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Em Questão

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Décio Bragança 31/07/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

Tem que pagar pra morrer - É possível ainda o homem agarrar-se à vida e ter o destino nas mãos, detendo a ganância enfurecida e o desejo de poder. O problema é que se continuarmos neste ritmo alucinante e frenético não haverá nada mais para roubar, para explorar, para ter, para possuir, a não ser preparar o mundo para a destruição como já está sendo feito. Cada vez mais armas mais sofisticadas e mais precisas e mais poderosas.

 

Pare o mundo - É possível, ainda, desacelerar a velocidade dos carros, dos aviões que arrastam muitos humanos com uma rapidez incrível para o abismo, para o nada, para a morte. A mecânica, o fascínio virtuosismo técnico, aceleram os motores para a destruição, matando muitos.

 

Que eu quero descer - É possível, ainda, desativar o terror, o roubo, o sequestro, a corrupção para se obter a paz. Desaprovar a concorrência desumana para se chegar à liberdade. Destruir a indústria bélica, mesmo que ofereça milhões de empregos, para se alcançar a prosperidade. Lembram-se de Hitler, em 1933? Fez a guerra e livrou a Alemanha da pior crise de desemprego da história da humanidade. Não se comete um erro para combater outro erro. Não se coloca fogo num prédio para matar algumas baratas e pulgas e escorpiões. Não se mata a vaca para vê-la livre de bernes e carrapatos.

 

Que eu não aguento mais - É possível, ainda, propor variantes e alternativas que realmente crie um novo sistema, porque os partidos de direita ou de esquerda vigentes mudam muito pouco em suas propostas; o primeiro incentiva a produção; o segundo, a divisão e/ou repartição do que se produziu ou produz. Tanto um quanto outro, no fundo, centralizam e radicalizam suas propostas, capitalismo de um lado e de outro o socialismo – concentração de ideias desnecessária e inútil. Tanto um quanto outro colocam as necessidades humanas a serviço do desenvolvimento e progresso e não o desenvolvimento e o progresso para atenderem às necessidades humanas.

 

Esperar o Corinthians ganhar um campeonato - É possível, ainda, conduzir a humanidade por caminhos menos violentos e agressivos. Há, hoje, violências de todas as ordens – do Estado, do capital e como consequência a violência entre as pessoas, que se julgam vitoriosas quando agridem, matam, esmagam o outro ser humano. Se as nações, os estados se agridem, não há como evitar a agressão entre as pessoas. Se as nações, os estados incentivam a produção de muitas coisas e mercadorias inúteis e maléficas, não há como evitar as convulsões e impulsos e greves e quebra-quebra, tentando impor limites, novas leis e novas punições. A ditadura é abominável, mas muitos patrões, juízes, professores, pais, prefeitos, governadores se julgam ditadores e agem como tal, com a mesma arrogância, prepotência e poder.

 

E ver no rosto das pessoas - É possível, ainda, há tempo, de desmascarar um Adam Smith, um Keynes, um Ricardo, um Raymond Aron e fazer figurar um Luther King, um Gandhi, um Pascal, um Jesus Cristo. Os nossos grandes teóricos citados, por primeiro, excluem de suas análises a participação real e efetiva de todos os homens, pregando doutrinas e dogmas de uma sociedade cada vez mais autoritária. Há, implícita e explicitamente, uma rejeição ao homem, que é tratado como resíduo, problema, peça de um mecanismo, cada vez mais desumano, competente, materialista e frio.

 

A mesma expressão de ascensorista de elevador - É possível, ainda, fazer valer o trabalho humano com uma visão global e não fragmentada, para que o homem não perca o sentido de seu trabalho, sentindo-se um eterno frustrado, condicionado pelas inúmeras matracas publicitárias e ou condicionamentos desenfreados e imorais. Ainda há tempo de propor a paz, o amor, a tranquilidade.

 

Seja feliz, consumindo – As grandes corporações como Coca-Cola, Ford, GM, Bayer, Caterpillar, Nestlé, Toyota, Sony impõem um certo modo de consumo, através da mídia impressa e eletrônica, via agências mundiais. 80% das informações circulantes no mundo são geradas por agências noticiosas mundiais. Para isso não há fronteiras ideológicas, despojando as nações e governos de suas competências.

 

Vale a pena ver de novo - A história se repete. Se, no passado, os europeus, principalmente os portugueses e espanhóis, massacravam índios, dizimando-os pela tuberculose, alcoolismo, sífilis, hoje, as corporações econômicas nos massacram a todos, impondo um consumo desenfreado e inconsequente, um desperdício desumano e incomum, desprezando a força e criatividade de um povo, sua fé e cultura, sua organização política, social e econômica.

 

E então – O contato com os “brancos civilizados” trouxe aos índios algumas doenças, para eles, fatais. Sem possibilidade de deslocamento territorial, buscam, hoje, nas cidades mais próximas das aldeias alimentos industrializados, enfrentando e tendo contato com o mundo capitalista – consumista. Aí, novo problema: como comprar sem dinheiro? A cultura dos brancos invade as aldeias, destruindo seus costumes e hábitos, inclusive religiosos. Para que apresentar-lhes Jesus Cristo? Por que os cristãos, pastores e padres, pensavam que só no Cristianismo pode haver salvação da “alma” e por isso os índios deveriam ser catequisados.

 

E daí – Nesse sentido, a pregação religiosa e cristã faz mais mal do que bem aos índios. Esse discurso faz parte do próprio discurso ideológico, burguês, capitalista. Daí os conflitos, as crises, a desorganização social e cultural. Desse contato nascem as ideias perversas de pecado que cria o alcoolismo, a prostituição, a vergonha de estar nu, a obrigação de trabalhar...