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Em Questão

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Décio Bragança 03/07/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

BEM – VERDADE – BELEZA - A lei é a força dos poderosos. E a força sempre é, foi e será a injustiça, portanto toda lei é injusta. A lei postula a entrega, a resignação, a submissão, a resignação, a covardia. Desobedecer às leis é recusar a dependência de toda ordem. Lembro-me aqui do fato na Holanda. Em 1980, o governo pretendia fazer o censo diferente em seu país. Foram várias perguntas sobre vários assuntos. Muitas perguntas eram capciosas e maldosas e visavam a outros interesses senão os de um censo normal. O povo percebeu a “jogada” do governo e começou, sem que houvesse alguém provocando a “desordem”, a dar respostas falsas ao questionário. Quem era solteiro se dizia casado. Quem tinha dois filhos dizia ter cinco. E assim por diante. E o censo foi para água abaixo. Outro exemplo: na Dinamarca, Hitler ordenou aos judeus o porte de uma estrela amarela, porque assim facilitaria o seu crime de genocídio. Até o rei e toda a população passaram a usara estrela amarela. Hitler sem alternativa porque não sabia quem era quem não ordenou a matança. Desobedecer é preciso. Desobedecer é resistir.

 

CAMINHO – VERDADE – VIDA - A lei se impõe pela propaganda e pelo condicionamento intenso. A desobediência às leis também pode ser incitada pela propaganda – via televisão e rádios “clandestinos” como aconteceu na antiga Tchecoslováquia, no Vietnã, em Angola, em Moçambique. Lógico que para desobedecer é preciso uma preparação sobretudo moral que é alicerçada na fé viva e inflexível, fazendo uma desintoxicação psicológica, desacralizando a disciplina e a ordem, vencendo o medo e o ódio.

 

FÉ – ESPERANÇA – CARIDADE - Desobedecer requer uma força interior grande, uma motivação irredutível, uma consciência crítica e apaixonada, uma vontade lúcida e criativa, uma razão forte de viver, contra a alienação e destruição do homem. Lembro-me de Esopo, o filósofo-escravo de Xantós, o estúpido governador de Atenas. Esopo dizia que antes a morte do que a servidão. Diante da recusa de liberdade prometida por Xantós, suicidou-se, pulando desfiladeiro baixo. Existem hoje muitos partidários do derrotismo e da covardia que declaram alto e bom tom: “Antes a servidão à morte!” – É preferível um covarde vivo a um herói corajoso morto!”

 

OBEDIÊNCIA – POBREZA – CASTIDADE - Desobedecer é tomar o destino nas mãos, sem delegar e alienar o encontro a quem quer que seja.  É dizer NÃO ao totalitarismo e, ao mesmo tempo, ao individualismo. Desobedecer é querer dar ao homem o direito de criar, de se exprimir, de decidir, tendo confiança em si mesmo, sem deixar a solução dos problemas para os políticos, para os padres, para os juízes. Desobedecer é vencer todos os obstáculos do poder, que são a repressão e a calúnia, destruindo um sistema opressor e explorador e marginalizante que asfixia as legítimas e verdadeiras necessidades do homem. Assim, desobedecer passa a ser um dever.

 

ENSINO – PESQUISA – EXTENSÃO - As leis, o império das leis, fizeram e legalizaram o apodrecimento do homem e da sociedade, condicionando o homem às leis do Estado, aniquilando o homem, no corpo e no espírito, destruindo valores verdadeiros do homem, transformando o homem em passivo consumidor de informações. É necessário despertar para a necessidade e desejo de participar do nascimento de uma vida nova, onde sejam definidas as experiências e iniciativas portadoras de solidariedade e paz. Nesse sentido, é necessário desobedecer para fugir deste estado de coisas, lastimoso e ilusório, comportando-se contra todos os organismos de dominação e alienação.

