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Em Questão

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Décio Bragança 08/05/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães - Todos nós deveríamos ser educados para entender que em tudo que fazemos é para dizer que viver vale a pena. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” – nos ensina o grande Fernando Pessoa. O mais importante é o caminho, a expectativa da chegada. Estar na estrada já é um bom começo. Sentir-se a caminho da felicidade já é a própria felicidade que necessariamente não será um mar de rosas. Rosas também têm espinhos. Não importam os espinhos.

 

O coração das mães é um abismo no fundo do qual se encontra sempre um perdão - O professor é um sujeito importante dentro do processo educacional. Queiramos ou não, ele é o ponto de partida, o motor de arranque, a fonte. É dele a iniciativa. O aluno é um sujeito importante dentro do processo educacional. Queiramos ou não, ele é o ponto de chegada, o freio, o sedento e faminto. Os dois sujeitos – Eu e Tu – Professor e Aluno – apesar de função diferente são um só, porque cúmplices. A cumplicidade se faz na persistência, insistência, confiança. Nesse sentido, sala de aula é ponto de encontro – encontro de subjetividades.

 

A mãe compreende até o que os filhos não dizem - O professor José Pacheco – criador da Escola da Ponte – um dos responsáveis e importantes educadores do mundo, hoje, ensina-nos e ensina a seus professores que, numa primeira aula, devem perguntar aos seus alunos, a cada um, o que querem e de que mais gostam. A partir daí, elabora-se um roteiro de estudos para cada um fazer, estudar, pesquisar o que quer e o que mais gosta sob todos os ângulos de todas as ciências. Aprende mais e melhor quem estuda o que lhe dá prazer. Isso pode ser chamado de “análise de potencialidades” ou “análise de pontos fortes”.

 

Os homens são o que as mães fazem deles - Não conseguimos entender as coisas como uma coisa só: o amor está no ódio e o ódio no amor, a felicidade na infelicidade e a infelicidade na felicidade, como nos ensinou os matemáticos: ponto zero; para gente, positivo; para trás, negativo. Ponto Zero é o ponto de equilíbrio. E como é difícil o equilíbrio! Os sentimentos e as emoções humanas vêm todos misturados e por isso quando estamos tristes pensamos que estamos infelizes – o que não é verdade. A felicidade é um projeto, um processo; a tristeza são momentos, instantâneos e fugazes. Caso fosse verdade, estaríamos muito infelizes.

 

Tenho irmãos, pai, mas não tenho mãe. Quem não tem mãe, não tem família - O isolamento, o abandono, a solidão, o menosprezo, o descaso afetam profundamente as pessoas. A felicidade é uma construção de cumplicidade, por isso coletiva, de contato, de frente a frente, de cara a cara. Como processo, é contagiante e um número de pessoas cada vez maior vai se integrando e se entregando ao outro. “Sou feliz quando você está feliz!” – “Rir com os que riem e chorar com os que choram” – nos ensinou Jesus Cristo.

 

As palavras da criança na rua são as do pai e da mãe - Carecemos de percepção e/ ou consciência de nossas virtudes e de nossos defeitos – ao que podemos chamar de autoconhecimento. Para Aristóteles, nascemos com as potencialidades e as forças, os talentos e as energias necessárias para se ser o que nascemos para ser. O problema, então, é como desenvolvê-los para o nosso próprio bem. Muitas vezes nos esquecemos da fé e do amor, da simplicidade e da pureza, cortesia e a tolerância, a mansidão e a calma.

 

Amor de mãe é a mais elevada forma de altruísmo - Não nos é possível em todos os lugares e horas estar sorridentes, transbordantes, prazerosos. No clima da sociedade do miojo – tudo feito em três minutos – perdemos a noção do tempo ou da divisão necessária do tempo: oito horas de sono; oito horas para mim e oito horas para os outros. “Sou para mim e sou para os outros”.

 

Nem toda rainha tem coroa, e a prova disso é a minha mãe - Cada um de nós é e está cheio de talentos que são únicos e intransferíveis, que podem e devem estar a serviço do outro. “Sou médico porque é bom para mim e é bom para o outro” – “Sou professor porque é bom para mim e é bem para o outro” – isso chamamos de consciência social ou ainda de bem comum. Cada um de nós traz em si uma chama e se todas forem acesas já teríamos experimentado a felicidade e a alegria.

 

O amor de mãe é o combustível que permite a um ser humano fazer o impossível - O sono é renovação, revigoramento, revitalização, energização, porque é o desligamento do Eu, do Ego, da Consciência. Tudo precisa de descanso, de desligamento. “No sétimo dia, Deus descansou”. Estamos dormindo pouco e cada vez menos. Daí o chamado estopim curto, estresse, nervosismo, agressividade, amargor, amargura, rancores, raiva, mágoas, ressentimentos, fracassos, insucessos, rusgas, testas franzidas, nariz empinado, sobrancelhas cerradas, ranger de dentes.

 

Somos todas mães adotivas, sejam elas geradoras ou postiças...A verdade é que a mãe biológica dos nossos filhos é a vida - Somos seres vivos. Gosto muito da comparação do ser humano com uma árvore frutífera. Cada um é uma árvore e, juntos, produzimos com os nossos frutos a salada mais saborosa de que se tem notícia: a fraternidade – traduzida em tolerância e aceitação. Como árvores expandimos nossos galhos e folhas e flores e frutos e sementes. O mínimo que podemos fazer é, com a nossa sombra, deixarmos que o outro descanse ou sofra menos.

 

O maior desafio de uma mãe é ficar cada vez menor - O sono é o canto das sereias e dos anjos. “Dormia que nem um anjo”. Nessa loucura em que vivemos, o despertador, hoje, é o nosso maior inimigo. Cuidamos pouco da gente mesmo. Não “perdemos” oito horas com nós mesmos. Como é bom um banho, uma ingestão tranquila de alimentos, uma mastigação ritmada, uma música preferida, uma leitura, uma cervejinha com os amigos, um estudo daquilo que escolhemos, um filme preferido, uma internet saudável, uma caminhada pelas ruas e praças, o uso de roupas leves e velhas, um chinelo largo, uma sombra fresca, uma conversa amigável, uma relação sexual compartilhada e prazerosa, uma viagem para a praia ou para as montanhas, um sorvete fora de hora, um encontro com um amigo que há muito não via, uma visita a um parente distante, um dedilhar de violão, um torresmo eventual e acompanhado de algumas geladinhas, um beijo roubado, um abraço por acaso, um gesto inesperado, uma visita de gratidão, um tropeção numa pedra, um bicho de pé, um corte de cabelo, uma visita ao médico, um grito no meio da mata, um cochilo no cinema... Ah! Quantas coisas gostosas e maravilhosas que estamos negando a nós mesmos!