Busque em todas as seções:
EDIÇÕES ANTERIORES: anteriores

Em Questão

ACESSIBILIDADE: A A A A
Décio Bragança 24/07/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

Pare o mundo - Em todas as cidades, é preciso mudar e construir um novo modelo de desenvolvimento rural, inclusive para preservar o ambiente, o meio ambiente. O modelo de hoje é concentrador de rendas e terras, de riquezas e poder, inclusive destruindo e depredando a natureza, promovendo o trabalho escravo e o trabalho infantil. A própria Constituinte nos ensina que a terra tem uma função social, esquecida por nossos governantes.

 

Que eu quero descer - Praticamente, nos paraísos-fiscais não há oposição interna, porque os seus cidadãos têm um bom padrão de vida. Em todas as discussões sobre o capitalismo, esse assunto nunca vem à tona, mesmo os governos tendo prejuízo por causa da sonegação e evasão de divisas. Para o capitalismo, o problema não são os ricos, mas os pobres que exigem direitos à vida, à saúde, à educação – o que para o capitalismo é um absurdo, porque tudo tem de virar mercadoria.

 

Que eu não aguento mais - A violência nas cidades e nos campos tem crescido assustadoramente. Estamos sendo contaminados pelo medo de sair, de passear, de viver, de conviver. “Enquanto as pessoas se engalfinham, os políticos corruptos roubam”. Será que não é hora de se pensar em cooperativas de produção? Olhemos para Uberaba: o maior produtor de grãos de Minas Gerais e nenhuma indústria de produção de alimentos. Não será isso um disparate?

 

Tirar fotografia - Se há paraísos, há também infernos. De um lado, ganância e luxo; de outro, miséria e desgraça. E tudo isso acontece diante dos olhos da ONU, da OCDE, do G20, do G7, do FMI, da OMC, das polícias do mundo inteiro. Há de haver uma regulamentação e controle financeiro. Há de haver uma luta contra a sonegação e contra a lavagem de dinheiro. Há de haver um organismo internacional, um tribunal internacional, já que há suspeitas que os bancos dos paraísos-fiscais financiam – em nome do lucro – tráfico de drogas, de mulheres, de crianças, de órgãos humanos, do terrorismo.

 

Para arrumar meus documentos - Praticamente, hoje não existem mais sementes ditas “crioulas” já que as transgênicas invadiram os campos. Não se trata ser contra ou a favor dos transgênicos, mas não permitir o patenteamento de sementes que são um patrimônio da humanidade. Como se pode patentear um ser vivo? As patentes criam um monopólio – uma ditadura. E tudo vem acompanhado de agrotóxicos que também formam um monopólio.

 

É carteira disso, daquilo - Qual é a lógica dos paraísos fiscais? Simples. Quem tem pouco, paga mais imposto. Por exemplo, tenho meio milhão de reais depositado e chego a pagar até 20% de imposto. Entre meio milhão e um milhão, a alíquota vai diminuindo até zerar. Mis de 1 milhão, imposto ZERO e as alíquotas dos juros vão subindo, crescendo. Em outras palavras: imagine uma aplicação qualquer aqui, no Brasil. Quanto mais tiver, maiores os rendimentos, em escala progressiva. Só isso!

 

Que até já amarelou - E a educação?  Queiramos ou não, a educação é a garantia da igualdade de oportunidades, corrigindo distorções e discriminações, preconceitos e exclusões. Com a educação, criam-se alternativas de organização social, econômica, política. É urgente o fortalecimento da solidariedade e cooperação.

 

Minha certidão de nascimento - Os paraísos fiscais alegam legalidade já que tem autonomia para gerir suas finanças e não admitem interferência externa – isso é invasão de privacidade. Os negociadores dos paraísos sempre conseguem dos grandes investidores “doações” para manter as associações assistenciais, de caridade, em seus países – uma maneira de emprestar a Deus para não “queimarem” no fundo dos infernos. Essas doações criam uma imagem positiva tanto para os paraísos quanto para os investidores. Servem como justificativa, desculpa, compensação. Esse artifício é muito usado no Brasil por artistas, por jogadores de futebol, por grandes empresários. “Festa beneficente para o Hospital X” – “Renda para a Fundação de Assistência Social Y”. No fundo, ninguém quer ir para o inferno.

 

E ainda por cima tem que pagar pra nascer - Diz um ditado angolano que se o homem não tomar conta de seu destino, o destino toma conta do homem. O homem tem o direito de fazer e de refazer o seu destino, com fé em todas as alternativas e possibilidades de ele ser feliz ou menos infeliz. Um ato de fé não é um ato arbitrário, mas embasado no amor e na esperança.

 

Tem que pagar pra viver - O que não se admite é que o destino e/ou o acaso tomem conta do homem. Não se admite o esgotamento de todos os estoques de energia e matéria da natureza, alegando, sempre, ser uma consequência do avanço tecnológico. Não se admite o contágio da AIDS assim avassalador, alegado, sempre, ser um castigo de Deus por causa da promiscuidade humana.

 

À beira dos caminhos – O que se nota é que grandes empresas se instalam no dito terceiro mundo, longe das cidades, assim livram os seus países da possível poluição e a exporta para cá, para nós, terceromundistas. Principalmente, à beira de nossos rios. Assim, transfere-se tecnologia e patrocinam shows contra a poluição, investindo em áreas escolhidas por eles em regiões mais favoráveis a eles e não ao país, ao povo, às pessoas que servem a eles. Além dos baixos salários, aqui, os nossos sindicatos são fracos, a fiscalização é complacente, a propina reina. Além disso, impõem um modelo de cultura e civilização do consumo. “Comprar é ser feliz”! – “Se estiver infeliz, consuma, consuma, consuma até a exaustão”.