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Décio Bragança 26/06/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

SONEGAÇÃO - Os analistas e especialistas falam que há no mundo 80 paraísos fiscais – sem absolutamente nenhum controle, promovendo a evasão de divisas, sonegação de impostos. Nos paraísos – não têm esse nome por acaso – não há desemprego e as pessoas têm um alto padrão de vida – o que provoca o aparecimento de novos paraísos. Não por acaso também a Suíça é invejada por todos os países.

 

ELEIÇÕES - Neste ano, eleições para prefeitos e vereadores em todas as cidades brasileiras. Quando se fala em eleições, está-se falando do presente e do futuro. Participar é fundamental, então, na busca de um melhor destino de nossas comunidades. Todas as vezes em que escrevo sobre política, repito, desde 1980, as palavras do santo João Paulo II:  “A Igreja não tem a pretensão de intrometer-se na política, não aspira participar da gestão dos assuntos temporais. Sua contribuição específica será a de fortalecer as bases espirituais e morais da sociedade, fazendo o possível para que toda a atividade no campo do bem comum se processe em sintonia e coerência com as diretrizes e exigências de uma ética humana e cristã”.

 

PARAÍSOS - A polícia, os governos não têm força nem autoridade de acabar com os paraísos fiscais. França, Estados Unidos, Brasil, Indonésia não sabem como agir com as pessoas de seus países que provocam “rombos e roubos” extraordinários em suas economias, mesmo porque tudo é feito no “anonimato” e com a garantia de que seus nomes nunca serão revelados. Muitos segredos, muitas sombras, muitos lucros!

 

SERVIÇOS - Na realidade, o papa aconselha que ninguém se comprometa com atividades político-partidárias – função dos membros dos filiados aos partidos. A política é fascinante, porque só através dela é que se promove a bem comum, enraizada na paz e na justiça, no diálogo e no amor a todos os seres vivos e não vivos. Fazer política não é estar filiado a algum partido; aliás ninguém quer nada partido. Todos queremos algo inteiro.

 

INFERNOS - Se dividirmos o PIB – Produto Interno Bruto – pelo número de habitantes, teremos em 1º lugar Luxemburgo; em 2º, Bermudas e em 3º, Ilhas Jersey. O interessante é que esses países não fazem parte de nenhum noticiário dos jornais e televisão no mundo inteiro. Se fizermos uma pesquisa aqui, no Brasil, muitos nem nunca ouviram falar desses países. Os paraísos funcionam como um grande prostíbulo, um cabaré de luxo.

 

DIREITOS - Lembro-me também de Paulo VI, em 1971, dizer: “Tomar a sério a política nos seus diversos níveis, é afirmar o dever de todos os homens de reconhecer a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada para procurar realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade. A política é uma maneira exigente, se bem que não seja a única, de viver o compromisso cristão a serviço dos outros”. Nesse sentido, ser político é participar das decisões de futuro.

 

PROSTÍBULOS - A título de fazer justiça com a história: Cuba até 1956 era o prostíbulo de luxo – o paraíso dos Estados Unidos – o que motivou a ascensão de Fidel Castro. Por isso, Fidel há mais de 50 anos continua sendo “ídolo” dos cubanos e de muitas pessoas do mundo inteiro. O nosso país, Brasil, já foi conhecido por muito tempo de “terreiro dos Estados Unidos”. Claro, sempre Fidel teve e tem opositores ideológicos, porque queriam que Cuba continuasse a ser o “puteiro de luxo do mundo” – onde tudo é permitido.

 

DEVERES - Votar é dever, é obrigação. Daí a importância de investigar as propostas e os projetos dos candidatos a cargos eletivo. No mínimo, é obrigação de todos votarem mesmo que seja por exclusão. Alguns critérios são importantes para a escolha ou exclusão: 1 – Bem comum. Ninguém se torna solidário, bom caráter, altruísta, companheiro – dividir o pane, o pão – alguém que chora com os que choram e ri com os que riem, da noite para o dia, assim de repente, só porque é candidato.

 

CRITÉRIOS - 2 – Verdade. Muitos mentem ou prometem o que é impossível ser realizado, abusando da boa-fé das pessoas, buscando uma popularidade fácil; ninguém deixa de ser ladrão, ficha limpa, corrupto, mascarado da noite para o dia. 3 – Competência. Ser competente exige compromisso com as pessoas e, para tanto, não é necessário só criticar o que já está feito, atacar outros candidatos. Ser competente exige compromisso com a vida, com a justiça social, com a transparência e com a liberdade individual e coletiva.

 

INIMIGOS - Nesse sentido, ser competente é ser destemido, arrojado, ousado, visionário. Não ter medo, por exemplo, de implantar um orçamento participativo – “As pessoas decidem o que deve ser feito com o seu dinheiro de impostos”.  4 – Amizades. A desgraça política reside exatamente na tal governabilidade ou governança, os acordos até com os inimigos, safados, corruptos, oferecendo vantagens a seus apoiadores de campanha.

 

TESOURO - Um paraíso é algo fascinante. Só para se ter uma ideia do montante depositado só na Ilhas Jersey: quase 2 trilhões de Dolores, ou 8 trilhões de Reais. O PIB brasileiro, hoje, equivale a 3 trilhões de Reais. Em outras palavras, numa ilha desse tamanhinho há duas vezes mais dinheiro depositado do que no Brasil inteiro. Fala-se em 15 trilhões de Dolores – 60 trilhões de Reais – depositados em 80 paraísos fiscais. Uma loucura!

 

ÓDIOS - É obrigação dos meios de comunicação facilitar e promover as falas, as ideias, as ações, a história de todos os candidatos. É obrigação dos sindicatos, das associações de bairros promoverem debates, reuniões, encontros com todos os candidatos. Candidato que não aceita conversar, falar e ouvir, não gosta de gente.

 

SERVIDÃO - Para garantir depósitos em qualquer paraíso fiscal, o sigilo é fundamental. Por isso, tudo parece ficção, tudo parece virtual. Empresas fantasmas, pessoas inexistentes, anonimato, sigilo, garantias de lucros... tudo na maior tranquilidade. Como é feita uma transação financeira? É feito um estranho malabarismo.

 

ESCRAVIDÃO - Muitos brasileiros ainda sofrem feridos em sua dignidade, porque lhes são negados os seus direitos – artigo 5º da Constituição Brasileira. Há ainda um número expressivo de brasileiros excluídos, vivendo na miséria, passando fome, sobrevivendo sem empregos, sendo vítimas da violência, por falta de políticas públicas, por falta de vontade política, maximizando os interesses econômicos. A política não deve nem pode ser escrava da economia. A política é fim; a economia é meio.

 

LIBERTAÇÃO - Para fugir do pagamento de impostos em seus países de origem, um cidadão de qualquer parte do mundo, procura um cidadão ou uma agência nos países fiscais. Esse cidadão abre uma conta em seu país-paraíso que não cobra nenhum imposto das contas com depósito acima de 1 milhão de Reais. Dizem que Paulo Maluf tem mais de 5 bilhões depositados em paraísos. Em entrevista a muitos meios de comunicação, ele afirma, em alto e bom tom, que quem encontrar um centavo depositado no exterior pode ficar com ele. Claro, o dinheiro não é depositado em seu nome. Maluf e tantos outros iguais a Eduardo Cunha têm a certeza absoluta de que seu “mula” nunca vai entregar o jogo. E qual é a vantagem, o lucro dessa transação?