quem não sabe, ensina a fazer”.

 

TÁ FAVORÁVEL - Muitas vezes, a política entra em jogo da sedução com a mais alta burguesia, ou vice-versa. Os números estatísticos mascaram a realidade. Se, por exemplo, eu me alimento com 100 quilos/ano de carne e uma outra pessoa nunca comeu carne, para os estatísticos, eu e a outra pessoa comemos 50 quilos/ano de carne. O resultado é uma ilusão, porque camufla a realidade, esconde os contrastes e as diferenças desumanas entre as pessoas. Há muito mais pobres e miseráveis, analfabetos e com baixíssimos salários do que nos mostram os números, do que possa imaginar a nossa vã filosofia.

 

MOVIMENTO DOS SEM-VERGONHA - Na minha vida inteira como professor (mais de 50 anos) ouvi respostas de “colegas” que naturalizam a ideia de raça negra, alegando que o sol, na África, queima a pele dos negros e por isso são negros. Que burrice! Que absurdo! Essas ideias perpassam por todos os segmentos sociais – o que contribui para o acirramento dos preconceitos raciais.

 

MOVIMENTO DOS SAFADÕES - Há pessoas no Brasil com salários de 15 mil dólares/ano e outras com 300 dólares/ano – menos do que um dólar por dia – o que caracteriza, segundo a ONU miséria absoluta. A taxa de natalidade também é mascarada: natalidade da classe alta – acima de 33 salários-mínimos por mês – é 1,65 filho por mulher, enquanto da classe baixa – entre 1 e 3 salários-mínimos por mês – das periferias das grandes cidades é 5,21 filhos por mulher. Esses dados são disponibilizados pelo próprio governo, via internet, no site do IBGE.

 

MOVIMENTO DAS CACHORRANAS - Os imigrantes brancos, italianos, árabes, espanhóis, japoneses, alemães não sofrem esses preconceitos raciais. Daí entendermos o preconceito como alguma coisa construída, planejada, idealizada com bases na própria cor da pele. Caso não seja assim, teríamos preconceitos contra japoneses, alemães, naturalmente. O preconceito não é natural.

 

MOVIMENTO DAS COXINHAS - Os números estatísticos totais nos colocam, colocam o Brasil, como a 7ª maior economia do mundo; 74º lugar do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano; 8º país em desigualdades sociais dentre os 177 países pesquisados. Há uma preocupação dos governos com os números totalizados, mas estão pouco se lixando com as desigualdades sociais.

 

MOVIMENTO DAS COBRAS - O sucesso de um ou outro negro, por exemplo, a figura do ministro Joaquim Barbosa, justifica cruelmente para alguns a não existência de preconceitos e a sociedade discute os méritos individuais do próprio ministro. Uma sociedade que defende esse tipo de meritocracia oculta os muitos problemas sociais. Daí o discurso ideológico de que “o brasileiro ´preguiçoso” – também outra falácia.

 

MOVIMENTO DOS SARADOS - O interessante é que quando se fala em homicídios sempre se quer responsabilizar o indivíduo, uma comunidade. São 50 mil (arredondando os números) homicídios/ano no Brasil; mais de 4 mil/mês; mais de 130/dia; quase 6/hora – o que significa a cada 10 minutos morre um brasileiro assassinado. Nesse jogo de propagandas e falatórios, brinca-se com os números dependendo dos interesses e intenções.  O Brasil realmente, hoje, é uma terra de ninguém. Em terra sem “dono”, todos têm razão, todos “lutam” contra todos e o ódio se alastra e o desejo de vingança se avoluma. Nessa “guerra” somos vítimas e réus, mortos e matadores, heróis e bandidos ao mesmo tempo. Vivemos momentos de “cada um por si” – “salve-se quem puder” – “ao vencedor, as batatas”

 

MOVIMENTO DAS ÁGUAS - Nos livros didáticos, nas peças de teatro, nas esculturas e pinturas, nas novelas e romances, raramente encontramos um negro como protagonista, contribuindo ainda mais com o favorecimento de uma baixa autoestima do indivíduo negro. Quando protagonistas, são apresentados como escravos. Como é difícil a vida dos negros! Por causa da pobreza a que estão submetidos, grande parte dos alunos negros “fogem” da escola, para começar a vida de trabalho.

 

MOVIMENTO DOS VENTOS - Os governos perderam sua função por incompetência, incapacidade de prevenir, de preservar os valores sociais. Fala-se em mais de 80 milícias, só no Rio de Janeiro, que são contratadas para matar, ou preservar o patrimônio de alguns. Quantas balas perdidas! E quem faz parte dessas milícias? Quase que na totalidade por militares, da Polícia Civil, funcionários públicos e bombeiros que são pagos com recursos públicos para preservar a ordem pública. O interessante é que no “serviço público” essas pessoas não “funcionam”, mas na iniciativa privada os mesmos homens fazem a máquina funcionar.

 

MOVIMENTO DAS FLORES - No ensino superior, são poucos universitários negros. Na realidade, os negros se veem excluídos do sistema de ensino. Em pesquisa do IBGE, em sua PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar – há mais analfabetos negros entre 10 e 14 anos – 12% a mais do que brancos. Ne mesma pesquisa, adolescentes brancos – 15% - entre 10 e 14 anos, já estão no mercado de trabalho; 40,5% de adolescentes negros da mesma idade já estão brigando pela sobrevivência no mercado de trabalho.

 

MOVIMENTO DAS AVES - É sempre assim: um médico que atende pelo SUS nos muitos postos de saúde “menosprezam” os doentes, mas em suas clínicas e hospitais, via convênios médicos ou pagamento, tratam diferentemente a “seus” doentes. Há médicos em hospitais públicos que encaminham pacientes para seus consultórios e clínicas. Basta só observarmos o tempo gasto pelos médicos com “seus” pacientes nos postos de saúde e em suas clínicas e consultórios.

 

MOVIMENTO DOS LEÕES - Só esses dados são suficientes para chegarmos à conclusão que os negros são colocados e vivem em condições desfavoráveis e desiguais em relação aos brancos – o que produz desigualdades na distribuição de renda. Quando se fala em meritocracia – ascensão social e econômica pelo esforço e mérito de cada um – estamos falando em crueldade: os negros permanecem menos tempo na escola, e por isso menos qualificados e habilitados, recebendo salários menores.

 

MOVIMENTO DE MASSAS - O povo que se dane! Já já alguém vai propor a privatização, a terceirização das polícias como já fizeram com a Educação e com a Saúde. Já presenciamos guerra terceirizada, como a invasão do Iraque pelos EUA, como a invasão do Afeganistão à procura de Bin Laden. Isso para dizer que não há patriotismo nem nas guerras. As guerras foram terceirizadas. Há brasileiros ganhando muito dinheiro em guerras! Nós já vivemos uma situação trágica e desastrosa com o “Esquadrão da Morte” – formado por atiradores de elite, mas mercenários, profissionais do crime.