 

PAI – FILHO – ESPÍRITO SANTO - Todos os momentos de nossa vida são importantes. Dadas as características semelhantes de determinadas fases, os estudiosos e pesquisadores dividiram a vida assim: infância, adolescência, juventude, maturidade e velhice. Claro, essa divisão é muito didática, facilitando os estudos e pesquisas de uma e de outra fase a passagem de uma para outra, quase sempre acompanhada de alguma crise de ordem físico-biológica e ou psicoemocional. Entre a infância e adolescência, estuda-se a crise da puberdade que talvez seja a mais significativa, porque são transformações no corpo e na alma.

 

VER – JULGAR – AGIR - A sociedade e as famílias sempre preparam quase que um ritual de passagem. Há alguns anos, por exemplo, para as meninas preparava-se o famoso “Baile de Debutantes”, lembrando a imagem de uma Cinderela que encontra seu Príncipe Encantado. Esses ritos variam de acordo com as tradições de cada comunidade. Essa passagem, de qualquer forma, traz questionamentos e interrogações profundas, rupturas e conflitos vitais, desordens e dúvidas existenciais, rebeldia e desajustes indefinidos. Daí um momento de alguns cuidados dos pais e dos professores, principalmente. Tanto pais quanto professores, por falta de informações, acredito, não levam muito a sério esse momento, inclusive desconhecendo que haja muitos sofrimentos dessas crianças ou pré-adolescentes.

 

TESE – ANTÍTESE – SÍNTESE - Vivemos numa sociedade, hoje, que cria muitos arranjos familiares: pai e mãe, pai e madrasta, mãe e padrasto, duas mulheres, dois homens, um homem, uma mulher. A criança em qualquer situação tem de, com ajuda, mas sem paternalismos, construir-se para a independência e autonomia, criando possíveis e saudáveis relações entre os sujeitos envolvidos. A família de qualquer maneira tem de ser ninho, ternura, carinho, aconchego, colo, coração e braços abertos. Nessa mesma perspectiva, a escola – ampliação do ninho e do colo. Nada [é assim tão fácil, porque não há modelos fixos, caminhos certeiros, exigindo flexibilidade e afeto principalmente dos adultos. Flexibilidade não significa laissez-faire, ao deusdará, mas base, força, princípios, alicerces “sem perder a ternura”.

 

1 – 2 – 3 - O protagonista – ator principal – do espetáculo da vida são as crianças. Para tal, o script, o cenário, a iluminação, os efeitos sonoros e visuais, a coxia, a produção, têm de estar preparados e bem feitos para facilitar a atuação dos atores. Gosto muito de três ideias e exemplos de autonomia e independência: 1 - a semente lançada ao solo, germina e, dependendo do solo, germina, cresce, desenvolve-se, dá flores e frutos; 2 – o “Menino do Dedo Verde” de Maurice Druon; 3 – a Parábola do Filho Pródigo. Nos três exemplos, a serenidade e responsabilidade do semeador, a certeza de possibilidades e potências de Dona Mãe e Senhor Pai, a liberdade  experimentação do Filho Pródigo.

 

1 X 1 X 1 = 1 - A escola tem sido responsabilizada por bulling entre as crianças e adolescentes, além de não a sério o processo educativo. A sensação que se tem é que as crianças estão aprendendo cada vez menos. Com a expansão e obrigatoriedade da educação, irresponsavelmente os governos também abriram escolas e permitiram a abertura de escolas, não respeitando assim praticamente a nenhum critério. Dizem que é muito mais fácil abrir uma escola do que uma lojinha, na esquina. A única preocupação são os números e as estatísticas. Criou-se até a figura do analfabeto funcional que chega 75% dos alfabetizados. Analfabeto funcional é aquele que não tem conseguido as habilidades da linguagem: ler – falar – escrever – ouvir e as habilidades da matemática: somar – dividir – multiplicar – subtrair. A escola que poderia ser um espaço fundamental do crescimento das crianças não tem cumprido suas funções e missão. Escola é sementeira. É viveiro!