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Em Questão

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Décio Bragança 22/05/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

Ama e faz o que quiseres - Deus, para o homem, não é objeto de posse e de certezas. É objeto de fé. Há, hoje, uma proliferação de igrejas por toda a parte. Muitos usam Deus como roupas, carros, casas. No mínimo, falar de Deus é abrir-se ao outro, a todos os outros, ao inteiramente diferente, ao humano, ao infinito. A experiência religiosa transforma a liberdade em ato de fé – abertura total ao homem.

 

Se calares, calarás com amor - A diversidade ou a aceitação da diversidade é uma possibilidade de superar os conflitos e as contradições que podem convergir para a cumplicidade e o compromisso com o outro. A isso chamamos de gratuidade do amor, porque permanente acolhimento. A única coisa que pode nos enriquecer socialmente é a solidariedade fecunda e fraterna – partilha dos dons, atenção permanente, confiança irrestrita.

 

Se gritares, gritarás com amor - Deus não é objeto de posse e de certezas. Comumente, ouve-se dizer: “não acredito em religiões, mas acredito no meu Deus”. Meu? Meu! Meu!? De quem é Deus? Já houve até Guerra Santa em defesa de Deus não acreditado por outros. Em nome de Deus, mata-se. Vale aqui se lembrar do centurião romano que, talvez, acreditasse em outros deuses, mas disse, olhando para Jesus, ser ele o verdadeiramente o Filho de Deus. Pela fé, pode Deus alcançar a adesão do mais afastado dos homens, do mais bandido, do mais safado, do mais ignorante.

 

Se corrigires, corrigirás com amor - Uma constituição de um país são os princípios e os valores escolhidos, eleitos pelos cidadãos desse país. Por isso, chamada de “Carta Magna” – Carta Maior – Lei Maior. Desde “A República” de Platão, as teorias políticas vão se modificando até se contrapondo. Isso para dizer que em nenhum país ainda se tem, foi construída uma República, onde todos, sem nenhuma exceção, pudessem viver dignamente.

 

Se perdoares, perdoarás com amor - Deus não é objeto de posse e de certezas. É impossível ao homem determinar qual é a religião verdadeira, qual delas tem Deus. Nenhum poder, nenhuma autoridade, nenhuma hierarquia traz em si a certeza da presença de Deus. Sempre intocável. Inexplicável. Mistério. O fato é que a experiência religiosa – homens em Deus e Deus nos homens – liberta o homem de todos os ídolos da política e riqueza, do cinema e do poder, de todas as alienações e de todas as servidões. A experiência humana em Deus é, n mínimo, uma alternativa para a libertação do homem.

 

Se tiveres o amor enraizado em ti - A felicidade possível é aquela que construímos. Algum acidente de percurso está acontecendo conosco, porque a depressão está tomando conta das pessoas. Mais de 100 milhões de receitas com antidepressivos por ano, nos EUA. O pior de tudo é que as pessoas que tomam esses remédios e ou medicamentos são cada vez mais jovens. O pior ainda, muitos antidepressivos inibem o desejo sexual. Somos depressivos por falta de sexo e prazer. E assim vamos tocando a vida aos trancos e barrancos. O mundo sem amor é um inferno.

 

 

Nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos - Deus não é objeto de posse e de certezas. A fé é uma decisão que organiza e comanda a maneira de existir do homem, que nasceu para a felicidade, para a alegria, para o bem-estar, para a paz, a para ressurreição e para o céu. A experiência religiosa, viva e humana, faz o homem viver com uma força transbordante, exigindo até que se jogue a vida inteira como um lance vital, porque sabe que nenhum fracasso é definitivo e que nem tudo está acabado. Essa experiência requer a participação de cada ente para criar um futuro de amor.

