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Em Questão

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Décio Bragança 10/07/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

JOÃO - Só o amor salva! Essa afirmação nada tem a ver com religião e, sim, com a ciência e, principalmente, a ciência médica. Isso para dizer que o amor tem um poder curativo, tanto física como emocionalmente. O fato é que o amor produz mudanças significativas no estilo e qualidade de vida, mais, muito mais do que as dietas e ou práticas e exercícios esportivos. Isso porque dietas e exercícios físicos afetam tão somente o aspecto físicobiológico. O amor vai além.

 

OLIVIA - A criança tem de ser olhada, observada com o máximo de atenção possível, sem determinar todos os seus passos, porque também já tem de ser construída a sua independência e autonomia – quanto mais cedo melhor. O adolescente – momento de transição – tem a vontade de ser grande, de sair e ao mesmo tempo a certeza de ser pequeno e ficar – vive todas as dores e angústias próprias da idade, como a aceitação ou não do seu próprio corpo em transformação; construção ou não da alteridade – a procura do outro; possibilidade de encontros e desencontros com as pessoas, além de seus familiares; descoberta de suas potencialidades que vão lhe propor inclusive uma opção profissional.

 

JULIANA - Muitos médicos, porque são formados assim, ignoram os aspectos emocionais, espirituais que podem ser a causa, a raiz de muitas doenças. O colo, o carinho, a ternura, o braço, o abraço, mesmo que não tenhamos ciência e consciência disso, são fatores determinantes da cura e na salvação dos indivíduos. A solidão, o isolamento, a exclusão, já com comprovação científica, aumentam o risco de derrame e outras tantas doenças cardiovasculares.

 

ANA MARIA - A família e a escola têm o dever de preparar as crianças e os adolescentes para a vida social, ideal, boa, inteligente, bela, utópica que se contrapõe à cultura do imediatismo, da obsolescência, da rapidez, do miojo – duração de três minutos – do descartável, do consumo, da violência e da agressividade. Nesse sentido, a família e a escola têm o dever de criar mecanismos e procedimentos de resistência contra o que já está plantado e implantado e replantado na sociedade permissiva, consumista, altamente irresponsável – o que não é tarefa fácil. Essa resistência passa inclusive pelo autocontrole de acesso à internet – disponível e facilitadora – porta aberta – de sites assim não tão benéficos, que visam ao bem das pessoas, principalmente ao comércio eletrônico que tudo oferece, legal e ilegalmente. Queiramos ou não, a internet está empobrecendo os vínculos afetivos e amorosos.

 

ESTER - A carência afetiva e a amorosa nos fazem adoecer, sofrer, morrer. Sei que tudo isso pode ser objeto até de críticas, porque, para muitos, o amor não existe mais. Sem amor, não há remédios, medicamentos, dietas, exercícios físicos que possam curar. O amor é abrir o peito e o coração para que o sangue flua, transforme, vivifique a alma, o espírito. A ciência, claro, tem grande importância na distinção do que é fantasia e realidade, verdade e ficção, ilusão e fato, imaginação e concretude.

 

ELAINE - A família e a escola têm o dever de ser uma fortaleza que proteja nossas crianças e adolescentes contra a pregação do narcisismo extremado e individualizado exagerado, do ilimitado acesso a informações. O interessante é que a escola acusa as famílias que não impõem limites às crianças e as famílias acusam a escola. Limite aqui não significa proibir, mas esclarecer, conversar, dialogar, mostrar riscos, sem punições e ou premiações. A ideia de que tudo é permitido não é o melhor caminho. “Ternura e força” talvez seja o melhor caminho da educação. O que não pode acontecer é os adolescentes e as crianças se sentirem sem um ninho, sem um colo, sem um apoio, sem um amparo. E como é bom um colo! Nossas crianças e adolescentes estão expostos a muitas influências externas negativa: bebidas, drogas, guetos, bandos. O uso de bebidas, por exemplo, está acontecendo cada vez mais cedo. Com as bebidas, novos problemas.

 

AUGUSTO - A ciência é limitada, apesar de tantos e fantásticos avanços. O desejo de amar e ser amado ultrapassa qualquer método científico, dedutivo ou intuitivo. O que é essencial, primordial, significativo, importante necessário ultrapassa os racionalismos e métodos. A partilha, o compartilhamento, a conversa fiada, o perder tempo com o outro, fazem bem para o corpo e para a alma. Sem levar em conta qualquer religião, a alma é a vida, a força, a energia do corpo.

 

ALESSANDRA - A família e a escola têm o dever de prevenir as crianças e adolescentes contra doenças até as transmissíveis sexualmente. Prevenção aqui envolve a ingestão de bons alimentos (verduras, legumes, frutas, carnes...), prática de esportes, iniciação artística e científica, leitura e escrita, auto-higienização... sempre visando à independência e à autonomia. A sociedade, em geral, é muito sádica. Não se preocupa com a educação de nossas crianças e adolescentes, mas quer punir os adultos, quer diminuir a idade penal, quer câmaras de controle, quer penas mais duras, quer até a pena de morte. Quanto sadismo! É urgente a criação de uma “Escola de Pais”, uma “Escola de Professores”. Não bastam boas intenções, é preciso ações pontuais.

 

DANILO - A medicina dita “alternativa” não se preocupa com medicamentos e remédios, porque não se preocupa com o coração, os pulmões, o intestino, as mamas, a próstata, o fígado, o pâncreas, o útero isoladamente. Sua visão, concordemos ou não, é muito mais abrangente, holística, entendendo o homem como um ser no mundo, n comunidade, na sociedade.

 

DANILO - A família e a escola têm o dever de criar espaços próprios para as crianças onde possam duvidar, interrogar, inquirir, desconfiar, perguntar, experimentar-se gente, pessoa humana, relacionar, construir sua subjetividade, sua eudade. Não se trata de fugir, escapar do que está proposto pela sociedade, mas, com os espaços de expressão, preparar-se para enfrentar a realidade. Muitas ONG’s já estão fazendo isso.

 

JEANE - A medicina dita “científica se preocupa com a rapidez dos efeitos dos medicamentos, com o controle do tempo de hospitalização. E os médicos, infelizmente, têm de atender mais pacientes em menor tempo. Assim, os motivos que levam a pessoa ao adoecimento não são levados em conta. Nesse sentido, acredito que muitos médicos se sentem frustrados, porque não foi para isso que escolheram fazer medicina.

 

AGOSTINHO - Pior pressão dos laboratórios bioquímicos, por pressão das pessoas “doentes” que exigem do médico um receituário imenso, por pressão dos familiares para o suprimento de suas necessidades e dos seus, acredito que, para muitos médicos, o atendimento fica comprometido. As pessoas que buscam hospitais clínicas, consultórios querem um receituário enorme, porque, para elas, quanto maior o receituário, melhor o médico. Os médicos sabem disso. As pessoas gostam e querem tomar remédios. Somos todos hipocondríacos!

 

ELY - Um bom médico alimenta a alma de seus pacientes. Aliás, paciente etimologicamente vem de paciência – maior virtude dos médicos. É a paciência – capacidade de ouvir do médico – que alimenta a alma. Nesse sentido, o médico é meu ouvido, é meu ouvidor, é meu ouvinte. Isso porque já não temos ninguém que esteja disposto a nos ouvir, perder tempo conosco.