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Em Questão

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Décio Bragança 01/05/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário - Alguém, algum dia e em algum lugar, disse que nascemos para a felicidade. A partir de então ficamos e estamos obcecados, neurotizados pela busca da felicidade. Nos anos 70, 80 a obsessão era a busca da liberdade. “Estamos condenados a ser livres” – como nos ensinou Sartre, o Jean Paul. De qualquer forma, acredito que somos obrigados, condenados até, tanto a ser livres quanto a ser felizes.

 

O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade - As escolas da zona rural se esvaziam porque também tem diminuído o número de pessoas que moram na zona rural, hoje, invadida por máquinas e computadores e cada vez mais com menos pessoas para manipulá-los. E essas poucas pessoas vêm da cidade, porque as escolas da “roça” não qualificam os Jecas-tatus para o trabalho mecanizado e automatizado. Os jovens que saem da roça dificilmente voltarão para lá, dado o fascínio que exerce a cidade grande.

 

O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra - A impressão que se dá é que a liberdade é um projeto a longo prazo e a felicidade, um projeto a curto prazo, a curtíssimo prazo, para hoje, agora, aqui, imediatamente. Como desejos humanos – a utopia – possivelmente nunca serão plenamente alcançados. As editoras, sabedoras disso, lançam no mercado muitas obras, algumas até como roteiros de felicidade, de autoajuda. “Como ser feliz em um ano” – “Como fazer amigos” – “Como alcançar a fama e o sucesso” e tantos outros iguais.

 

O trabalho é a praga das classes bebedoras - Os jovens de lá ficam, frequentam uma escola de baixa qualidade, muitas vezes, até sem infraestrutura adequada. Por isso também são registrados os maiores índices de pobreza, de analfabetismo, de miséria, de fome. As prefeituras investem pouco nessas escolas, principalmente porque não dão uma visibilidade eleitoral, eleitoreira. Talvez, sobrevivam até por teimosia de seus moradores.

 

A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado - Cada um, quase que desesperadamente, busca meios, mecanismos, rotas, caminhos para alcançar ou aumentar a sua felicidade. Estima-se que por ano, no mundo, são fornecidos 120 a 150 milhões de receitas de antidepressivos. Daí o sucesso mundial do Prozac. O comércio de drogas ilícitas – maconha, cocaína, heroína, crack, extasy e tantas outras – movimentam 500 bilhões de dólares/ano – o que equivale de 8 a 10% de todo o comércio mundial.

 

Trabalho é amor tornado visível - Hoje, o Brasil é um país urbano, porque as pessoas, de certa forma, sem condições mínimas de sobrevivência, foram expulsas de sua terra, de seu chão, de sua roça. Os nordestinos não vieram para São Paulo porque eram “bonzinhos” e gostavam de receber baixos salários, porque também sem qualificação alguma. Foram “expulsos” de sua terra por condições ambientais, sociais, econômicas, políticas.

 

A felicidade consiste em três pontos: trabalho, paz e saúde - O discurso da “obrigatoriedade da busca da felicidade” tem rendido muito dinheiro para a indústria químico-farmacêutica, para os traficantes, para o crime organizado e nós, pobres mortais, produzimos em nós mesmos mais ansiedade e desejos, mais angústia e desesperos, porque não temos a felicidade à nossa disposição.

 

Creio muito na sorte. Quanto mais trabalho, mais sorte pareço ter - Pobreza, analfabetismo, êxodo – em busca da Terra Prometida. O interessante é que muitos empresários estão fazendo seus investimentos em Educação não porque são “bonzinhos”, mas porque aferem bons lucros. “O padeiro não fabrica pão porque é bonzinho, mas porque descobriu que fabricar pães, dá bons e muitos lucros”. Quantas escolas de iniciativa privada estão na zona rural? Escolas nesse local poderá dar lucro? Claro que não.

 

O trabalho espanta os vícios que derivam do ócio - Há países – EUA, China, Japão, Bélgica, Suécia... – em que o número de suicídios é maior do que de homicídios – o que deveria ser preocupação de todos os governos no mundo. O problema é que enquanto muitos morrem e se matam, poucos se enriquecem. Isso é a chamada “Indústria da Morte”. A OMS – Organização Mundial da Saúde – vem alertando seus parceiros acerca dessa tendência mundial, projetando o suicídio para os próximos anos a segunda maior causa de morte.

 

Trabalha com gosto e terás o gosto do trabalho - Aliás, acreditamos que tudo o que não der lucro deve ser da iniciativa pública e responsabilizamos os prefeitos e os políticos. Infelizmente, há ainda um “jogo-fiscal”, isenção de alguns impostos das grandes empresas e corporações e outras formas de atraí-las para as “suas” cidades. Ótimo! Maravilha! Nesse jogo, acredito que possa haver um incentivo “casado” com uma pequena comunidade que necessita de hospital, escola, infraestrutura.

 

Um bom descanso é metade do trabalho - Houve um aumento de renda – maiores possibilidades de créditos para a aquisição de bens – obedecendo ao discurso: “A felicidade é consumir, consumir, consumir, consumir, consumir muito”. Como tudo virou mercadoria, não por acaso, um automóvel – as coisas – virou símbolo de felicidade. “Sou feliz porque tenho” – “O dinheiro não traz felicidade, mas manda buscar”.

 

A abelha atarefada não tem tempo para a tristeza - Há já algumas experiências vitoriosas nesse sentido. Essas parcerias e alianças são tremendamente importantes para o município, como um todo. No período das privatizações, talvez, tenha sido um momento importante para essas parcerias e alianças. Perdemos o bonde da história ou perdemos o trem, como dizem os mineiros. As pessoas não podem caminhar sem perspectivas – apontar o dedo para as estrelas e ver somente a ponta do dedo.

 

A inspiração existe, mas tem de te encontrar a trabalhar - Sigmund Freud nos ensinou que a busca da felicidade é uma luta vã, fadada ao insucesso, à frustração, ao desengano, porque também entendia que o ser humano é feito, composto de heranças nefastas, improdutivas, maléficas. Os instintos – pulsões – mais animalescos possíveis, porque mais sensíveis e prazerosos, superam a possibilidade e desenvolvimento dos aspectos positivos – fruto de um esforço até sobre-humano, quase divino. Faço aqui uma comparação com fins didáticos? O mal é doce; o bem, amargo. De que mais gostamos? Claro, do doce – e essa é tendência de todo ser humano.

 

Eu só trabalho com achados e perdidos - A educação, talvez, seja o maior veículo do desenvolvimento de qualquer país. Há muitas escolas sobrevivendo sem as mínimas condições físicas, sem salas adequadas para os professores e para os alunos. Crianças têm necessidade de brincar, de jogar, de correr – missão primeira da educação infantil, determinada por lei. As escolas infantis eram chamadas de “Jardim da Infância” – um nome muito mais significativo do que o atual. Hoje sem jardim. Hoje sem infância.

 

Leve é a tarefa quando muitos dividem o trabalho - Porque estamos numa sociedade de consumismo, acreditamos, muitas vezes, que a felicidade se concretiza com o acúmulo de bens e riquezas e não percebemos que, muitas vezes, a felicidade consiste em exatamente viver com simplicidade, sem muitas outras preocupações. É preciso perder para ganhar. É preciso ceder. Essa educação para o imediato, para o consumo, para o prazer a todo custo tem levado as pessoas ao estresse, ao desencanto, à depressão, ao desespero. “Agora ou nunca!”