 

Prefiro os que me criticam - Numa organização política moderna, divide-se o sistema em três poderes independentes: Legislativo, Executivo e Judiciário. No fundo, é uma decisão coletiva de como as pessoas gostariam de ser governadas, de como os cargos e funções devem ser distribuídos. Para tanto, é fundamental a participação de todos, além de simplesmente eleger, votar, escolher UM que poderia ser feita até por sorteio, como na Grécia Antiga – Ágora.

 

Porque me corrigem - Deus não é objeto de posse e de certezas. É sabido que a história humana não é simples passagem da causa ao efeito, do antes ao depois, do ontem ao hoje, do hoje ao amanhã, daqui ao ali, mas antes de tudo do possível ao real. A experiência religiosa, humana e ardente, afasta os limites do possível, criando modos de viver e fazer a história, através da decisão de fé. A fé existe até o momento de o homem gozar de uma graça especial que é viver o amor, com o amor, pelo amor, para o amor. 

 

Aos que me elogiam - Não sabemos dialogar, conversar, escutar o outro. Nós deveríamos criar condições para aprender isso. O diálogo é nosso único instrumento, porque sinal de comunhão, de comunidade, amadurecimento pessoal e social. Temos de criar espaços de estudos, de reflexões, de colaboração, de discussão, de família, de reciprocidade.

 

Porque me corrompem - Deus não é objeto de posse e de certezas. Para se possuir algo é preciso oficializar a posse em cartórios ou notas fiscais. Há leis, porque há posse. A experiência religiosa – manifestação de Deus aos homens – ultrapassa a lei e os cartórios, a dependência servil e ou herdada, propondo a liberdade, a contemplação como aconteceu a Francisco de Assis em seu Cântico ao Irmão Sol ou das Criaturas.

 

Voltemos por outro caminho - A formação de partidos passa por paixões e emoções comuns de seus membros, como as torcidas organizadas do futebol que não admitem nenhuma derrota. A paixão cega e um partido político, acredito, deveria ser muito mais do que uma torcida. Perder é parte fundamental do jogo político. Fazer oposição é essencial ao jogo de interesses e intenções. Alguns estudiosos e pesquisadores, como Henry Adams, afirmam que um partido é uma “organização de ódio”, porque também até entre os seus membros a briga – unhas e dentes e muito dinheiro – pelo poder é intensa, felina, animalesca, irracional.

 

Parabéns - Assim, a experiência religiosa não é entendida e considerada e vivida fora do home e do universo. Assim, o homem leva em consideração o que está dentro dele e da sua própria vida e não tendo em vista um porquê ou um para quê. Assim, Deus e o homem são um, através do conhecimento e estudo, do amor e da fé. Assim, o agir hoje e aqui e o que pode ser amanhã lá são uma coisa só, como num projeto de construção de uma ponte.

 

Felicidade e saúde - A pesquisa, a ciência, o estudo fazem o mundo ter sentido. A escola é o grande laboratório de experimentações, de acertos e erros. Na maioria das vezes, o erro nos ensina mais, nos cria e abre mais possibilidades, quando se tem consciência do erro, ou quando admitimos simplesmente o erro. A espécie humana – todos somos falíveis – é essa consciência que nos faz crescer, desenvolver, ser para ser mais, para ser melhor.

 

Amor amores - Num projeto de construção de uma ponte, se não se trabalha na construção, não haverá ponte. Assim, tudo é presente, porque Deus cria sem cessar o mundo e as coisas e os seres do mundo que lhe são uma única obra – uma obra-prima e única. Assim, não por medo do inferno e do castigo, o homem ama a Deus que é o próprio amor.

 

Prazer - A felicidade é uma construção que necessariamente passa pela felicidade do outro. Nesse sentido, não há felicidade individual, pessoal, mas sempre social, coletiva. A possível felicidade individual é relativa à infelicidade do outro. “Sou mais rico do que você” – “Sou menos triste do que você”. Por isso, muitos se sentem felizes com a desgraça do outro. Lembro-me sempre de Erik Fromm quando nos ensina que se desejássemos a nossa felicidade com a mesma força e energia com que desejamos a desgraça do outro, já teríamos sido felizes.